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Vídeo mostra momento exato em que tsunami de lama invade ruas e casas no Nepal
G1 — Mundo · 2026-08-27T03:01:09.000Z
Vídeo mostra momento exato em que tsunami de lama invade ruas e casas no Nepal
Poucas horas após a tragédia que deixou centenas de mortos e desaparecidos no Nepal e no Tibete, equipes de resgate já se mobilizaram dos dois lados da fronteira para o resgate e acolhimento das vítimas.
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A China mandou para a região militares e kits de mais de 30 mil kits de emergência, que incluem tendas, fogões, roupas e outros itens de primeira necessidade para os deslocados. Nepal e Índia emitiram alertas de remoção de moradores de zonas de risco.
Apesar disso, a esperança de encontrar sobreviventes da avalanche é escassa: ao contrário da janela de oportunidade de 72 horas calculdas a partir de terremotos, por exemplo, a expectativa de vida de vítimas de deslizamentos é de menos de 15 minutos, e a maioria dos resgatados com vida são aqueles que se encontram na borda da área do desastre.
Os esforços de buscas devem ser mais extensos e complexos do que os ocorridos em Brumadinho. É muito provável que parte dos corpos não seja retirada ou até mesmo localizada.
Imagens de câmeras de segurança mostram pessoas fugindo enquanto uma avalanche de lama e água destrói prédios em um vale na fronteira entre Nepal e China, em Gyirong , região do Tibete, China
MÍDIA SOCIAL/via REUTERS
O rompimento da barragem da Vale em Minas Gerais, em 2020, foi seguido de uma operação de seis anos, nos quais 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração vistoriados e 268 corpos encontrados, total ou parcialmente. Duas vítimas não tiveram os restos mortais encontrados.
Janela de oportunidade para encontrar sobreviventes praticamente nula
No caso de terremotos, as equipes de resgate trabalham num período de 72 horas após a tragédia quase exclusivamente focados em encontrar sobreviventes. Apesar das dificuldades, vítimas presas em estruturas podem ficar presas em bolsões de ar e até receber água da chuva, a depender das circustâncias, enquanto aguardam a retirada dos escombros.
Essa janela praticamente inexiste em deslizamentos. A grande maioria das vítimas é atingida por uma massa de água, lama e detritos, incluindo carros, árvores e até casas. Poucas estruturas resistem com a vedação intacta, criando as bolhas de ar essencias para a manter pessoas vivas.
Segundo um estudo publicado na revista científica "Jama" que analisou taxas de sobrevivência em avalanches na Suíça entre 1981 e 2020, as vítimas têm uma janela de 10 a 15 minutos antes de sofrer uma asfixia aguda, sendo que a privação crítica de oxigênio se inicia severamente logo após os primeiros 10 minutos.
Registros de sobreviventes após dias são raros e acontecem quase que exclusivamente na periferia do fluxo de detritos. E, mesmo que a pessoa esteja abrigada em um local vedado, a sobrevivência é quase nula se ela estiver a mais de seis metros de profundidade, pela dificuldade das equipes chegarem ao estrato em tempo hábil.
Deslocamento dos corpos e dos pontos de referência
Ao contrário de um terremoto, as vítimas podem se deslocar por quilômetros quando ocorre um deslizamento — além disso, as próprias construções podem ser destruídas e ter seus escombros espalhados, obliterando as referências da área afetada.
O terreno segue instável
As equipes de resgate não deverão iniciar os trabalhos nas regiões mais críticas até que o terreno esteja estabilizado, e os sistemas de alerta, instalados. Isso pode não ocorrer tão cedo.
Enquanto em Brumadinho a área permaneceu relativamente estável após a tragédia, a região do Himalaia onde ocorreu o deslizamento ainda deverá receber chuvas das monções até setembro.
Tipicamente, encostas onde ocorrem deslizamentos perdem vegetação e continuam propensas a novos desmoronamentos.
Além disso, o perímetro da tragédia é tomado por um lamaçal que dificulta o avanço dos profissionais nos primeiros dias após a avalanche.
Destruição das vias de acesso
No caso da avalanche no Nepal e no Tibete, muitas das estradas que levam às cidades e vilarejos atingidos foram arrastadas pela correnteza. Isso impõe um desafio logístico às equipes, que precisam trabalhar com rotas alternativas para estabelecer cadeias de suprimentos.
Dificuldades de escavação
Com o material do deslizamento assentado, a escavação e exploração dos escombros é muito mais difícil do que no caso de um terremoto, por exemplo. Isso torna o trabalho de recuperação dos corpos mais demorado, e os deixa mais expostos à degradação física e à decomposição.
Isso também faz com que, ainda que um corpo seja localizado, seu resgate seja mais difícil ou até mesmo inviável.
Mesmo que as equipes de resgate identifiquem a localização de uma vítima, ela pode estar profundamente presa em lama compactada, cercada por rochas, troncos de árvores e materiais estruturais.