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Reunião entre Corinthians e SAFiel tem "lavagem de roupa suja" e questionamentos técnicos

Executivos da SAFiel se reúnem com dirigentes do Corinthians

ge — Futebol · 2026-08-27T01:58:56.000Z

Executivos da SAFiel se reúnem com dirigentes do Corinthians

Os empresários idealizadores do projeto SAFiel se reuniram por quatro horas com dirigentes do Corinthians nesta quarta-feira. A reunião teve "lavagem de roupa suja" e diversos questionamentos sobre a proposta de transformar o clube em uma SAF.

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Foi a primeira vez que os responsáveis pela SAFiel e dirigentes corintianos se encontraram para debater o projeto. Os empresários já haviam enviado a proposta ao clube, mas sem discussão sobre o teor dela.

O presidente Osmar Stabile marcou a reunião e convidou outros dirigentes. Também estavam presentes o vice-presidente Armando Mendonça; o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior; o presidente do Conselho de Orientação (Cori), Miguel Marques e Silva; o diretor jurídico, Pedro Soares; e o diretor cultural, Pedro Castilho.

— Foi uma reunião boa e importante. Foram quatro horas de reunião, em que eles colocaram os pontos deles e o Corinthians colocou os pontos que entende que ainda precisam ser esclarecidos, todas as dúvidas legais sobre a proposta. Foi uma conversa de corintiano, todos pensando no bem do Corinthians. Foi uma reunião produtiva — explicou Armando na saída do Parque São Jorge.

Empresários Eduardo Salusse e Carlos Teixeira, idealizadores da SAFiel, em entrevista na frente do Parque São Jorge

Logo no início da reunião, houve o que Eduardo Salusse, um dos responsáveis pela SAFiel, classificou como "lavagem de roupa suja". Dirigentes do clube expuseram divergências sobre a maneira como os empresários têm tratado a discussão da SAFiel em público.

Eles reclamaram da pressão externa e dos ataques sofridos na internet, bem como de declarações dos empresários na imprensa com falas entendidas como incorretas ou imprecisas que acabam por confundir os torcedores e incitá-los contra a administração do clube.

— Mais no sentido de desconfortos de certos exageros de quem expõe dados pessoais, agressividade, ofensas. Em muita medida se imputa isso à SAFiel. Ela se posiciona como catalisador das notícias que acontecem no Corinthians. De certa forma manifestamos nosso inconformismo com quase um ano de o projeto ser apresentado, a dificuldade em ser ouvido e da tramitação. Queremos pedir ao corintiano uma paciência não será resolvido em uma reunião de quatro horas. São etapas a serem desenvolvidas em prol de um desfecho positivo — disse Salusse.

Na sequência da reunião, o presidente do Conselho apresentou um documento, assinado também por Stabile e Miguel, com uma lista de questionamentos técnicos sobre o projeto.

Um dos pontos era sobre a assinatura de um documento, que a SAFiel anuncia como não vinculante, que autoriza os empresários a irem ao mercado tentar a captação de até R$ 2,5 bilhões para transformar o Corinthians em SAF.

Em entrevista, Salusse admitiu que o documento traz obrigações ao clube, embora não obrigue a transformação em SAF.

— Quando você define com um documento desse que há uma proposta não vinculante, significa dizer que, em relação ao seu objetivo final, que é a aprovação ou não de uma SAF, não há uma vinculação. Não há, a priori, uma obrigação. É óbvio que, para você chegar em um momento de decisão, você precisa seguir essas etapas. Essas etapas de meio são vinculantes, naturalmente. Preciso que o clube colabore, disponibilize dados e valor de ativos, apresente suas dúvidas. Tudo isso é uma construção — explicou o empresário.

Diante dos vários questionamentos, os empresários e dirigentes acertaram colocar todas as dúvidas técnicas no papel para que a SAFiel as responda oficialmente.

— São as dúvidas comuns. Falou-se muito de questões técnicas, societárias e de captação da SAF. São dúvidas naturais para um projeto desse tamanho. Os questionamentos foram em espírito de cooperação — pontuou Carlos Teixeira, outro idealizador da SAFiel.

— O passo dado hoje foi no sentido de reestabelecer uma harmonia comunicacional, essa é a verdade. O contato será feito de maneira tranquila, serena, séria e responsável. Vamos virar a página sobre eventuais dissabores e inconveniências na questão do relacionamento. Vamos esclarecer as dúvidas técnicas que foram apresentadas e discutir qual será a próxima etapa — esclareceu Salusse.

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O que é SAFiel

O projeto da SAFiel pretende transformar Corinthians em SAF, com cultura empresarial e gestão profissional do futebol, que seria separado do clube social.

O projeto prevê que a SAF corintiana detenha todas as propriedades de futebol do Corinthians, masculino, feminino e categorias de base. Elas seriam separadas do clube social e migradas para uma nova empresa, chamada Invasão Fiel S/A.

Esta empresa seria uma holding com ações disponíveis para compra no mercado. Haveria duas classes de ações: uma destinada a torcedores investidores, obrigatoriamente sócios ou membros do programa Fiel Torcedor, com direito a voto na administração da SAF, e outra voltada a investidores institucionais não torcedores, sem direito a voto.

O projeto estipula que as ações sejam amplamente disponibilizadas aos torcedores, de diferentes faixas de renda. Entretanto, nenhum acionista poderia votar com mais de 1,8% do capital social, mesmo que a sua participação seja maior do que este percentual. Isso para evitar que algum investidor tenha poder excessivo.

A SAFiel estima que seria possível captar entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2,5 bilhões. Esses recursos seriam utilizados para reestruturar as dívidas, inclusive da Neo Química Arena, modernizar o CT, construir CT para base, investir no elenco e melhorar infraestrutura, sistemas, processos, compliance e governança.

O clube associativo, separado do futebol, receberia royalties mensais da SAF, se livraria das dívidas e poderia se dedicar às suas atividades esportivas e sociais.

A SAF do Corinthians proposta pela SAFiel teria Comitê de Governança, além de conselhos administrativo, fiscal e cultural.

Esses órgãos contariam com gestores independentes, bem como indicações de torcedores com direito a voto, torcidas organizadas e representantes do Parque São Jorge.

Segundo o projeto, a administração seria realizada por executivos profissionais, "contratados ou demitidos com base em capacidade e cumprimento das metas".

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