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'Madrinha da Cidade Alta' é presa no Complexo de Israel
G1 — Brasil · 2026-08-25T19:26:46.000Z
'Madrinha da Cidade Alta' é presa no Complexo de Israel
Aos 32 anos, Luana Rosa de Araújo, conhecida como “Madrinha”, é apontada pela polícia como uma das principais figuras da estrutura do Terceiro Comando Puro (TCP) na Baixada Fluminense e na Zona Norte do Rio. Segundo as investigações, ela atua como uma espécie de braço direito do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, uma das principais lideranças da facção.
A polícia afirma que ela ganhou espaço dentro da organização criminosa e passou a exercer funções de confiança de Peixão. Um dos símbolos dessa relação seria um fuzil cor-de-rosa que, segundo os investigadores, teria sido entregue a ela pelo traficante.
De acordo com as investigações, a influência de Luana vai além da Cidade Alta, em Cordovil, onde é conhecida pelo apelido de “Madrinha”. Ela também teria funções de gerência em Parada de Lucas e, na Baixada Fluminense, seria responsável pelo tráfico em Imbariê e na comunidade do Massapê, em Duque de Caxias.
Luana Rosa de Araújo
Luana foi presa em casa, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. Contra ela havia dois mandados de prisão por homicídio e dois por tráfico de drogas.
Durante o cumprimento da operação, os agentes também encontraram anotações que, segundo a polícia, seriam relacionadas à contabilidade do tráfico. Por isso, ela também foi presa em flagrante por associação para o tráfico.
Expulsão de moradores
Entre as acusações contra Luana está a participação na expulsão de moradores de um condomínio do programa Minha Casa, Minha Vida, na região do Massapê.
Segundo a polícia, imóveis de moradores teriam sido tomados para serem usados pelo tráfico como pontos de venda de drogas e locais para esconder criminosos e materiais da facção.
A atuação atribuída a ela, portanto, não estaria restrita à venda de drogas. As investigações apontam que Luana teria participado do controle territorial exercido pelo grupo criminoso sobre comunidades e conjuntos habitacionais da região.
‘Madrinha da Cidade Alta’, presa apontada como braço direito do traficante Peixão responde por homicídios e expulsão de moradores
Luana também é investigada por envolvimento em ataques contra ônibus em Duque de Caxias. Segundo a polícia, ela teria participação na determinação de ações criminosas usadas para demonstrar força e controle territorial da facção.
Operação quer desarticular TCP
As polícias Civil e Militar iniciaram nesta terça-feira (25) uma operação conjunta contra integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) que atuam no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A ação é resultado de investigações da 38ª DP (Brás de Pina) e tem como objetivo cumprir dezenas de mandados de prisão contra alvos envolvidos em diferentes crimes.
As diligências ocorrem nas comunidades Cinco Bocas, Pica-Pau, Cidade Alta, Parada de Lucas e Vigário Geral. Criminosos atravessaram veículos em chamas em ruas internas para dificultar o avanço das equipes.
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Criminosos atearam fogo a veículos nos acessos a Vigário Geral
Segundo a Polícia Civil, a investigação reuniu informações de diferentes ocorrências apuradas ao longo de meses de trabalho de inteligência.
Segundo as forças de segurança, o objetivo é atingir a estrutura do TCP, retirar integrantes da facção das ruas e enfraquecer sua atuação na região.
A ofensiva desta terça ocorre após uma série de operações realizadas no Complexo de Israel nos últimos dias. Na segunda (24), em represália, criminosos atearam fogo a 4 caminhões e fecharam a Avenida Brasil em Vigário Geral e em Coelho Neto. A via expressa ficou cerca de 1 hora interditada.
De acordo com o governo do RJ, os investigadores realizaram análise de dados, cruzamento de informações, diligências de campo e coleta de provas e de depoimentos. O trabalho permitiu identificar a atuação de diversos integrantes da organização criminosa e a participação de cada um nos crimes investigados.
BAC apreendeu grande quantidade de drogas e réplicas de metralhadoras
Escalada de operações
Na sexta-feira (21), a PM iniciou, pela Cidade Alta, a 1ª fase da ocupação do conjunto de favelas. Houve intenso tiroteio na chegada das equipes, e a Avenida Brasil chegou a ser fechada preventivamente. Os policiais localizaram barricadas e veículos com explosivos, que, segundo a corporação, seriam usados contra as forças de segurança.
Na ocasião, um motorista de ônibus foi atingido por uma bala perdida e levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas. A PM informou ainda que um homem morreu em confronto e que um fuzil e uma pistola foram apreendidos.
Já na madrugada de segunda-feira (24), a corporação deu início à 2ª fase da ocupação, desta vez em Vigário Geral e Parada de Lucas. Também houve troca de tiros e interdição temporária da Avenida Brasil, da Linha Vermelha e da Rodovia Washington Luís.
Horas depois, grupos incendiaram caminhões na Avenida Brasil, fechando ambos os sentidos da via. Segundo a PM, 4 homens foram presos.
Ainda na segunda-feira, imagens obtidas pela TV Globo mostraram homens com fuzis dentro de uma unidade da Águas do Rio, na Pavuna. Segundo relatos, eles teriam buscado refúgio no local após a operação policial no Complexo de Israel.
As ações de sexta e segunda-feira também afetaram serviços públicos. Segundo as secretarias municipais de Educação e Saúde, escolas e unidades de atendimento tiveram o funcionamento alterado durante as operações, e linhas de ônibus precisaram mudar o itinerário na região.
Operação conjunta mira integrantes do TCP no Complexo de Israel