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‘Quem faz a feira-livre acontecer?’: histórias de trabalho, amizade e tradição atravessam gerações entre comerciantes e clientes em Rio Preto

Dia do Feirante: a rotina de quem acorda de madrugada e faz da banca uma história de vida

G1 — Brasil · 2026-08-25T20:21:29.000Z

Dia do Feirante: a rotina de quem acorda de madrugada e faz da banca uma história de vida

Muito antes do sol nascer e dos moradores de São José do Rio Preto (SP) despertarem, Cleusa Venturim e Hidegair já estão de pé, às 3h10, a todo vapor para iniciar os trabalhos do dia. Há 43 anos, o casal de feirantes compartilha a mesma rotina: renovar as bancas de hortifrúti e atender a população com um sorriso no rosto.

A primeira parada é na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais (Ceasa), localizada no Distrito Industrial. Em um espaço de 231 mil metros quadrados, os dois percorrem os galpões para selecionar alimentos que fizeram falta no dia anterior devido à alta procura dos clientes.

Feirante há 43 anos conta sobre processo por trás do trabalho

Com décadas de experiência, basta um olhar e o toque das mãos para Cleusa reconhecer as melhores frutas e verduras.

"A gente olha o que ficou faltando ontem, na hora que desmontamos a banca. Então, já marcamos para pegar certo hoje", explicou a mulher em entrevista à TV TEM.

Após repor os alimentos, Cleusa e Hidegair seguem com o carro carregado para a Rua Paulo dos Santos, onde montam a estrutura no Bairro São Manuel. Aos poucos, a rua se transforma em uma grande feira livre.

Casal participa de feira há 43 anos no noroeste de SP

Relação de amizade

Para muitas pessoas, ir à feira é uma atividade quase obrigatória. As feiras livres desempenham um papel importante na comercialização de alimentos, especialmente de produtos agrícolas. Elas diminuem a distância entre quem produz e quem compra, criando uma relação de proximidade e confiança entre feirantes e clientes.

A cuidadora Ednéia da Silva sempre marca presença na feira do bairro em que Cleusa montou sua barraquinha e já desenvolveu uma relação de amizade com os feirantes.

Feira cria vínculos entre clientes e vendedores no interior de SP

“Já faz muito tempo que conheço. Ela [dona Cleusa] é um amor de pessoa, atende todo mundo desse jeito. É uma alegria, de todas as coisas que tem aqui na feira, é o que a gente mais precisa no dia a dia”, ressaltou Ednéia.

Debaixo das tendas

Atualmente, São José do Rio Preto conta com 32 feiras livres e aproximadamente 1.000 trabalhadores, entre feirantes e auxiliares.

Nesta terça-feira (25), Dia do Feirante, a história de Fabiano Lourenção é outro exemplo dessa tradição. Ele vende hortaliças e temperos no bairro Vila Imperial. Sua rotina começa às 4h, produzindo na própria horta: ele planta, irriga, colhe, separa, entrega para clientes fixos e monta sua banca.

“Fui criado debaixo da banca, literalmente. Meu pai colocava as caixas, nós [Fabiano e os irmãos] dormíamos lá enquanto ele anunciava e pegava as mercadorias; sempre estivemos juntos. A gente só está acompanhando o que ele fez. Hoje, estou com mais de 30 anos de experiência na feira. A feira é minha vida”, contou Lourenção.

Produtor e feirante há 30 anos, Fabiano Lourenção conta sobre os laços desenvolvidos no comércio

Guido Lourenção, pai de Fabiano, é a prova de que a vocação vem de família. Após sofrer um acidente de caminhão, o homem decidiu virar feirante e inspirou os três filhos a seguirem o mesmo caminho. Para Fabiano, além do sustento, o maior ganho é o companheirismo.

Feira vira negócio de família em Rio Preto (SP)

Anos depois, Guido decidiu produzir os alimentos que vendia e o modelo de negócios agradou os clientes. Hoje, Fabiano e os dois irmãos trabalham na mesma banca em uma das feiras livres da cidade. Às vezes, eles contam com a companhia e a ajuda do pai na comercialização dos produtos cultivados pela família.

"Ó, ganhar dinheiro lá [na feira] a gente não ganha muito não, mas o que a gente dá de risada. A gente é muito parceiro. A gente fez umas amizades que hoje não é tanta amizade, parecendo mais um parentesco, irmãos mesmo. É uma família lá. A gente se ajuda, a gente quando tá com dificuldade, alguma coisa a gente vai lá, ajuda", finaliza Fabiano.

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