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PMs ligados ao garimpo ilegal na Terra Yanomami são alvos de processo após execução de garimpeiro em Roraima

Foi assassinado a tiros dentro de casa na zona Oeste de Boa Vista

G1 — Brasil · 2026-07-23T16:59:01.000Z

Foi assassinado a tiros dentro de casa na zona Oeste de Boa Vista

A Polícia Militar de Roraima instaurou Conselhos de Disciplina para apurar a participação de três sargentos da corporação no assassinato de José Roberto Souza da Silva. O crime ocorreu em maio de 2024 e expôs uma rede criminosa de agentes públicos ligados ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Eles foram afastados das funções em julho de 2026.

A investigação aponta a participação direta do 1º sargento Anemésio Silva da Cunha, que negociou valores e ofereceu apoio logístico na execução do homicídio; do 2º sargento Starley Vieira da Silva, que coordenou logística, armas e o pagamento pelo crime; e do 3º sargento Everson Brasil da Silva, que vigiou a vítima e seria o principal suspeito de atirar em José Roberto.

A Rede Amazônica solicitou um posicionamento à Polícia Militar de Roraima sobre o assunto, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. O g1 tenta localizar a defesa de todos os citados.

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José Roberto Souza da Silva foi morto a tiros no dia 10 de maio de 2024, em frente à própria casa, no bairro Jardim Primavera, em Boa Vista. Segundo as investigações, a vítima fazia parte do grupo criminoso formado pelos próprios assassinos e liderado pelo empresário e garimpeiro Lidivan Santos dos Reis, também investigado por tráfico de drogas.

Porém, um desentendimento com a quadrilha motivou José Roberto a mudar de lado e ele passou a atuar como informante da polícia contra o grupo. A constatação ocorreu após peritos localizaram um relatório de inteligência militar no carro de José Roberto logo após o crime.

O documento detalhava a atuação de criminosos na Terra Indígena Yanomami e a estrutura de seguranças e armamentos. O arquivo apontava Lidivan como o principal líder da extração ilegal e da logística na área conhecida como "Garimpo do Pupunha".

Oficiais da PM determinaram o afastamento de Anemésio, Starley e Everson das funções. A polícia também solicitou uma junta médica para avaliar a condição física e psicológica de cada um. Anemésio já cumpre pena no controle prisional da instituição por outras razões.

Infográfico mostra ligação entre mandante do crime e PMs investigados por assassinato; grupo ainda contava com informantes.

Investigação por homicídio

A polícia desvendou o crime três dias após o assassinato, no dia 13 de maio de 2024. Uma equipe da da própria PM localizou um veículo com as mesmas características do carro usado no homicídio. O motorista abordado era o sargento Starley.

Ele foi levado à Delegacia Geral de Homicídios (DGH), que apreendeu o veículo, a arma da corporação e o celular do policial. Foi a extração de dados deste aparelho que expôs a rede criminosa e as conversas sobre o homicídio.

Segundo a investigação, o aparelho continha conversas sobre o planejamento do assassinato. O sargento Starley buscou armas não rastreáveis e combinou os ataques com Everson Brasil.

Em um dos diálogos interceptados, Starley alerta Everson sobre a necessidade de agir à noite. "A gente vai ter que localizar ele a noite, ver onde é que ele tá... a gente tem que estar com as peças já no jeito", disse.

Para atrair a vítima, Starley conversou com a viúva de um antigo membro do grupo, e planejou uma emboscada: "Temos que armar aquela situação pra ele ir só".

O sargento Anemésio também aparece nas conversas. Ele exige pagamentos e se oferece para a ação. "Arrumou o 3º homem? Não me cabe aí na missão? Quanto pra cada?", questionou. Starley responde de forma direta: "É 50 mil o serviço".

Mandante e histórico de crimes

O garimpeiro Lidivan Santos dos Reis é o suspeito de encomendar a morte de José Roberto. Lidivan comandava a extração ilegal no "Garimpo do Pupunha" e decidiu eliminar a vítima após descobrir a delação à polícia. O mandante tem histórico de prisões com armas pesadas.

Para concretizar o crime, Lidivan contou com o ex-policial militar Gilson Viana Gomes, conhecido como Mutum, morto em dezembro de 2024 em uma região de garimpo ilegal na Terra Yanomami. Mutum repassou informações sobre a rotina de José Roberto e repassou o dinheiro para os policiais.

Mutum era apontado como suspeito de ser pistoleiro em regiões de garimpo ilegal em Roraima e tem acusações de envolvimento em pelo menos 12 assassinatos ocorridos entre os anos de 2015 e 2020. Viana foi preso em 2021 e tinha três mandados de prisão em aberto mas fugiu em outubro de 2023.

A rede de apoio inclui também uma viúva de Jaime Miguel de Morais, o Magrão, morto a tiros no município de Mucajaí, em setembro de 2023. A viúva confessou medo da vítima, monitorou os passos de José Roberto e forneceu informações aos atiradores.

Magrão era um antigo parceiro de Mutum e cometeu crimes violentos, como o sequestro de um homem em Caracaraí.

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