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Com repasse federal de R$ 720 mil por ano, Cerest de Sorocaba acumula queixas de trabalhadores

Trabalhadores lesionados e ou adoecidos reclamam do serviço oferecido pelo Cerest em Sorocaba (SP)

G1 — Brasil · 2026-08-26T10:29:38.000Z

Trabalhadores lesionados e ou adoecidos reclamam do serviço oferecido pelo Cerest em Sorocaba (SP)

Google Street View/Reprodução

Trabalhadores lesionados e doentes reclamam de uma série de irregularidades nos atendimentos prestados pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Sorocaba (SP). As principais queixas envolvem a recusa na emissão de documentos essenciais e falta de transparência sobre o tempo de espera por atendimento.

A Prefeitura de Sorocaba diz que o Cerest da cidade é responsável 33 municípios e que a demanda prioritária de atendimento é de trabalhadores referenciados pela rede de serviços (leia mais abaixo).

Segundo os trabalhadores, o equipamento, mantido sob gestão da Secretaria Municipal da Saúde, promove um "apagão epidemiológico" ao deixar de registrar formalmente quem busca socorro no local. Relatos indicam que a fila por suporte chega a ultrapassar um ano.

Financiado com verbas federais específicas repassadas pelo Ministério da Saúde, que seria de R$ 60 mil mensais, o que equivale a R$ 720 mil por ano, o órgão local é responsável, por exemplo, por laudos e Comunicações de Acidente do Trabalho (CAT).

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A principal contestação dos usuários recai sobre o travamento na emissão da CAT. Diante do descumprimento frequente dessa obrigação legal por parte das empresas, cabe ao Cerest expedir o documento para que o profissional acidentado comprove a necessidade do auxílio-doença (B91) junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e garanta o afastamento remunerado.

A ausência desses relatórios, conforme os trabalhadores, inviabiliza as provas exigidas pelas perícias médicas federais. A consequência direta é o indeferimento em massa dos benefícios acidentários, situação que compromete a renda de famílias atingidas e superlotará o Poder Judiciário com ações trabalhistas e previdenciárias.

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Outro ponto alegado é o método de atendimento: ao buscar o serviço, o cidadão não recebe comprovante com número de protocolo. Eles dizem que, em vez de registro oficial, funcionários anotam nomes e telefones em papéis avulsos com a promessa de um retorno posterior. A prática, em tese, impede a comprovação de solicitação do serviço público e oculta a duração real do tempo de espera.

Na região de Sorocaba, a média alcança 35 acidentes de trabalho diários. Somente no primeiro semestre de 2025, o município somou 6.037 ocorrências de agravos, representando um crescimento de 11,51% na comparação com o ano anterior.

Os trabalhadores alegam que a situação pode gerar subnotificação no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Sistema Único de Saúde (SUS). O vácuo estatístico prejudica o envio de recursos do Governo Federal para a saúde ocupacional do interior paulista e desestrutura o planejamento de políticas públicas.

Espera de mais de um ano e incertezas

Duas funcionárias que sofreram lesões durante a jornada em uma indústria buscaram o Cerest para requerer a CAT e relataram ao g1, sob condição de anonimato por receio de punições no emprego, que aguardam retorno há mais de 12 meses. Sem nenhum comprovante de comparecimento em mãos, uma delas recorreu à Ouvidoria da Prefeitura de Sorocaba, mas não obteve retorno.

“Eles só anotaram o meu telefone e disseram que avisariam. Até agora, não deram satisfação e eu estive lá umas três vezes para ouvir a mesma desculpa. Só falam que tem muito trabalhador esperando, mas também não informam quantos”, disse uma das acidentadas em entrevista ao g1.

A falta de providências da unidade obriga trabalhadores a permanecerem em atividades operacionais mesmo sob diagnóstico de incapacidade temporária.

“A gente fica nesse jogo de empurra. O médico falou que eu preciso me afastar para tratar dos meus problemas, mas nem isso adiantou eu contar. Tenho de continuar trabalhando mesmo sentindo dor”, desabafou a outra trabalhadora.

O que diz a Prefeitura

Questionada sobre a situação, a Prefeitura de Sorocaba afirmou que o Cerest Sorocaba é referência para 33 municípios com área de abrangência extensa e com uma diversidade de sistemas produtivos, polo industrial e agropecuário.

“A demanda prioritária de atendimento é de trabalhadores referenciados pela rede de serviços, adoecidos por acidentes de trabalho graves, trabalho infantil, trabalho análogo a escravidão, trabalhadores expostos a agrotóxicos, mercúrio, trabalho com gestantes, adoecimento em saúde mental, situações identificadas pela equipe nos atendimentos”. Lembra.

Alega que, com relação à Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), a abertura é feita conforme a legislação trabalhista CLT, com responsabilidade de notificação da empresa, bem como sindicatos da categoria, órgãos públicos e ou o próprio trabalhador e familiar se a empresa se recusar a emitir. “Após a abertura da CAT, o trabalhador recebe cópia do documento emitido pelo sistema e é orientado sobre sua disponibilidade no site no Meu INSS. O Cerest não realiza perícia médica e social para auxílio doença acidentários e benefícios do INSS.”

“Se o trabalhador apresentar todas as documentações comprobatórias é fornecido o laudo em três vias. O médico não pode emitir o laudo para a pessoa se não atender os critérios conforme os decretos 3.298 de 20/12/1999 e alterações art. 70; decreto 5.296 de 02/12/2004, Lei Brasileira de Inclusão 12764/2012, Estatuto da Pessoa com Deficiência Lei 13.146/2015 e instrução normativa SIT/TEM n 98 de 15/08/2012”, acrescenta.

Por fim, ressalta que “frequentemente trabalhadores estão com processos trabalhistas contra a empresa e querem reabertura de CAT e laudo PCD. De acordo com o Cerest não é possível realizar a reabertura para este fim”.

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