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O que é o Tibete: entenda a região atingida pelo desastre na fronteira com o Nepal e sua relação com a China

Nepal: região atingida por avalanche abriga rota turística

G1 — Mundo · 2026-08-26T15:27:33.000Z

Nepal: região atingida por avalanche abriga rota turística

Uma avalanche de gelo e rochas atingiu nesta quarta-feira (26) uma região próxima à fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China.

O fenômeno bloqueou um rio e provocou uma inundação repentina, destruindo casas, estradas, pontes e estruturas de energia. O desastre deixou mortos e centenas de pessoas desaparecidas no Nepal.

No lado chinês, a área de Gyirong, uma importante passagem entre o Tibete e o Nepal, também foi afetada. O presidente da China, Xi Jinping, determinou o reforço das operações de busca e resgate e a adoção de medidas para reduzir os riscos de novos desastres.

Números do desastre no Tibete até agora:

No Nepal, o desastre deixou 95 mortos e 579 desaparecidos.

O Tibete fica no sudoeste do país e faz fronteira com Nepal, Índia e Butão.

O que é o Tibete?

O Tibete é uma região autônoma da China, localizada no planalto do Tibete, no Himalaia. É uma das regiões mais elevadas do mundo e abriga algumas das maiores montanhas do planeta.

A população tibetana possui uma identidade cultural própria, marcada pela língua, por tradições locais e pelo budismo tibetano. A região também está ligada ao Dalai Lama, líder espiritual tibetano que vive exilado na Índia desde 1959.

Apesar de fazer parte oficialmente da China, o Tibete é uma questão politicamente sensível para Pequim. O governo chinês considera a região parte de seu território e rejeita movimentos pela independência.

Arco-íris é visto em Lhasa, na Região Autônoma do Tibete, no sudoeste da China, em 15 de junho de 2023.

Já a liderança tibetana no exílio acusa o governo chinês de restringir direitos religiosos e culturais. O Dalai Lama defende há décadas uma solução baseada em maior autonomia para os tibetanos, e não na independência.

Por que o Tibete é importante para a China?

A localização é um dos principais motivos. A proximidade com a Índia é especialmente sensível porque os dois países mantêm uma disputa territorial ao longo de trechos da fronteira no Himalaia.

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O Tibete também tem importância ambiental. O planalto tibetano é uma das principais áreas de origem de grandes rios asiáticos, incluindo sistemas ligados aos rios Brahmaputra, Indo, Ganges, Mekong, Yangtzé e Amarelo. Por isso, a região é frequentemente chamada de “caixa-d'água da Ásia”.

Turista posa para fotos com atores em frente a um teatro em Lhasa, na Região Autônoma do Tibete, no sudoeste da China, em 6 de junho de 2023.

Além disso, a China investiu na construção de estradas, ferrovias, aeroportos e projetos de energia no Tibete. A infraestrutura aumenta a integração da região ao restante do país e facilita o acesso às áreas próximas das fronteiras.

Qual é a relação do Tibete com o Nepal?

O Nepal fica ao sul do Tibete, e os dois países mantêm rotas comerciais e de circulação através do Himalaia.

Uma dessas conexões passa por Gyirong, no lado chinês da fronteira. A área abriga uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China e foi atingida pelo desastre desta quarta-feira.

Por dentro do monastério de monges tibetanos que tentam resistir à China

Por isso, os danos na região podem afetar não apenas comunidades locais, mas também estradas, pontes, infraestrutura e rotas utilizadas para o comércio entre os dois países.

Vista da cidade de Lhasa, na Região Autônoma do Tibete, no sudoeste da China, em 15 de junho de 2023.

A relação entre Nepal e China também é sensível por causa da questão tibetana. O Nepal reconhece o princípio de “uma só China” e evita permitir que seu território seja usado para atividades políticas contra o governo chinês.

Por que existe uma disputa pelo Tibete?

A incorporação do Tibete à China ocorreu em meio à entrada das forças chinesas na região a partir de 1950. Em 1951, representantes do governo chinês e do governo tibetano assinaram o chamado Acordo de 17 Pontos, que estabeleceu a integração do Tibete à República Popular da China.

A interpretação sobre o acordo, porém, é diferente entre Pequim e a liderança tibetana no exílio. O governo chinês afirma que o documento confirmou a soberania chinesa sobre o Tibete. A liderança tibetana afirma que os representantes foram pressionados a assinar o acordo.

Em 1959, uma revolta em Lhasa contra o domínio chinês foi reprimida. O Dalai Lama deixou o Tibete e foi para a Índia, onde permanece exilado.

Desde então, a questão tibetana permanece como um dos temas mais sensíveis da política chinesa.

Pequim destaca o desenvolvimento econômico e a expansão da infraestrutura na região, enquanto grupos tibetanos e organizações de direitos humanos criticam as políticas chinesas e denunciam restrições à liberdade religiosa e cultural.

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