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'Em nenhum momento, ela se preocupou', diz mãe de criança morta por picada de escorpião sobre médica denunciada pelo MP

Mãe de criança morta por picada de escorpião fala sobre médica denunciada pelo MP

G1 — Brasil · 2026-08-25T15:34:52.000Z

Mãe de criança morta por picada de escorpião fala sobre médica denunciada pelo MP

A mãe de Jamily Vitória Duarte, criança de cinco anos que morreu após ser picada por um escorpião em agosto de 2023, em Piracicaba (SP), falou sobre a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra a médica responsável pelo atendimento da menina em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade.

A profissional, que não teve o nome divulgado, foi denunciada à Justiça pelos crimes de homicídio culposo e falsidade ideológica.

Segundo o MP, a acusação de homicídio culposo se dá por negligência e falta de preparo da médica (imperícia e inobservância de regra técnica da profissão).

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Já o crime de falsidade ideológica foi apontado pela inserção de uma declaração falsa no prontuário médico da vítima, em que a médica descreveu que prescreveu soro antiescorpiônico para a criança.

A auxiliar de limpeza Patricia das Graças Adriana Duarte, mãe de Jamily, relembrou os momentos da tentativa de socorro da filha e criticou a conduta da médica.

"Foi um momento de terror que passei com ela. Minha filha estava morta viva. Em nenhum momento, ela [médica] se preocupou em querer fazer algo. Com as palavras dela, ela falou para mim que não ia poder socorrer porque ali não tinha o soro, e tinha o soro."

Patricia das Graças Adriana Duarte, mãe de Jamily, criança morta por picada de escorpião em Piracicaba

Edijan Del Santo/EPTV

Patrícia também destacou como convive com a dor da perda da filha nos últimos anos e pediu celeridade à Justiça.

"Não estão sendo fáceis esses três anos. A gente não tem o luto porque sempre está voltando no assunto. Infelizmente, não sei por que a demora. Já foram feitas duas perícias, já viu que foi negligência médica. Quero justiça pelo que fizeram com ela e com minha família."

João Mazzi Bruno, advogado da mãe da criança, afirmou que a denúncia demonstra que houve erros na conduta dos profissionais.

"Ficou mais caracterizado ainda que houve equívocos profissionais, uma tentativa de burlar documentação. Não teria motivo de burlar nenhuma documentação se não tivesse erro."

O g1 e a EPTV, afiliada da TV Globo, não conseguiram localizar a defesa da médica.

Jamily Vitória Duarte, de 5 anos, morreu após ser picada por escorpião em Piracicaba (SP)

Tentativa de evitar processo criminal

A denúncia foi fundamentada em um laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Piracicaba e nas investigações policiais, que foram finalizadas em 23 de junho de 2026, dois anos e 10 meses após a morte da criança.

O MP informou que não pediu a responsabilização criminal por parte da Organização Social de Saúde (OSS) Hospital Mahatma Gandhi, que administrava a unidade de saúde à época.

O Ministério Público ainda negou à médica um Acordo de Não Persecução Penal, mecanismo que poderia evitar a abertura de um processo criminal.

A decisão foi mantida pela Procuradoria-Geral de Justiça em 20 de agosto de 2026. Com isso, o caso seguirá na 3ª Vara Criminal de Piracicaba, ainda sem data para audiência de instrução e julgamento.

Ministério Público do Estado de São Paulo em Piracicaba

Jamily Vitória Duarte foi picada por um escorpião na noite de 11 de agosto de 2023 e faleceu na manhã do dia seguinte, após ser levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Cristina. A família da vítima alega que houve demora para que a criança recebesse o soro antiescorpiônico no local.

Em 2024, o caso foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Piracicaba, que recomendou à Polícia Civil a realização de exames grafotécnicos para apurar uma possível falsificação de assinatura no livro de retirada de medicamentos da unidade, além da análise de imagens para verificar relatos sobre a disponibilidade do soro no momento do atendimento.

Atualmente, a UPA Vila Cristina retornou para a administração direta da prefeitura municipal.

Criança morre após ser picada por escorpião em Piracicaba

Erro em perícia

Além do processo criminal, os familiares da vítima movem uma ação na esfera cível que busca a responsabilidade civil do caso e uma indenização.

Neste processo cível, o andamento foi marcado por um erro administrativo do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc).

Apesar de a Justiça ter determinado, em janeiro de 2025, que a perícia para avaliar os prontuários fosse exclusivamente documental e indireta, o Imesc realizou duas convocações para que a criança, falecida há três anos, comparecesse a exames presenciais.

O órgão admitiu uma inconsistência em seu sistema de automação de agendamentos, informou que abriu investigação interna para corrigir a falha e que o laudo documental está em fase de elaboração.

UPA da Vila Cristina, em Piracicaba

Toni Mendes/ EPTV

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