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Uma investigação da Polícia Civil do Rio revelou um esquema criminoso que, segundo os investigadores, começava com anúncios de carros na internet e podia terminar em roubos sob encomenda. A suspeita é de que o grupo pesquisava veículos…
G1 — Brasil · 2026-08-27T09:49:57.000Z
Uma investigação da Polícia Civil do Rio revelou um esquema criminoso que, segundo os investigadores, começava com anúncios de carros na internet e podia terminar em roubos sob encomenda. A suspeita é de que o grupo pesquisava veículos regulares anunciados nas redes sociais, selecionava os modelos desejados e usava os dados desses automóveis como referência para clonar carros roubados.
A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (27), a Operação Sinal Oculto para tentar desarticular o esquema, investigado por roubo, clonagem e venda de veículos. Ao todo, a Justiça expediu 45 mandados judiciais, sendo 37 de busca e apreensão e nove de prisão.
De acordo com a investigação, a organização mantinha perfis nas redes sociais que funcionavam como uma espécie de vitrine digital para a venda dos veículos. Carros, inclusive modelos de alto valor, eram anunciados por preços muito abaixo dos praticados no mercado. Em alguns casos, segundo a polícia, o desconto chegava a 95%.
Mas, por trás dos anúncios, os investigadores identificaram uma estrutura mais complexa. O grupo pesquisava carros regulares à venda na internet e armazenava informações como chassi, placas e Renavam. Esses dados formariam uma espécie de "matriz de clonagem".
A partir da escolha de determinado modelo, integrantes do grupo seriam acionados para conseguir um veículo com as mesmas características. A investigação aponta indícios de que alguns roubos eram cometidos sob encomenda, de acordo com modelos previamente selecionados e com a demanda dos compradores.
Depois do roubo, começava a etapa de adulteração. Segundo a polícia, os sinais identificadores originais dos veículos eram suprimidos e substituídos por informações de carros regulares. Entre os materiais usados estariam etiquetas, adesivos, plaquetas de fabricantes e outros elementos capazes de dar aos automóveis uma falsa aparência de legalidade.
Em seguida, os veículos voltavam a ser anunciados nas plataformas digitais. Os perfis identificados pela investigação acumulavam milhares de seguidores e dezenas de milhares de interações.
A polícia também investiga o caminho do dinheiro. Segundo as apurações, compradores eram orientados a fazer pagamentos antecipados, em alguns casos com a exigência de 50% do valor por PIX. Os recursos seriam direcionados para contas de terceiros. Até o momento, sete beneficiários financeiros foram relacionados à investigação.
Outro núcleo investigado seria responsável pela atuação operacional e pela proteção da estrutura criminosa. A análise do material reunido identificou nove investigados aparecendo com armas de fogo, inclusive fuzis. Os policiais também encontraram registros de equipamentos bloqueadores de sinal, conhecidos como jammers, que poderiam ser usados para impedir o rastreamento de veículos roubados.
As buscas desta quinta-feira estão relacionadas a 25 pessoas identificadas ao longo da investigação. Segundo a Polícia Civil, a operação pretende atingir toda a cadeia criminosa, desde a obtenção dos veículos e a adulteração dos sinais identificadores até a venda pela internet e a movimentação financeira.
A operação recebeu o nome de Sinal Oculto em referência à estratégia investigada de esconder a verdadeira identidade de veículos de origem criminosa e substituí-la por dados de automóveis regulares, criando uma falsa aparência de legalidade.