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Tragédia no Nepal e Tibete: vales em 'V' fizeram com que avalanche ganhasse ainda mais força, como em um funil

Avalanche de gelo, pedra e lama destrói vilarejos na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China

G1 — Brasil · 2026-08-26T23:01:46.000Z

Avalanche de gelo, pedra e lama destrói vilarejos na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China

China e Nepal enfrentam a fúria da natureza. Uma avalanche de gelo, pedra e lama provocou uma enxurrada que varreu vilarejos na fronteira entre os dois países. O maior número de vítimas, por enquanto, é no Nepal: são 157 mortos. Na China, na região autônoma do Tibete, são três. Equipes de resgate tentam encontrar mais de 800 desaparecidos, incluindo centenas de turistas estrangeiros.

As pessoas correram o máximo que conseguiram, mas não deu tempo. A avalanche de lama engoliu tudo pelo caminho. Os prédios, ônibus e carros desapareceram embaixo da enxurrada, como uma nuvem, que cobriu vilarejos no Nepal e no Tibete, região autônoma da China.

Tragédia no Nepal e Tibete: vales em 'V' fizeram com que avalanche ganhasse ainda mais força, como em um funil

Jornal Nacional/ Reprodução

O fato de serem vales no formato da letra "V" fez com que a avalanche ganhasse ainda mais força, como em um funil. Por isso, a intensidade da água na onda gigante que desceu pela montanha e levou as casas pelo caminho como se fossem de brinquedo.

Em outra cidadezinha, a água chegou com tanta força que levou a ponte junto. No ônibus, as crianças viram a avalanche avançar sobre o lugar onde vivem. De uma hora para outra, partes dos vilarejos deixaram de existir, levadas pela correnteza de lama. Elas desaguaram no Rio Trishuli. E no caminho do rio cheio de detritos, mais uma ponte foi junto.

Do chão, deu para ver a destruição no Nepal. Os resgatistas - com os pés segurados pela lama - começaram uma corrida contra o tempo para levar vítimas às ambulâncias e aos helicópteros.

Tragédia no Nepal e Tibete: vales em 'V' fizeram com que avalanche ganhasse ainda mais força, como em um funil

Jornal Nacional/ Reprodução

As áreas afetadas ficam na fronteira entre o Nepal e o Tibete, no sudoeste da China. É em pleno Himalaia, a cordilheira mais alta da Terra, onde ficam o Monte Everest e outros dos picos mais altos do mundo.

As causas desse desastre ainda estão sendo investigadas. Em um primeiro momento, o governo do Nepal afirmou que um terremoto tinha provocado o deslizamento de uma geleira nas montanhas. Mas, depois, o Centro Geológico dos Estados Unidos explicou que, na verdade, não teve terremoto. É que o deslizamento foi tão forte que os sensores registraram o impacto como um tremor.

O gelo desceu arrastando pedras e rochas. E é provável que o deslizamento também tenha liberado muita água represada lá no alto das montanhas. Essa primeira enxurrada teria bloqueado o Rio Trishuli. A água foi se acumulando, aumentando a pressão, até romper o bloqueio e descer com ainda mais violência, destruindo tudo pelo caminho.

Tragédia no Nepal e Tibete: vales em 'V' fizeram com que avalanche ganhasse ainda mais força, como em um funil

Jornal Nacional/ Reprodução

Toda essa região está na temporada das monções, quando chove bem mais. O que pode ter aumentado o volume de água nas montanhas e no rio - e contribuído para a dimensão da tragédia.

O aquecimento global também aumenta o risco dos deslizamentos e inundações. Para os cientistas, esse é mais um exemplo de desastre causado pelas mudanças climáticas. Uma pesquisa de março mostrou que a velocidade do derretimento do gelo no Himalaia dobrou desde o ano 2000. É uma ameaça direta à população que vive nos vales dessa região montanhosa.

O Jornal Nacional conversou com um brasileiro que mora em Catmandu, a capital do Nepal, desde 2008.

“Nós estamos em uma época de chuva e essa época aqui, ela é aconselhada pelo governo a não ficar viajando se não for necessário. Há muito deslizamento. Aqui acontece muito isso por ser um país montanhoso, de muitas montanhas. Foi em uma região que essa lama, a gente pode dizer como foi em Brumadinho, veio através do rio, um dos rios principais aqui do Nepal. Eu acho que o trauma, a gente, pela imagem que a gente vê, já fica chocado. Imagina quem estava lá, viu, e sem poder fazer nada”, diz o empresário Vinicius Moreira.

Tragédia no Nepal e Tibete

Jornal Nacional/ Reprodução

Direto para Nova York, o correspondente Felippe Coaglio tem novas informações sobre as buscas por sobreviventes.

"São quase 5h no Nepal, e as equipes de resgate estão virando a madrugada. A polícia afirmou que 466 estrangeiros estão entre os desaparecidos. O maior grupo é de indianos. Muitos participavam de uma peregrinação sagrada do hinduísmo na região onde aconteceu o desastre. Também estão desaparecidos cidadãos dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido. Até agora, não há relatos de brasileiros. O Departamento de Estado americano afirmou que está pronto para enviar assistência humanitária para o Nepal e um satélite da União Europeia está mapeando as áreas afetadas para dar suporte aos socorristas. A ONU já enviou equipes de emergência e suprimentos para as comunidades mais afetadas. No Tibete, são 265 desaparecidos. O acesso a essas áreas já é difícil porque se trata de regiões montanhosas. Mas, agora, ficou ainda pior, porque pontes e estradas foram destruídas", conta Felippe Coaglio.

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