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Dentista influencer indiciada por lesões em pacientes tem registro cassado pelo CRO-ES após nova denúncia

Dentista influencer é indiciada por lesão corporal após pacientes ficarem deformadas

G1 — Brasil · 2026-08-27T14:47:44.000Z

Dentista influencer é indiciada por lesão corporal após pacientes ficarem deformadas

O Conselho Regional de Odontologia (CRO) do Espírito Santo cassou o exercício profissional da dentista e influencer Mariana Laranja, indiciada pela Polícia Civil com o sobrinho e sócio, Nathan Laranja Roeder Holz, após pacientes relatarem deformidades, infecções graves e complicações permanentes depois de procedimentos realizados em uma clínica de Vila Velha, na Grande Vitória.

A decisão, a qual o Gazeta Meio Dia (TV Gazeta) e g1 tiveram acesso, também suspendeu as funções profissionais da clínica da dentista por 30 dias e teve como base uma nova denúncia. A defesa de Mariana Laranja foi procurada, mas não se pronunciou até a publicação da reportagem.

O pedido da cassação foi feito por uma paciente que sofreu lesões graves após a realização de um ultrassom microfocado em abril do ano passado — no documento, o CRO afirma que Mariana deixou de zelar pela saúde e dignidade da paciente e negou o acesso dela ao próprio prontuário, descumprindo, assim, os deveres do responsável técnico.

A cassação, no entanto, ainda não tem efeito prático. Para que a dentista seja efetivamente impedida de atuar, é necessário que a decisão seja confirmada pelo Conselho Federal de Odontologia.

Por nota, o CRO informou que Mariana foi oficialmente notificada da cassação no dia 9 de agosto e tem um mês para recorrer. Somente após o fim do prazo do recurso é que o processo será enviado à esfera federal.

Questionado sobre o funcionamento da clínica, a entidade disse que ''as informações relativas aos processos estão igualmente submetidas ao sigilo previsto na legislação, não sendo possível divulgar detalhes sobre sua tramitação ou conteúdo".

No documento que determina a cassação, o CRO afirma que a paciente sofreu queimaduras de segundo grau no pescoço e que a dentista não cuidou das lesões de forma adequada.

O conselho afirma, ainda, que fez buscas no sistema do Tribunal de Justiça do Espírito Santo e encontrou outros processos envolvendo Mariana e sua clínica e que, após a repercussão do caso, outras mulheres procuraram o CRO para formalizar denúncias semelhantes.

Mariana Barros Laranja Roeder, de 44 anos, foi indiciada por lesão corporal culposa após procedimentos de mini lifting facial realizados em clínica de Vila Velha, Espírito Santo

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Para o conselho, o conjunto de ações judiciais sugere que a profissional possui uma grande quantidade de intercorrências e que isso “é prova de fato notório que coloca em risco a saúde dos pacientes”. “É necessário que o CRO-ES adote medidas éticas adequadas e proporcionais para que a saúde dos pacientes seja protegida”, conclui o documento.

Procurado pela reportagem, o CRO informou que o processo ético tramita sob sigilo e que as decisões proferidas pelo conselho não são definitivas enquanto houver possibilidade de recurso com efeito suspensivo. “O CRO-ES reforça que todas as apurações são conduzidas de acordo com as normas que regulamentam o processo ético odontológico e com a garantia dos direitos assegurados às partes”, destacou.

Instituto Laranja, onde atuam Mariana e Nathan Laranja, fica na Praia da Costa, em Vila Velha, Espírito Santo

O Gazeta Meio Dia (TV Gazeta) e o g1 publicaram, com exclusividade, reportagens sobre o indiciamento pela Polícia Civil do Espírito Santo da dentista e influencer Mariana Laranja e do sobrinho e sócio dela, Nathan Laranja.

Mariana Barros Laranja Roeder, de 44 anos, e o sobrinho e sócio Nathan Laranja Roeder Holz, de 25, foram indiciados por lesão corporal culposa após procedimentos de mini lifting facial realizados em clínica de Vila Velha, Espírito Santo

O relatório final da investigação, concluído em abril de 2026, sobre o caso de três pacientes que fizeram "mini lifting facial" com os dentistas citados, detalha os depoimentos das vítimas, os procedimentos realizados dentro da clínica e as conclusões da polícia sobre a atuação dos profissionais.

As pacientes relataram deformidades, infecções graves e complicações permanentes depois de realizarem o procedimento na clínica em Vila Velha, na Grande Vitória.

O inquérito apontou que os profissionais não atendem aos requisitos técnicos mínimos e não demonstram aptidão para a realização de técnicas cirúrgicas invasivas de maior complexidade.

Desde o início da divulgação do caso, a defesa da dentista sustenta que os procedimentos foram realizados dentro de sua atuação profissional regular, em um contexto de debate técnico e jurídico sobre a harmonização orofacial no país.

Alega ainda que a profissional é devidamente habilitada, com formação e experiência na área, e que o próprio Conselho Federal de Odontologia posteriormente reconheceu a cirurgia estética orofacial como especialidade.

A defesa ressalta que o indiciamento representa apenas uma etapa inicial da investigação, sem conclusão definitiva, e destaca a necessidade de laudos periciais complementares, além de afirmar que intercorrências são possíveis em procedimentos estéticos e foram previamente esclarecidas aos pacientes

Mariana Barros Laranja Roeder, 44 anos, e o sobrinho e sócio Nathan Laranja Roeder Holz, 25, indiciados por lesão corporal culposa

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