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Indígena tira certidão de nascimento tardia aos 19 anos no Acre: 'Quero estudar', diz

Indígena de 19 anos e pai falam sobre emissão da 1ª certidão de nascimento do rapaz

G1 — Brasil · 2026-08-26T14:57:03.000Z

Indígena de 19 anos e pai falam sobre emissão da 1ª certidão de nascimento do rapaz

😨 Já pensou passar a vida inteira sem existir civilmente? Foi o que aconteceu com o acreano Manoel Biló Kaxinawa, de 19 anos. Nascido em uma aldeia indígena do Jordão, no interior do estado, ele não foi registrado e, por não ter documentos, nunca conseguiu estudar e enfrentou dificuldades para acessar serviços básicos.

A história, no entanto, ganhou um novo capítulo nessa terça-feira (25), quando o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) determinou a emissão do registro de nascimento tardio durante uma audiência em Tarauacá, também no interior, onde o jovem mora com a família.

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Ele e o pai Elemar Biló Kaxinawa têm dificuldades para falar português, mas fizeram questão de celebrar a conquista. Perguntado sobre o que pretende fazer quando estiver com a certidão de nascimento em mãos, Manoel foi preciso na resposta: "Agora quero estudar", diz.

Em vídeo gravado pela comunicação do TJ-AC, os indígenas falam dos projetos para o futuro com a documentação. "Agora, vamos colocar na escola para estudar e formar. Tem que estudar", diz Elemar. (Veja vídeo acima)

Sem a certidão, Manoel não pôde estudar e tem limitações para ler

Elisson Magalhães/Secom TJ-AC

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Conforme o TJ-AC, o cartório de município ainda deve fazer o registro e emitir a certidão de nascimento de Manoel em até um mês. "Até que chegou a hora e posso dizer que está tudo resolvido", disse animado o pai do indígena.

A audiência ocorreu durante o Projeto Política Nacional de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades (PopRuaJud) do TJ, que reúne diferentes órgãos para oferecer serviços gratuitos. O atendimento foi feito na Escola Maria Aucilene Calixto e a família soube da ação por vizinhos.

Perdas e mudanças

Apesar do 'final feliz', a história de Manoel sempre foi marcada por perdas e mudanças. Ele nasceu em 2007, na Aldeia Flor da Floresta, no Jordão, mas logo em seguida os pais se separaram e ele ficou sob os cuidados da mãe. Contudo, quando ele tinha apenas quatro anos, a mãe faleceu.

"Eu e a mãe dele nos separamos quando ele era pequeno e deixei morando com ela. Mas, quando ela morreu ele só tinha quatro anos e peguei para viver comigo e minha outra esposa", contou o pai.

Na época, a família morava em uma comunidade isolada do Jordão. Segundo Elemar, foi a falta de acesso a serviços que o fez repensar em mudar de cidade. "Lá já era tudo difícil e na aldeia é que era muito mais, foi por isso que resolvemos deixar o Jordão", relatou.

A mudança ocorreu em 2024, quando Manoel tinha 17 anos. Atualmente, o jovem indígena vive com o pai, a madrasta e outros três irmãos no bairro Geraldo Pompeu, popularmente conhecido como Praia.

Manoel Kaxinawa mora com o pai em Tarauacá e não tinha acesso a serviços básicos

Elisson Magalhães/Secom TJ-AC

Anos de luta

Elemar explicou que procurou a Defensoria Pública do Estado (DPE-AC) para tentar regularizar a situação do filho anteriormente há dois anos. O único documento que o filho possuía era uma certidão de batismo, que não é aceita por órgãos públicos.

Sem a certidão, Manoel encontrou dificuldades, principalmente para estudar. Sem saber ler e escrever, ele se comunica em português com limitações.

"Mesmo após chegamos aqui, que é uma cidade grande, não tinha como tirar os documentos dele. Apesar de eu ser o pai, não tinha mais nenhum documento da mãe dele. Mas eu pensava: 'não, nós estamos morando aqui, então, vou ter que resolver isso'", explicou Elemar.

A partir do atendimento, foi ajuizada uma ação com participação da Defensoria Pública e do Ministério Público (MP-AC). O juiz da Comarca de Tarauacá, Ricardo Cavalli, ouviu Manoel e analisou a documentação apresentada pela família.

Segundo ele, foi constatado que o jovem realmente não possuía registro civil desde o nascimento.

"Fizemos a audiência, colhemos o depoimento do seu Manoel, do pai Elemar, constatamos a documentação e averiguado que, realmente, não houve o registro de nascimento de 2007. Conseguimos conceder essa expedição do registro de nascimento dele. Posteriormente será oficiado o nascimento", detalhou.

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