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Surto de intoxicação por peixe é investigado em Fernando de Noronha

Pacientes foram atendidos no Hospital São Lucas

G1 — Brasil · 2026-08-27T15:33:54.000Z

Pacientes foram atendidos no Hospital São Lucas

Ana Clara Marinho/TV Globo

A Vigilância em Saúde de Fernando de Noronha investiga um surto de intoxicação após o consumo de peixe. O Hospital São Lucas atendeu oito pessoas, entre moradores e turistas, com sintomas de ciguatera na noite da quarta-feira (26). Todos os pacientes receberam atendimento e tiveram alta.

Segundo o gerente de Vigilância em Saúde, Guilherme Santos, os pacientes apresentaram diarreia, vômitos, dores musculares, redução dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial.

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O g1 entrou em contato com a Administração de Fernando de Noronha para obter mais informações sobre o atendimento hospitalar. Até a última atualização desta matéria, não houve resposta.

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco informou que cerca de 190 casos suspeitos de ciguatera foram registrados na ilha entre 2022 e 2025. Os casos envolvem moradores e turistas.

A informação consta em uma nota técnica divulgada pela secretaria por órgãos de vigilância em saúde.

Os nomes dos estabelecimentos relacionados aos novos casos não foram divulgados. A investigação começou assim que os pacientes com sintomas foram identificados no Hospital São Lucas.

“Fomos aos estabelecimentos e fizemos coletas de amostras de peixe. O material já foi enviado para o Recife para registro da Secretaria de Saúde e será encaminhado para um laboratório de referência no Rio Grande do Sul para análise”, declarou Guilherme Santos.

O gerente da Vigilância também informou que os pacientes serão monitorados e que os casos terão acompanhamento por, no mínimo, 90 dias.

“A ciguatera tem sintomas tardios. Entramos em contato com os pacientes após sete, 15 e 30 dias para saber se eles apresentam algum sintoma novo. Também ficamos à disposição da equipe que fizer o acompanhamento da pessoa no município de origem”, relatou.

O que é ciguatera

Gerente da Vigilância em Noronha explica o que é a ciguatera após surto na ilha

A ciguatera é uma intoxicação causada pela ingestão de peixes contaminados por toxinas produzidas por microalgas encontradas no mar (veja vídeo acima).

“Os peixes pequenos consomem a microalga e os peixes maiores comem os peixes menores. A toxina vai se acumulando nos animais. Quando o ser humano consome esse peixe, pode desenvolver os sintomas”, explicou Guilherme Santos.

O gerente da Vigilância em Saúde também informou que a toxina não é eliminada mesmo que o peixe seja cozinhado.

“A toxina não é eliminada mesmo que o alimento seja frito, cozido ou tratado com algum ácido”, declarou.

Quais peixes podem causar ciguatera

Em Fernando de Noronha, análises laboratoriais confirmaram a presença de ciguatoxinas em guarajuba e barracuda, peixes associados a casos de intoxicação na ilha.

Peixe barracuda é ums das espécies indicadas na intoxicação

Orientações da nota técnica

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco e órgãos de vigilância em saúde divulgaram orientações sobre o consumo de peixes em Fernando de Noronha após o registro de casos suspeitos de ciguatera. A doença é causada pela ingestão de peixes contaminados por ciguatoxinas.

Segundo a nota técnica, cerca de 190 casos suspeitos foram registrados na ilha entre 2022 e 2025, entre moradores e turistas. Os primeiros casos ocorreram em 2022 e foram associados ao consumo de guarajuba.

Análises laboratoriais de amostras de peixes consumidos por pessoas que apresentaram sintomas confirmaram a presença de ciguatoxinas em guarajuba e barracuda.

Até a elaboração da nota técnica, as toxinas não haviam sido identificadas em amostras de cavala e xaréu-preto analisadas.

A ciguatera pode causar náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais, formigamento, alteração na percepção de temperatura, fraqueza muscular, visão turva, queda da pressão e redução dos batimentos cardíacos.

Os sintomas geralmente desaparecem em algumas semanas. No entanto, alterações neurológicas podem permanecer por meses.

Não existe tratamento específico para a intoxicação. O atendimento médico é feito para aliviar os sintomas e dar suporte ao paciente.

A principal recomendação das autoridades é evitar o consumo de guarajuba e barracuda, principalmente peixes com mais de dois quilos provenientes de áreas onde houve registro de casos.

As autoridades também orientam que a espécie do peixe consumido seja identificada. Em caso de sintomas, é recomendado guardar uma porção do peixe congelada para possível análise.

Pescadores e estabelecimentos que comercializam ou servem peixes também devem restringir a oferta das espécies associadas aos casos.

Eles devem ainda manter informações sobre a origem e a espécie dos peixes e comunicar às autoridades de saúde relatos de pessoas que apresentarem sintomas após o consumo.

A nota técnica também determina o monitoramento permanente dos casos, a coleta de amostras de peixes e o acompanhamento da presença de microalgas do gênero Gambierdiscus, relacionadas à produção das ciguatoxinas.

O objetivo é entender a ocorrência da intoxicação e identificar períodos de maior risco em Fernando de Noronha.

Em caso de sintomas de ciguatera, moradores e turistas devem procurar atendimento médico e informar que consumiram peixe na ilha. O Hospital São Lucas é a unidade de referência para atendimento em Fernando de Noronha.

A nota técnica classifica a ciguatera como um problema de saúde pública de importância estadual. O documento também reforça a necessidade de notificar os casos e de integrar ações das áreas de saúde, meio ambiente, pesca e turismo, além de instituições de pesquisa.

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