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Resort ligado à família Trump causa danos 'irreparáveis' a área natural na Albânia

Os trabalhos preparatórios realizados durante apenas alguns dias na área onde está sendo projetado um grande complexo hoteleiro ligado à família Trump já causaram danos "irreparáveis" à costa albanesa e colocaram suas paisagens e sua fauna…

G1 — Mundo · 2026-07-23T13:49:11.000Z

Os trabalhos preparatórios realizados durante apenas alguns dias na área onde está sendo projetado um grande complexo hoteleiro ligado à família Trump já causaram danos "irreparáveis" à costa albanesa e colocaram suas paisagens e sua fauna em risco, alertaram ONGs e cientistas.

"As escavadeiras nas praias já danificaram os locais de nidificação das tartarugas-cabeçudas, ameaçadas de extinção", denuncia o biólogo marinho Olsi Nika, à frente da ONG EcoAlbania.

Em imagens de satélite obtidas pela AFP, observa-se que, entre 5 e 30 de maio, uma estrada foi aberta, uma área inteira foi desmatada e uma ponte foi construída para atravessar o braço d'água que conecta o corpo d'água ao mar.

As dunas de Narta foram destruídas pelo traçado das vias de acesso, árvores foram derrubadas e concreto foi despejado nas áreas costeiras próximas, o que coloca em risco inúmeras espécies de aves.

"Um verdadeiro desastre para a biodiversidade", que afeta centenas de hectares, afirmou Nika, sustentando que as "intervenções em um canal essencial entre a lagoa e o mar alteraram gravemente as trocas de água indispensáveis para o equilíbrio das zonas úmidas".

Para Ferdinand Bego, professor da Universidade de Tirana, as mobilizações de manifestantes permitiram suspender os trabalhos de nivelamento do terreno, mas os "danos causados antes da construção, em termos de patrimônio, são em grande parte irreparáveis".

O posicionamento foi respaldado pelo professor Friedrich Schiemer, da Universidade de Viena, que visitou o local em junho. Segundo ele, é urgente limitar as perdas neste delta, afirmando que projetos de desenvolvimento turístico em grande escala poderiam "comprometer de maneira irreversível sua integridade natural".

Associações ambientalistas alertaram de forma reiterada sobre o projeto, citado pela primeira vez em 2024 por Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como uma iniciativa para construir hotéis de luxo em meio a colônias de flamingos e em uma ilha desabitada.

O projeto tem um custo superior a 4,5 bilhões de euros (26 bilhões de reais, na cotação atual), e gerou indignação há seis semanas, quando cercas de arame farpado foram colocadas para delimitar o complexo.

O governo do primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, no poder há 13 anos, defende o "projeto mais bonito da Europa", a chegada de capitais internacionais e a transformação do turismo albanês em um setor de categoria superior.

- Apoio de Dua Lipa -

Em meados de junho, um grupo de cientistas foi ao local para avaliar os possíveis danos causados pelos trabalhos preparatórios.

Em uma declaração publicada após a visita, eles citaram danificações "aos habitats de nidificação da tartaruga?cabeçuda pelo uso de maquinário pesado ao longo das praias de Dajlan e Portonova", bem como "as intervenções no canal de Portonova, suscetíveis de modificar a troca natural de água entre a lagoa e o mar".

Também destacaram "uma perturbação maior das espécies de aves que dependem da área para se alimentar, descansar e se reproduzir".

Os opositores ao projeto receberam o apoio significativo da estrela do pop britânica de origem kosovar Dua Lipa.

A cantora afirmou em seu podcast a preocupação em relação às condições em que as autoridades concederam a licença de construção, depois que a lei foi modificada para isso em 2024.

A União Europeia, à qual a Albânia espera aderir em 2030, também interveio para recordar as negociações em curso relativas a um capítulo que cita o meio ambiente e a mudança climática.

"Mesmo antes do início destes protestos, havíamos acordado com a Albânia que as modificações de 2024 na lei sobre áreas protegidas e na lei sobre investimentos estratégicos seriam revogadas" durante o ano, declarou em julho a comissária europeia de Ampliação, Marta Kos.

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