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Caso Samylle: tio confessou que matou menina de 4 anos no RS, diz polícia
G1 — Brasil · 2026-08-27T13:29:07.000Z
Caso Samylle: tio confessou que matou menina de 4 anos no RS, diz polícia
A tia da menina Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, foi presa na manhã desta quinta-feira (27) em Porto Alegre. Segundo a Polícia Civil, o mandado de prisão preventiva contra Eduarda Beatriz foi cumprido por volta das 10h. O companheiro dela, Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, que confessou ter agredido a sobrinha, já estava preso preventivamente.
Samylle foi levada já sem vida pelos tios a uma UPA em Porto Alegre, com manchas roxas pelo corpo, na madrugada do dia 17.
O g1 tenta contato com a defesa de Eduarda, mas não conseguiu localizá-la até a última atualização desta reportagem.
A tia não teria participado das agressões, mas teria chegado em casa e visto Samylle com marcas de violência e não teria tomado nenhuma providência.
"Ela chegou em casa por volta, no máximo entre 21h e 21h30, ou seja, durante pelo menos três horas vendo a menina com as lesões, vendo a menina já no estado crítico, ela não tomou nenhuma providência para salvar a vida dessa menina", diz a delegada Alice Fernandes.
O atestado de óbito apontou politraumatismo como causa da morte.
Samylle morava há cerca de dois meses com os tios, com aval do Conselho Tutelar. Ela chamava de pai o homem investigado pelo crime.
A Polícia Civil trata o caso como homicídio doloso e aguarda os laudos da perícia para esclarecer as circunstâncias da morte.
O suspeito é assistido pela Defensoria Pública e a Polícia Civil tem o prazo de 10 dias para concluir o inquérito. Os procedimentos judiciais relacionados à família tramitam em segredo de Justiça porque envolvem crianças.
Caso Samylle: tia de menina de 4 anos morta após agressões é presa no RS
Ronaldo Bernardi/Agência RBS
Um infográfico do g1 reúne os principais acontecimentos desde abril de 2025, quando a família passou a ser atendida pela rede de proteção. Veja abaixo.
Menina de 4 anos morre no RS; tio é preso
Samylle Valentina Borba Ramiro
Abril de 2025: guarda é retirada da mãe
Em abril de 2025, a família de Samylle foi atendida pelo Conselho Tutelar. A guarda da menina foi retirada da mãe por meio de um termo de responsabilidade e repassada aos avós maternos. O histórico mostra que, desde então, a família passou por atendimentos do Conselho Tutelar, da Polícia Civil, da Justiça, do Ministério Público e da Defensoria Pública.
Setembro de 2025: investigação é enviada à Justiça
Em setembro de 2025, a Polícia Civil concluiu uma investigação envolvendo a família e encaminhou o inquérito à Justiça. No dia 29 daquele mês, foi realizada uma sessão de mediação entre familiares para tratar da guarda de Samylle.
Dezembro de 2025: menina volta para a mãe
Em 2 de dezembro de 2025, a Justiça homologou um acordo que devolveu a guarda de Samylle à mãe, com possibilidade de visitas do pai. A partir desse momento, a menina deixou de morar com a irmã mais velha, que também é criança.
Julho de 2026: tia assume responsabilidade provisória
Em julho de 2026, a tia de Samylle procurou o Conselho Tutelar da 3ª Região e informou que a mãe da menina enfrentava um problema de saúde. A tia passou a ser responsável provisoriamente pela criança por meio de um termo. A mudança não ocorreu por decisão judicial de guarda.
Segundo a defesa da mãe, a tia impedia que ela visitasse ou mantivesse contato com a filha. O pai também afirmou que não conseguia ver a menina. A mãe declarou à polícia que estava havia pelo menos dois meses sem encontrar Samylle e que não mantinha contato com a filha nem por videochamada.
9 de agosto: avós percebem ferimentos
Em 9 de agosto, durante um encontro de Dia dos Pais, os avós maternos perceberam ferimentos no corpo de Samylle. Eles receberam a informação de que as marcas haviam sido provocadas por uma queda.
13 de agosto: tia procura a Defensoria Pública
Quatro dias depois, em 13 de agosto, a tia procurou a Defensoria Pública. Ela recebeu orientação para reunir documentos e ingressar com uma ação de guarda definitiva, mas não retornou para apresentá-los.
17 de agosto: Samylle chega sem vida à UPA
Em 17 de agosto, Samylle foi levada pela tia e pelo tio à Unidade de Pronto Atendimento Bom Jesus. A menina chegou ao local já sem vida. Segundo a Polícia Civil, o tio deixou a unidade ao perceber a chegada dos policiais. A criança apresentava manchas roxas pelo corpo. O atestado de óbito confirmou que Samylle morreu em razão de politraumatismo.
20 de agosto: tio é preso preventivamente
Nicolas Gabriel Almeida Staubus foi preso preventivamente na manhã de 20 de agosto. Em depoimento, ele afirmou que deu "umas palmadas com intuito de correção no bumbum da menina em razão dela ter feito cocô nas calças", segundo a delegada responsável pelo caso. A Polícia Civil afirma que a versão não é compatível com as marcas encontradas no corpo da criança.
De acordo com a investigação, o tio era quem passava a maior parte do tempo com Samylle porque a tia trabalhava fora. Até o momento, a tia é considerada testemunha.
21 de agosto: Justiça mantém prisão
Após audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (21), o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul manteve a prisão preventiva do investigado. "O cumprimento do mandado de prisão foi considerado regular. O custodiado solicitou que sua defesa seja realizada pela Defensoria Pública", informou a defensoria.
O Ministério Público havia se manifestado favoravelmente à prisão preventiva e apontado a "extrema gravidade concreta dos fatos investigados".
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