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Motorista e dono de carreta podem ser indiciados por morte de pai e filhas
G1 — Brasil · 2026-08-26T21:57:46.000Z
Motorista e dono de carreta podem ser indiciados por morte de pai e filhas
A carreta envolvida no acidente que matou o empresário Wilker Renato Almeida da Silva, de 29 anos, e as filhas Alana Almeida Gomes, de 8, e Alice Almeida Gomes, de 4, na BR-414, em Cocalzinho de Goiás, não tinha autorização para trafegar pela rodovia no horário da batida, segundo a Polícia Civil. O acidente aconteceu por volta das 22h de sexta-feira (21).
Segundo o delegado responsável pela investigação, Carlos Alfama, o motorista da carreta já foi interrogado e deve ser indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O proprietário do veículo também deve ser indiciado pelo mesmo crime, porque, de acordo com a polícia, teria determinado que o funcionário fizesse o transporte no período em que a carreta não poderia circular pela rodovia.
Como os nomes do motorista e do proprietário da carreta não foram divulgados, o g1 não conseguiu localizar as defesas.
De acordo com a investigação, o veículo tinha nove eixos e havia sido carregado por volta das 21h. A polícia afirma que o proprietário pediu ao motorista que realizasse o transporte naquele horário por um percurso de cerca de 30 km.
Wilker Renato Almeida da Silva, de 29 anos, morreu após acidente com as duas filhas, em Goiás
Ultrapassagem em local proibido
A Polícia Civil afirma ainda que o motorista fez uma ultrapassagem em local proibido antes de bater de frente com a caminhonete onde estavam Wilker e as duas filhas. O motorista negou ter feito a manobra, mas, segundo o delegado, uma testemunha que seguia atrás da carreta e a perícia realizada no local confirmam a ultrapassagem.
“Os dois foram imprudentes. O dono do caminhão porque deu a ordem para o motorista trafegar em horário proibido, e o motorista aceitou essa ordem ilegal e ultrapassou em local proibido”, afirmou o delegado.
Após o acidente, o motorista deixou o local antes da chegada das equipes de atendimento. Segundo a PRF, por causa da fuga, inicialmente não foi possível identificá-lo nem submetê-lo ao teste do bafômetro.
À Polícia Civil, o motorista afirmou que saiu do local por medo de ser agredido por familiares das vítimas. Segundo o delegado, ele relatou que pessoas que estavam na região teriam demonstrado preocupação com a possível chegada dos parentes após as mortes.
O motorista e o proprietário da carreta foram ouvidos e permanecem em liberdade. Segundo a Polícia Civil, os dois devem responder ao processo em liberdade.
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Polícia apura história sobre R$ 1 milhão
A investigação também passou a apurar uma informação de que R$ 1 milhão estaria dentro da caminhonete de Wilker e teria desaparecido após o acidente. Segundo a Polícia Civil, a história surgiu após um irmão do empresário prestar depoimento.
Inicialmente, o familiar afirmou que Wilker transportava valores relacionados às empresas da família, entre dinheiro em espécie e cheques, que somariam cerca de R$ 1 milhão. No entanto, durante o atendimento da ocorrência, foram encontrados aproximadamente R$ 67 mil dentro do veículo, segundo a polícia.
O delegado afirmou que encontrou divergências no relato e concluiu que o irmão da vítima mentiu sobre o valor que estaria na caminhonete.
“Tinha, sim, uma quantidade de dinheiro dentro do carro, mas era por volta de R$ 67 mil. Somando isso com as divergências que o irmão trouxe no depoimento, é certeza que ele mentiu. O motivo da mentira é que eu ainda não sei”, afirmou.
Procurado pela TV Anhanguera nesta quarta-feira (26), o irmão de Wilker não quis gravar entrevista e apresentou uma versão diferente. Segundo ele, a informação de que havia R$ 1 milhão no veículo teria sido repassada por uma terceira pessoa que esteve no local do acidente. A Polícia Civil informou que também vai apurar as circunstâncias dessa informação.
Relembre o acidente
O acidente aconteceu no km 345 da BR-414, em Cocalzinho de Goiás. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, Wilker dirigia a caminhonete no sentido Cocalzinho de Goiás a Anápolis, enquanto a carreta, carregada de calcário, seguia na direção contrária. Os veículos bateram de frente e Wilker e as duas filhas morreram no local. As três vítimas foram sepultadas na segunda-feira (24), no Complexo Vale do Cerrado, em Goiânia.
Familiares descreveram Wilker ao g1 como um pai amoroso e cuidadoso. As meninas moravam com ele. “Era um pai muito amoroso e cuidadoso, amava demais elas”, contou uma familiar.
A empresa Bless'Me Jeans, da qual Wilker era dono, e a Escola Evangélica Os Cordeirinhos de Cristo, onde Alana e Alice estudavam, publicaram homenagens às vítimas após o acidente.
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