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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (26) que "tem muita gente estrangeira" comprando minerais críticas sem o Brasil ter regulado os recursos naturais.
G1 — Política · 2026-08-26T21:37:00.000Z
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (26) que "tem muita gente estrangeira" comprando minerais críticas sem o Brasil ter regulado os recursos naturais.
O presidente deu a declaração ao defender a aprovação no Senado do projeto que cria a política nacional para minerais críticos após um almoço no Palácio da Alvorada com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
"Se a gente não regular e definir que essa riqueza mineral não é minha, não é do Alcolumbre, não é do Hugo Motta, não é individualmente de ninguém e de nenhum empresário e muito menos de outro país, que é uma riqueza do Brasil e por ser do Brasil a gente tem que garantir que essas coisas se transforme em uma coisa que faça o povo brasileiro sonhar de que a possibilidade que nós temos de garimpar, tratar e produzir coisas importantes nesse país é uma coisa sagrada para o futuro do nosso país", disse o petista.
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Na ocasião, Alcolumbre anunciou que levará ao plenário da Casa a proposta para a votação na próxima semana.
A Política Nacional de Minerais Críticos cria uma legislação específica para atrair investimentos nacionais para o setor, com um fundo de R$ 5 bilhões. O projeto já foi aprovado na Câmara em maio e aguarda somente a votação no Senado.
🔎Minerais críticos e estratégicos são cobiçados pela indústria e diplomacia mundial, isso porque, dentre eles, destacam-se as chamadas terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de uma série de produtos.
Entre eles estão o lítio, o cobalto, o níquel e o grafite, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.
"Tenho compreensão que nós precisamos nos debruçarmos sobre a proposta encaminhada pelo governo porque é o governo que sabe o que está se passando em Estados do Brasil, de outros países estarem vindo no Brasil comprar as nossas riquezas", disse Alcolumbre.
"Quando falamos de soberania, temos que falar da soberania na sua plenitude e não em parte", complementou.
A medida deve ser analisada junto com a proposta que estabelece Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), considerada por Lula uma questão de soberania do país.
Minerais críticos: projeto aprovado na Câmara quer garantir que o Brasil não seja apenas exportador de matéria-prima
Jornal Nacional/ Reprodução
O Redata é uma política para incentivar a instalação de datacenters no Brasil. Esse tipo de instalação reúne servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede para processamento de dados em grande volume.
O Redata foi inicialmente instituído por meio de uma medida provisória que deveria ser votada até fevereiro. Na época, Alcolumbre deixou a medida vencer sem votá-la no plenário do Senado.
Nesta quarta-feira (26), ele justificou a decisão dizendo que como a Comissão Mista para a análise do tema não foi instalada, os senadores não se sentiam confortáveis em votar o tema.
Agora, segundo Alcolumbre, o novo projeto enviado pelo governo e já aprovado pela Câmara será votado pela importância para os "investimentos" no Brasil.
EUA avança na compra de mineradora brasileira
A fala ocorre após a empresa americana USA Rare Earth anunciar que avançou no processo de compra da Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil.
A companhia anunciou nesta segunda-feira (24) que garantiu os recursos necessários para concluir a compra. O negócio, no entanto, ainda depende da aprovação dos acionistas em uma assembleia marcada para esta sexta-feira (28).
O negócio prevê a combinação das operações das duas companhias para criar uma cadeia completa de produção de ímas — da extração à fabricação — fora da Ásia, região que hoje domina esse mercado.
O governo federal é contra a exploração de terras raras em Minaçu, norte de Goiás, por uma empresa americana.
💰 Para concluir a compra, a USA Rare Earth afirmou ter garantido US$ 1,55 bilhão (R$ 7,7 bilhões) em recursos. O dinheiro ficará em uma estrutura financeira criada especificamente para viabilizar a operação.
💸 Desse total, US$ 750 milhões (R$ 3,8 bilhões) vieram do Departamento de Guerra dos EUA.