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Cardume de tilápias e bagres surge em canal de Campos; especialista alerta para risco no consumo

Cardume de peixes no canal Campos-Macaé chama atenção e levanta alerta sobre consumo

G1 — Brasil · 2026-07-23T17:14:35.000Z

Cardume de peixes no canal Campos-Macaé chama atenção e levanta alerta sobre consumo

Centenas de tilápias e bagres-africanos passaram a chamar a atenção de moradores nas últimas semanas no trecho conhecido como Beira-Valão do Canal Campos-Macaé, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

A presença dos peixes em grande quantidade atraiu curiosos e até pessoas interessadas em pescá-los para consumo. No entanto, especialistas alertam que os animais capturados no local não devem ser consumidos devido aos riscos à saúde.

A cena, registrada na região central da cidade, levantou dúvidas entre os moradores sobre os motivos que levaram os peixes a se concentrarem justamente nesse trecho do canal.

Cardume de tilápias e bagres apareceu em grande quantidade no trecho do Beira-Valão.

Segundo o professor de Aquicultura da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Manuel Vazquez Vidal Júnior, a elevada quantidade de tilápias pode ser explicada pela capacidade de adaptação da espécie. De acordo com o especialista, as tilápias apresentam características que favorecem tanto a sobrevivência quanto a reprodução.

"Ela tem uma característica interessante, que é cuidar dos filhotes, o que aumenta a taxa de sobrevivência. Além disso, é uma espécie muito resiliente. Mesmo não sendo um ambiente ideal, consegue sobreviver e se reproduzir. Percebemos também que muitas pessoas acabam alimentando esses peixes", explicou.

O professor destaca que o bagre-africano também possui grande capacidade de adaptação. A espécie conta com um órgão respiratório auxiliar que permite captar oxigênio diretamente da atmosfera, característica que favorece sua sobrevivência até mesmo em ambientes degradados.

Consumo não é recomendado

Apesar da facilidade para capturar os peixes e da grande quantidade observada no local, os especialistas recomendam que eles não sejam consumidos.

Segundo Manuel Vazquez Vidal Júnior, o Canal Campos-Macaé recebe águas da drenagem urbana e pode sofrer influência de ligações clandestinas de esgoto. Além disso, durante os períodos chuvosos, resíduos acumulados nas ruas são carregados para dentro do canal.

"Pode ter esgoto clandestino. Além disso, quando a chuva lava as ruas, esse material vai para dentro do canal. Ali existem metais pesados, partículas dos pneus dos veículos e outros resíduos. Esses peixes estão em contato com esse material e de forma alguma devem ser consumidos", alertou.

De acordo com especialistas, peixes que vivem em ambientes contaminados podem acumular microrganismos patogênicos, metais pesados e outras substâncias potencialmente nocivas, representando riscos para a saúde humana.

Conhecido popularmente como Beira-Valão no trecho urbano de Campos, o Canal Campos-Macaé tem cerca de 109 quilômetros de extensão e faz parte da história do Norte Fluminense. Construído durante o período imperial, ele liga os municípios de Campos dos Goytacazes e Macaé e é considerado um dos maiores canais artificiais do mundo.

Ao longo das últimas décadas, o canal também passou a ser associado aos desafios relacionados ao saneamento básico, à qualidade da água e à preservação ambiental na região.

O surgimento do grande cardume voltou a chamar a atenção da população para o local. Embora as imagens impressionem e despertem a curiosidade de moradores e visitantes, especialistas reforçam que a presença dos peixes não significa que eles sejam adequados para alimentação e orientam que a população evite consumir animais capturados no canal.

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