ITATIBA1

Projeto que veta publicidade de bets na cidade de São Paulo gera articulação de clubes

A tramitação de um projeto de lei que prevê a proibição a publicidade de bets em eventos esportivos na cidade de São Paulo iniciou uma articulação entre os clubes da capital, preocupados com o impacto da proposta em suas receitas.

ge — Futebol · 2026-08-25T14:47:00.000Z

A tramitação de um projeto de lei que prevê a proibição a publicidade de bets em eventos esportivos na cidade de São Paulo iniciou uma articulação entre os clubes da capital, preocupados com o impacto da proposta em suas receitas.

Estima-se que Corinthians, Palmeiras e São Paulo recebam cerca de R$ 350 milhões fixos por ano só com os patrocínios master em suas camisetas. Esse valor pode ir além com bônus, premiações e a exposição de marcas nas placas de campo, por exemplo.

O projeto, do vereador João Jorge (MDB), está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara de São Paulo. Nesta semana, recebeu parecer favorável à sua legalidade e avançou.

Camisa do Corinthians

O texto estabelece a proibição a “eventos organizados por entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, amadores ou profissionais, realizados no Município de São Paulo, em espaços públicos ou privados” e que ela se aplica a, “no mínimo”, placas, faixas e painéis em praças esportivas. As penas previstas vão de multa de R$ 50 mil ao veto de realizar eventos por dois anos.

Nos últimos anos, as empresas de apostas esportivas se tornaram os principais parceiros publicitários dos clubes, o que elevou de significativamente os valores pagos pela exposição nos uniformes.

Até 2023, o Corinthians tinha um contrato fixo de R$ 17 milhões anuais com uma farmacêutica. Hoje, uma bet paga R$ 150 milhões, além de bônus por metas.

O vereador justifica seu projeto pelo impacto das bets na renda das famílias, especialmente as mais pobres, que têm comprometido parte de suas receitas com as apostas.

Camisa do Palmeiras no Maracanã

Cesar Greco / Palmeiras

– Não se pode deixar de citar, outrossim, situações de endividamento, conflitos familiares e desestruturação emocional oriundos do vício em apostas, situação que demanda resposta firme e preventiva por parte do Poder Público – afirma, na proposta.

O parecer favorável da CCJ da Câmara, nesta semana, gerou uma reação. Os clubes, assim como a Federação Paulista de Futebol, iniciaram uma articulação para acompanhar a tramitação do projeto. Houve uma reunião entre representantes na última sexta.

O ge apurou que o tema também foi tratado em um encontro recente entre um dirigente de clube paulistano e o prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Entre os cartolas, o temor é de que restrições que se apliquem apenas à capital gerem desvantagem em relação aos rivais nacionais – hoje, o Flamengo tem o maior patrocínio de camisa da história do país, R$ 268,5 milhões pago por uma bet.

Sabino e Pablo Maia posam com nova camisa número 3 do São Paulo

– Se os clubes da cidade de São Paulo perderem as receitas das marcas de apostas, uma de suas principais fontes de faturamento, enquanto adversários de outros estados puderem mantê-la, haverá uma disparidade que chegará ao campo – disse o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos.

– Uma regra restrita à capital paulista vai enfraquecer os clubes diante de concorrentes nacionais e internacionais e comprometer, de maneira direta, a capacidade de disputar títulos – concluiu.

A preocupação se justifica, segundo especialistas.

– É possível que equipes profissionais de cidades que não restrinjam esse tipo de publicidade passem a contar com alguma vantagem competitiva, sobretudo em razão da relevância que tais contratos representam para os clubes atualmente – analisou o advogado Pedro Lopes.

– A lei terá um impacto negativo nas contas dos clubes de forma bem ampla, considerando o nível de envolvimento das bets com o patrocínio do futebol no Brasil neste momento – afirmou o economista Moises Assayag.

O risco é gerar uma reação em cadeia, completou ele.

– Sempre haverá substitutos (a ocupar o espaço nas camisas), mas a dúvida é se haverá substitutos com o apetite de mercado que as bets têm atualmente. Além disso, o mero fato de três camisas relevantes estarem ao mesmo tempo disponíveis já ajuda a depreciar os valores em negociação com novos potenciais patrocinadores.

A proibição de publicidade de bets tem sido debatida também no Congresso Nacional, onde tramitam projetos semelhantes. Na quinta-feira, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), assinou decreto que proíbe propaganda dessas empresas em equipamentos estaduais – inclusive os concedidos à iniciativa privada, como o Mineirão.

O ge procurou Corinthians, Palmeiras e São Paulo, mas os clubes não se manifestaram.

Leia no Itatiba1 →