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Trump obtém vitória na Suprema Corte dos EUA sobre restrições ao voto pelo correio
G1 — Mundo · 2026-08-26T05:00:21.000Z
Trump obtém vitória na Suprema Corte dos EUA sobre restrições ao voto pelo correio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido restrições ao voto pelo correio e afirma que o sistema é suscetível a fraudes. Mas o próprio Trump recorreu à modalidade em diferentes eleições, inclusive recentemente.
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Há pelo menos dois registros recentes de Trump votando pelo correio: nas eleições presidenciais de 2020 e nas primárias republicanas da Flórida, realizadas em março deste ano.
A escolha feita por Trump nas primárias deste ano chamou atenção porque ocorreu justamente no mesmo período em que o presidente intensificava a tentativa de restringir o uso do voto pelo correio nos Estados Unidos.
Em março, ele assinou um decreto para endurecer as regras para o voto por correspondência.
A medida prevê a criação de uma lista federal de cidadãos aptos a votar pelo correio, elaborada pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA e pela Administração da Seguridade Social.
Pelo decreto, as cédulas enviadas pelo correio só poderiam ser entregues a pessoas incluídas nesse cadastro.
Trump afirma que a medida visa impedir que pessoas sem cidadania americana votem nos Estados Unidos.
Alguns estados processaram o governo federal por causa do decreto. Os governos estaduais argumentam que a Constituição dos EUA atribui aos estados e ao Congresso, e não ao presidente, o poder de definir as regras eleitorais.
Na segunda-feira (24), em uma vitória para Trump, a Suprema Corte permitiu que o governo avance na disputa para restringir o voto pelo correio. Os ministros consideraram que era cedo demais para os estados questionarem o decreto de março.
A Corte derrubou a decisão de um juiz federal que havia suspendido o decreto de Trump para as eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.
Por outro lado, o Supremo não declarou que o decreto é constitucional nem determinou que as novas regras sejam aplicadas nas eleições de meio de mandato de novembro.
Ataques de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em comício no dia 21 de agosto de 2026
Trump passou a atacar de forma mais intensa o voto pelo correio depois das eleições presidenciais de 2020, quando foi derrotado pelo democrata Joe Biden.
Naquela época, o atual presidente afirmou, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral generalizada. Entre as alegações de Trump estava a de que o voto pelo correio teria contribuído para adulterar o resultado da votação.
Agora, Trump quer limitar quem tem acesso ao recurso. Na semana passada, inclusive, a Casa Branca defendeu que o próprio presidente tem direito a usar o voto pelo correio.
"Como o presidente Trump afirmou, a Lei SAVE America prevê exceções de bom senso para que os americanos usem o voto por correio em casos de doença, deficiência, serviço militar ou viagens", afirmou a porta-voz Olivia Wales.
"Mas o voto universal por correio não deve ser permitido porque é altamente suscetível a fraudes."
Impacto nas eleições
Funcionários eleitorais separam cédulas de voto por correio no escritório do Supervisor de Eleições do Condado de Miami-Dade para as eleições primárias da Flórida, em 18 de agosto de 2026
AP Photo/Lynne Sladky
As novas regras impostas por Trump exigem, entre outras mudanças, um formato específico para os envelopes que contêm as cédulas enviadas pelo correio.
Os estados também teriam de usar um sistema eletrônico para informar ao Serviço Postal quem está autorizado a votar dessa forma. Se não cumprirem as exigências, as cédulas não seriam enviadas.
O problema está no prazo para fazer as mudanças a tempo das eleições de novembro. Críticos da medida afirmam que seria impossível implementar alterações tão amplas a poucas semanas do início do processo eleitoral.
Na Califórnia, por exemplo, algumas cédulas começarão a ser enviadas em poucos dias, e autoridades eleitorais afirmam que os envelopes já foram impressos.
Já em Nevada, onde todos os eleitores registrados recebem uma cédula pelo correio autoridades afirmaram que o Serviço Postal já havia entregue dezenas de cédulas.
Além disso, dados apontam que os eleitores democratas — que costumam se opor a Trump — são mais propensos a usar o voto pelo correio do que os republicanos.
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