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Agrônomo cria 'marketplace' de aluguel de máquinas agrícolas e fatura R$ 5 milhões por ano

Agro sob demanda: plataforma conecta máquinas paradas a produtores rurais

G1 — Brasil · 2026-08-26T05:00:41.000Z

Agro sob demanda: plataforma conecta máquinas paradas a produtores rurais

Uma colheitadeira nova pode custar cerca de R$ 2 milhões. Para muitos produtores rurais, especialmente os de pequeno e médio porte, esse investimento está longe da realidade.

Ainda assim, em determinados momentos da safra, ficar sem o equipamento pode significar prejuízos consideráveis.

Foi a partir dessa necessidade que o agrônomo Werther Ferreira, de Uberlândia (MG), decidiu criar uma plataforma digital de aluguel de máquinas agrícolas.

A proposta é simples: conectar quem tem equipamentos parados durante parte do ano a produtores que precisam de máquinas por um período específico.

"O custo das máquinas aumenta a cada atualização tecnológica, mas elas trabalham apenas em pequenas janelas de tempo e passam muitos meses paradas. Nossa ideia foi justamente aumentar a utilização desses ativos", afirma o empreendedor.

O negócio começou com um investimento inicial de R$ 100 mil e hoje atende produtores em todo o país. A plataforma reúne cerca de 3 mil máquinas cadastradas, além de mais de 1.200 produtores rurais e 1.500 prestadores de serviço.

Tecnologia para reduzir custos

A plataforma funciona como um marketplace voltado ao agronegócio. Por meio do aplicativo, o produtor informa a sua necessidade e recebe opções de equipamentos adequados para cada operação.

Segundo Ferreira, é possível contratar praticamente todas as atividades realizadas dentro da propriedade rural.

"Conseguimos atender desde o preparo do solo até plantio, pulverização, colheita e transporte interno de grãos. Em alguns casos, o produtor consegue operar sem precisar ter uma única máquina própria", diz.

Além da locação, a empresa oferece suporte humano para avaliar as necessidades de cada cliente. A combinação entre tecnologia e atendimento personalizado busca reduzir erros na contratação e garantir que a máquina escolhida seja adequada para a operação.

Plataforma de aluguel de máquinas fatura R$ 5 milhões

Ganho para os dois lados

O modelo beneficia tanto quem precisa do equipamento quanto quem o disponibiliza. Para o produtor que contrata o serviço, a principal vantagem é evitar a compra de máquinas de alto valor, além dos custos com manutenção, seguro, operadores e depreciação.

Já para os proprietários dos equipamentos, a plataforma representa uma oportunidade de monetizar bens que ficariam parados durante parte do ano.

A empresa monetiza por meio de uma comissão sobre as transações realizadas, com taxas que variam entre 5% e 15%, dependendo do tamanho e da complexidade de cada operação.

Cliente encontrou solução para prejuízos

Entre os usuários da plataforma está o produtor rural Laerte Neto, cliente desde 2022. Em uma fazenda de cerca de 700 hectares, ele estima que seu parque de máquinas valha entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões. Mesmo assim, havia uma lacuna importante na operação.

"Eu não tinha colheitadeira própria e estava enfrentando problemas com prestadores de serviço. Uma colheita mal executada chegou a gerar prejuízos de cerca de R$ 400 por hectare", conta.

Foi nesse momento que conheceu a plataforma. "A solução apareceu rapidamente. Conheci um parceiro por meio do aplicativo, fizemos uma safra juntos e o resultado foi excelente. A parceria continua até hoje."

Com o tempo, Laerte passou a utilizar o sistema dos dois lados. Além de contratar equipamentos, também disponibiliza máquinas da fazenda nos períodos em que elas ficam ociosas.

Plataforma de aluguel de máquinas fatura R$ 5 milhões

O novo perfil do produtor rural

Para Ferreira, a transformação do agronegócio brasileiro está diretamente ligada à profissionalização da gestão no campo.

"O fazendeiro virou produtor rural e hoje é um empresário rural. As propriedades passaram a ser encaradas como empresas, onde cada investimento precisa gerar retorno", afirma.

Nesse cenário, a locação tende a ganhar espaço. Em vez de imobilizar grandes volumes de capital em máquinas que serão utilizadas apenas em parte do ano, muitos produtores preferem direcionar recursos para outras áreas da operação.

A necessidade de eficiência também é impulsionada por fatores como mudanças climáticas e janelas cada vez mais curtas para plantio e colheita.

"A cada dia que o produtor deixa de plantar, ele pode perder produtividade. Por isso, garantir acesso rápido aos equipamentos certos faz muita diferença no resultado final da safra", diz o empreendedor.

Atualmente, a empresa atua em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar, café e reflorestamento. Em 2025, realizou cerca de 250 operações e projeta chegar a 350 na próxima safra.

Com faturamento anual de aproximadamente R$ 5 milhões, a plataforma também avalia oportunidades de expansão para outros mercados agrícolas.

Para Ferreira, o avanço da digitalização no campo abre espaço para novas soluções tecnológicas. "Empreender no agro é fantástico. Não é fácil. É um dia por vez, um ano por vez, uma safra por vez. Mas o setor oferece muitas oportunidades para quem entende os problemas do produtor e consegue criar soluções para eles."

Afinal, em um mercado onde tecnologia e produtividade caminham juntas, nem sempre a melhor estratégia é comprar. Em muitos casos, o futuro do campo pode estar justamente no compartilhamento de máquinas que já existem.

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