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Câmeras corporais registram momento em que PMs matam homem na zona sul de São Paulo
G1 — Brasil · 2026-08-26T16:54:17.000Z
Câmeras corporais registram momento em que PMs matam homem na zona sul de São Paulo
Imagens da câmera corporal dos policiais militares Lucas Benitelli da Costa e Héctor Luiz de Macedo mostram o momento em que os oficiais atiram e matam Wesley dos Reis, de 41 anos. A viatura perseguiu o homem com a sirene desligada e o disparo foi feito antes da ordem oficial de parada.
O caso aconteceu no dia 5 de julho e é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa e pela própria Polícia Militar. Na época, Wesley voltava de moto da festa de aniversário de dois anos da neta. Ele foi atingido no tórax e chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu.
Nas imagens é possível ver Lucas e Héctor perseguindo duas motocicletas durante um patrulhamento. Em uma delas estava Wesley, na garupa. Na outra, estavam Pâmela, mulher dele, e o filho do casal.
Segundo a gravação da ocorrência, os soldados seguiram as motos sem acionar a sirene. Durante a perseguição, um dos oficiais diz que uma das placas estava parcialmente coberta.
Pouco depois, ao se aproximarem das motocicletas, os policiais comunicaram pelo rádio que havia uma fuga de veículo. Em seguida, dão ordem para que Wesley parasse a moto e quase instantaneamente ao pedido, Héctor efetua o disparo.
A sirene da viatura só foi acionada após os disparos. Os policiais chegaram a seguir a motocicleta em que estavam Pâmela e o filho, mas depois retornaram ao local onde Wesley havia sido baleado no peito.
Depois que o reforço chega, Lucas conta a versão dele da história e afirma que a vítima havia feito “menção de armamento” e reforça que a placa estava parcialmente coberta.
Versão apresentada pelos policiais
Câmeras corporais registram momento em que PMs matam homem na zona sul de São Paulo
Polícia Militar / TV Globo
À Polícia Civil, Lucas e Héctor disseram que, durante o patrulhamento, encontraram duas motocicletas com características semelhantes às de veículos que, segundo informações operacionais, estariam sendo usados em roubos na região.
Os policiais afirmaram ainda que uma fita que cobria parcialmente a placa dificultava a identificação do veículo e reforçou a suspeita que motivou a tentativa de abordagem.
De acordo com o relato dos PMs, quando a viatura chegou próximo da motocicleta e os policiais deram ordem de parada, Wesley teria feito um movimento para erguer uma das mãos, que estaria encoberta pelo casaco. Segundo os agentes, diante da possibilidade de que ele estivesse prestes a sacar ou apontar uma arma, o soldado Héctor efetuou um único disparo.
Testemunha relata outra versão sobre a abordagem
O rapaz que pilotava a motocicleta em que Wesley estava na garupa contou à polícia que ouviu o barulho de pneus e, em seguida, alguém gritar “para, para”. Quando olhou para o lado, ouviu o disparo e viu Wesley cair da moto.
Segundo ele, por medo e sem entender o que estava acontecendo, acelerou e fugiu. O motociclista afirmou ter chegado a acreditar que se tratava de um assalto.
Wesley voltava de aniversário da neta
Wesley havia acabado de sair do aniversário da neta e voltava para casa. Da residência do filho, onde a festa aconteceu, até o destino seriam cerca de dois quilômetros.
A irmã dele, Grazieli, contou que aquela foi a última vez que viu Wesley.
“Ele tinha chegado do serviço, ajudou a comprar as coisas, foi para a festa, e ia ter que trabalhar no domingo também. O meu sobrinho retornou para a festa e falou que acha que o pai dele tinha levado um tiro”, contou.
Segundo Grazieli, o sobrinho disse que o disparo havia sido feito por um policial.
“Eles não chegaram a abordar, eles não chegaram a mandar parar formalmente, eles só atiraram. Quando eles olham para o lado, é o tempo que ele atira”, afirmou.
Em nota ao SP1, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que as polícias Civil e Militar investigam esse caso. Segundo o registro da polícia, duas motos fugiram de uma abordagem e um dos passageiros fez menção de estar armado, e por isso os PMs atiraram. As imagens das câmeras corporais estão sendo analisadas agora pelo DHPP e pela própria PM para esclarecer os fatos. Ainda segundo a secretaria, os policiais foram afastados das ruas e cumprem serviço administrativo.