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Como o Corinthians usa dados e artigos científicos para moldar os jogadores do futuro

Corinthians divulga Núcleo de Inovação tecnológica em ciência do esporte do clube

ge — Futebol · 2026-08-26T13:02:39.000Z

Corinthians divulga Núcleo de Inovação tecnológica em ciência do esporte do clube

O Corinthians está transformando a rotina das categorias de base em um laboratório para a formação de jogadores de futebol.

A partir da coleta e análise de dados, do acompanhamento individualizado dos atletas e da sistematização dos processos de treinamento, os profissionais do Núcleo de Inovação Tecnológica em Ciências do Esporte criaram diretrizes para que o desenvolvimento físico, técnico e psicológico dos garotos tenham sequência desde as primeiras categorias até a chegada ao futebol profissional.

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O documento reúne métodos de trabalho de diferentes áreas, como preparação física, nutrição, fisiologia e odontologia, e estabelece parâmetros para o desenvolvimento dos jogadores.

A ideia é manter uma metodologia única em toda a categoria de base para que o clube tenha ciência de todas as informações dos garotos durante a formação como atleta.

O trabalho é desenvolvido por Arthur Plácido, coordenador de treinamento de força, Michael de Paula, fisiologista das categorias de base, e Walmir Cruz, coordenador de performance do Corinthians, que explica ao ge a importância para o desenvolvimento de futuros jogadores e para a imagem do clube no mercado.

— Inovação significa pesquisa, tecnologia significa futuro. O Corinthians está atento em tudoque acontece no Brasil e no mundo. Estamos capacitados para colocar as coisas boas aqui dentro do nosso mercado. Ter o foco na ciência do esporte é muito importante porque aspessoas vão te ter como exemplo. Vão ver o Corinthians fazendo determinados processos e avaliações e perguntar o motivo disso.

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Arthur Plácido, Walmir Cruz e Michael de Paula são os responsáveis pelo desenvolvimento de conhecimento científico no Corinthians

O funcionamento na prática

Os trabalhos das categorias de base do Corinthians são divididos em dois locais: Parque São Jorge e CT da base. Do sub-13 ao sub-20, todos os jogadores treinam no espaço físico localizado ao lado do CT Joaquim Grava, onde trabalham os profissionais do time masculino.

Periodicamente, os garotos do Timão são submetidos às mais diversas coletas de dados, como o uso diário do GPS nos treinamentos em campo, avaliações de força na academia e exames dos mais variados. Munidos com todas as informações sobre o desenvolvimento dos garotos, o Corinthians consegue criar trabalhos individualizados para aumentar a força, a agilidade ou qualquer outra característica que precise ser melhor trabalhada para o desenvolvimento de seus pupilos.

Documento criado na base do Corinthians para nortear trabalho de formação

— O atleta chega muito novo, quase como uma folha em branco, e nós vamos preenchendo essa folha ao longo do tempo. Nós os levamos para a sala de reunião e explicamos tudo o que vão realizar no clube para que entendam as ferramentas. Hoje, como temos grupos grandes, eles mesmos manuseiam os tablets, entram em seus perfis na academia, respondem aos questionários psicofisiológicos diários e acompanham as métricas. É um trabalho de conscientização para que criem pensamento crítico e entendam o porquê de cada processo — pontua o fisiologista Michael de Paula.

Os resultados dessa blindagem científica aparecem diretamente na folha de controle do departamento médico. Após registrarem apenas cinco lesões musculares na temporada anterior, o índice despencou ainda mais no último ano.

— Do sub-14 ao sub-20, nós tivemos apenas uma lesão de posterior de coxa e um estiramento de adutor. A partir do momento em que você vê um resultado positivo desses, com os garotos rendendo no campo e o número de lesões caindo drasticamente, os treinadores realmente passam a acreditar no processo de olhos fechados. Nós não montamos os treinos táticos, mas as comissões técnicas hoje confiam muito nas informações que passamos para dosar a intensidade dos trabalhos — destaca Walmir Cruz.

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Os próximos passos

O banco de dados gerado por essa rotina rigorosa de avaliações cardiorrespiratórias, de força e velocidade transformou o Corinthians em uma mina de ouro para a ciência esportiva. Atualmente, o Núcleo conta com seis artigos submetidos a revistas internacionais de alto impacto e outros dez em fase de produção.

— O primeiro artigo que escrevemos comparou a força isométrica entre diferentes categorias e posições de jogo. Vimos que existe uma diferença de força muito marcante a cada dois anos (do sub-15 para o sub-16, e deste para o sub-20). Isso é um achado muito interessante. No futebol de alto rendimento é muito difícil coletar dados, a maioria dos estudos científicos é feita com atletas amadores ou de nível moderado. Com as nossas publicações, outros clubes do mundo poderão olhar nossos trabalhos e entender se esses modelos geram as mesmas respostas com atletas de elite — afirma Arthur Plácido.

As publicações, caso aprovadas, servirão como um ponto de partida do posicionamento do Corinthians não apenas como formador de atletas, mas também como gerador de conhecimento e de pesquisa científica.

Entrada do CT das categorias de base no Corinthians

— A ciência do esporte muda muito rápido e nós estamos atentos a tudo o que acontece no mundo para trazer o que há de melhor para cá. Quando começarmos a publicar esses artigos em série, será muito bom para a imagem do Corinthians. Mostraremos que trabalhamos com a realidade científica do futebol de base, e serviremos de referência para que outros clubes também possam aplicar esses métodos."

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