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Cuiabá recebe punição administrativa da FIFA, por dívida com ex-técnico Petit
ge — Futebol · 2026-08-25T20:54:16.000Z
Cuiabá recebe punição administrativa da FIFA, por dívida com ex-técnico Petit
A dívida que levou o Cuiabá a sofrer transfer ban da FIFA envolve o técnico Petit, que comandou o time em 2024. A pendência é de aproximadamente R$ 4 milhões.
Em entrevista ao ge, o presidente Cristiano Dresch explicou os bastidores da saída do treinador. Segundo ele, Petit pediu demissão durante a reapresentação do elenco após derrota para o Palmeiras, mas voltou ao clube no dia seguinte e negou que tivesse deixado o cargo.
— Pediu demissão na segunda-feira. Ele já vinha vários dias cabisbaixo dentro do clube por conta da fase ruim. Vinha reclamando que estava com dificuldade de se adaptar com a logística do futebol brasileiro, a distância de casa. Foi a primeira vez que Petit saiu de Portugal para treinar uma equipe, ele se queixava com os atletas também.
— Na reapresentação do elenco citou todos os problemas pessoais. Ele saiu da minha sala e se despediu de vários atletas, e foi para casa. Eu, por um erro, devia ter feito ele assinar a demissão naquele momento. No outro dia ele reapareceu no clube dizendo que não tinha pedido demissão.
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O Cuiabá anunciou a saída de Petit e efetivou Bernardo Franco. Dresch afirmou que o clube já esperava uma disputa judicial e que jogadores que estavam no elenco poderiam confirmar a versão apresentada pela diretoria.
— Infelizmente, uma das maiores sacanagens que eu já vi e que o Cuiabá já sofreu, ele entrou na FIFA ganhou a ação, a gente já tinha sido condenado a um ano atrás. Fizemos um acordo com ele para renegociar e não conseguimos cumprir o acordo.
Presidente do Cuiabá - Cristiano Dresch
Dresch disse que precisará recorrer a recursos próprios e dos sócios para quitar a pendência. Petit foi procurado pela reportagem do ge para comentar as declarações de Cristiano Dresch, mas não respondeu ao contato.
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Corinthians e Santos
Além da dívida que gerou o transfer ban, Dresch citou clubes que ainda precisam pagar valores ao Cuiabá. Entre eles está o Corinthians, que tem uma dívida referente à venda do volante Raniele pelo clube mato-grossense.
— Chegou no dia 17 de julho, o Corinthians não tinha 800 mil reais para pagar o Cuiabá, não pagou até hoje, o Corinthians não contratou ninguém na janela, renovou contrato absurdo com o Memphis e o Cuiabá não recebeu.
Dresch também afirmou que o Santos deve R$ 18 milhões ao Cuiabá. Segundo o presidente, o caso está em análise na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas).
— Se o Santos me pagasse... o Santos deve 18 milhões para o Cuiabá, isso está sendo julgado, a gente está em cima da CNRD para julgar, e eu tenho certeza que o Santos não tem uma saída a não ser a recuperação judicial. E se acontecer, esse crédito de 18 milhões se transforma para 3 milhões, 2 milhões.
Na sequência, Dresch criticou os gastos do Santos com o elenco e citou Neymar. A dívida do clube paulista com o time mato-grossense é referente à compra do zagueiro Joaquim.
— Tá lá com Neymar, Rollheiser, Barreal, Thaciano, Luan Peres, o que o Santos paga para o Neymar, deve dar para pagar a folha do Cuiabá uns 5 ou 6 meses, é um absurdo e está devendo 18 milhões. O Santos jamais poderia ter um jogador como Neymar devendo o Cuiabá.
Joaquim durante treino do Santos
Raul Baretta/ Santos FC
Além de Corinthians e Santos, Dresch citou Grêmio, Avaí, Paysandu e Vitória entre os clubes que possuem valores pendentes com o Cuiabá. O Atlético-MG é outro clube que segue com pendências com a equipe mato-grossense.
O ge procurou todos os clubes para comentar as declarações do presidente e os valores citados. O Grêmio informou que não comenta processos no âmbito da CNRD, assim como o Santos.
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Contas em dia
Apesar das dívidas a receber, Dresch afirmou que o Cuiabá mantém os compromissos com o elenco em dia. Ele citou as negociações de Derik para o Japão e Aiyran para o Flamengo como importantes para o caixa do clube.
— O Cuiabá graças a Deus, vendemos o Derik Lacersa para o Japão, o Aiyran para o Flamengo, esse dinheiro nos salvou. Salário em dias, imagem dias, as contas estão em dia.
Dresch voltou a criticar o cenário de inadimplência entre clubes brasileiros e minimizou o impacto do transfer ban no Cuiabá na janela de transferências.
— O caloteiro no Brasil é incentivado. Não vale a pena honrar os compromissos, porque quem não honra acaba sendo beneficiado. O impacto é de imagem, é um clube sério como o Cuiabá ter que passar por isso. Já encerramos a janela de transferência e acabamos de contratar um goleiro. Estamos com o elenco fechado e não temos uma carência dentro do elenco — finalizou o presidente.
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Gilvan de Souza / CRF
Colaboraram: Ana Canhedo, Eduardo Moura, Yago Rudá.
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