ITATIBA1

O que pensam empreendedores de SP indecisos sobre eleição? Veja na série 'Voto Pendular', do Jornal da Globo

Em busca do eleitor pendular: série mostra quem são os brasileiros que mudam de voto

G1 — Brasil · 2026-08-25T16:27:47.000Z

Em busca do eleitor pendular: série mostra quem são os brasileiros que mudam de voto

Eles abriram empresas para construir o próprio caminho, defendem o empreendedorismo e não querem um Estado ausente, mas sim capaz de oferecer serviços e criar políticas públicas eficientes. Ao mesmo tempo, dizem não encontrar um candidato que os represente completamente.

Esse é o perfil dos empreendedores ouvidos pelo Jornal da Globo na Zona Oeste de São Paulo no primeiro episódio de Voto Pendular, série que acompanha eleitores que mudaram de voto nas últimas eleições para entender o que pode influenciar suas escolhas em 2026.

Segundo a Quaest, os chamados eleitores independentes representam 32% do eleitorado brasileiro. São pessoas que mudaram de voto nas duas últimas eleições e não mantêm uma identificação permanente com um campo político.

A jornalista Renata Lo Prete e Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), passam por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador ao longo de quatro episódios.

A reportagem falou com três grupos de trabalhadores autônomos de SP:

entregadores de moto,

profissionais da beleza e

empreendedores da Zona Oeste.

Segundo Felipe Nunes, responsável pelas pesquisas da Quaest, o terceiro grupo, dos empreendedores da Zona Oeste, é dos dos chamados “liberais sociais”. São eleitores que, historicamente, votaram no PSDB e se posicionavam contra o PT. Em 2022, porém, mudaram de lado. “Essa mudança traz hoje a pergunta crucial. O que vai acontecer em 2026?”, afirmou.

Os entrevistados são os administradores Alex Appel, Lucas de Lima Neto, e Renatta de Souza Hülse.

Os chamados 'liberais sociais' defendem um Estado regulador e que olhe para o pequeno e médio empresário. Da esquerda para a direita: Alex Appel, Lucas de Lima Neto, e Renatta de Souza Hülse.

Empreender não significa querer um Estado ausente

Alex Appel explica que muitos empresários começam um negócio justamente para ter mais autonomia e se afastar da política. Mas, segundo ele, essa relação muda conforme a empresa cresce.

“Muitos empreendedores escolhem virar empreendedores justamente para não se envolver tanto com política, para não precisar ser políticos.”

O problema é que, quando o negócio ganha escala, a influência das decisões do poder público se torna mais evidente. “Quando a empresa vai bem e cresce, muito rapidamente a gente percebe que as empresas dependem de um Estado que cria políticas públicas eficientes.”

Para Alex, participar das eleições é uma maneira de escolher os governos responsáveis por essas políticas. "Acho que o voto é importante para definir um governo que vai apoiar empresas geradoras de emprego, inovação e tudo mais.”

A ideia de que o Estado deve participar da economia, mas não necessariamente ocupar todos os espaços, também aparece na fala de Lucas de Lima Neto.

“Para mim, o Estado tem que ser um Estado que mais regula do que faz. Não acho que o Estado tem que sair de tudo.”

Infográfico - Voto pendular: série do JG mostra quem são os eleitores independentes em São Paulo.

Ele cita a educação como exemplo de uma área em que a presença do poder público seria indispensável.

“É o Estado que vai colocar uma escola em um rincão qualquer. Porque, obviamente, a iniciativa privada não vai ter interesse nisso, o que é legítimo. Então o Estado tem que entrar aí.”

Renatta de Souza Hülse resumiu a visão do grupo como uma combinação entre serviços públicos e iniciativa privada. “Educação, saúde, segurança, coisas básicas. O Estado dá esse suporte e regula. Depois traz a iniciativa privada para construir junto uma prosperidade, um plano coletivo.”

A empresária Renatta disse que pretende votar, mas não se sente representada diretamente por nenhum dos candidatos.

'Não tem ninguém que me represente de verdade’

A defesa de um Estado capaz de oferecer serviços e criar condições para o desenvolvimento dos negócios, porém, não significa identificação automática com os candidatos.

Os entrevistados afirmaram que pretendem votar, mas demonstraram dificuldade para encontrar uma opção que represente suas ideias.

“Não tem ninguém que me represente de verdade. Honestamente, eu acho que vai ser uma escolha pelo menos pior neste ano”, afirmou Renatta.

Alex também disse não ter entusiasmo com os nomes colocados na disputa. “Não morro de amores por ninguém.”

Lucas foi direto ao descrever o dilema: “Essa é uma das conclusões mais trágicas. Mas é o que a gente está vivendo, sendo muito sincero.”

Apesar da falta de identificação, ele não pretende deixar de votar. “No primeiro turno eu vou votar em quem mais representa o que eu penso. No segundo turno eu vou votar no menos pior. Não vou anular meu voto, tenho que votar em alguém.”

Para ele, a frustração com as opções políticas não é motivo suficiente para abandonar a participação eleitoral. “Não dá para se desmotivar. Aí seria fechar a porta e dizer tchau. Não é isso.”

Lucas não é mais obrigado a votar, mas para ele, a democracia é inegociável: 'Vivi a ditadura'

Democracia é ‘inegociável’

A relação com a política também passa pela defesa da democracia. Lucas viveu durante a ditadura militar e foi diretor de um centro acadêmico naquele período. Para ele, a experiência tornou a democracia um valor que não pode ser colocado em segundo plano.

“Vivi a ditadura. Eu era diretor de centro acadêmico na época da ditadura. Então, a questão democrática, para mim, é básica.” Questionado sobre o que considera inegociável, ele respondeu:

“A democracia. Ponto. Isso é totalmente inegociável.”

Alex também defendeu o regime democrático. “Não existe hoje um caminho melhor definido do que a democracia. Espero que a gente continue nesse caminho.”

A defesa da democracia aparece, portanto, ao lado de questões econômicas e sociais como um dos critérios que esses eleitores consideram importantes para a escolha.

Série do Jornal da Globo, 'Voto Pendular', começa por São Paulo para entender como empreendedores da capital paulista olham para as eleições de 2026.

Um eleitor em busca de representação

Para Nunes, os entrevistados da Zona Oeste representam um contingente relevante de eleitores das grandes cidades: pessoas que têm negócios próprios, estão economicamente ativas, já mudaram de posição política e continuam procurando uma alternativa que as convença.

“Existe um contingente que não é desprezível na sociedade brasileira que está vivendo exatamente o dilema que eles estão vivendo.” Segundo o pesquisador, são pessoas que “estão lutando pelo seu próprio negócio”, têm maior escolaridade e estão presentes principalmente nos grandes centros urbanos.

“Já votaram de uma maneira, já votaram de outra, estão engajados. Mas ainda estão em busca de um candidato que os motive.”

A questão central, segundo Nunes, é descobrir o que será capaz de decidir essa escolha. Entre os entrevistados, as respostas passam por economia, questões sociais, serviços públicos e, sobretudo, democracia.

O grupo mostra uma das características centrais apontadas na série Voto Pendular: mudar de voto não significa necessariamente abandonar convicções. Em alguns casos, significa justamente procurar, a cada eleição, um candidato que se aproxime mais delas.

Leia no Itatiba1 →