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Paralisação em creches municipais afeta 1,2 mil alunos em Paulínia

Paralisação em creches municipais afeta 1,2 mil alunos em Paulínia

G1 — Brasil · 2026-08-27T15:22:52.000Z

Paralisação em creches municipais afeta 1,2 mil alunos em Paulínia

Educadoras infantis da rede municipal de Paulínia (SP) fazem uma paralisação, nesta quinta-feira (27), para reivindicar melhoras para a categoria e equiparação salarial. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Paulínia (STSPMP), o movimento ocorre após meses de negociações sem acordo.

A mobilização das trabalhadoras acontece no Paço Municipal, e algumas unidades amanheceram com aviso nos portões comunicando a paralisação.

De acordo com a Prefeitura de Paulínia, há 1.836 alunos matriculados nas creches e 1.200 foram impactados. O sindicato informou que a paralisação segue até às 17h desta quinta-feira e, depois, vão avaliar se as atividades serão retomadas.

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Em nota, a administração municipal lamentou os impactos provocados e disse que as servidoras que aderirem ao movimento poderão sofrer desconto no salário.

"A paralisação terá impactos na rotina de centenas de famílias e também às servidoras que aderirem ao movimento, uma vez que a ausência ao trabalho poderá resultar no desconto do dia, conforme a legislação vigente", diz trecho da nota - confira na íntegra abaixo.

O que diz o sindicato?

Educadoras de creches municipais fazem paralisação em Paulínia por equiparação salarial.

De acordo com o sindicato, as educadoras que atuam com crianças da primeira infância tiveram uma redução salarial de cerca de 35% desde o ano passado.

A entidade afirma que há uma legislação aprovada garantindo às profissionais os mesmos direitos e vencimentos das demais professoras da rede municipal, mas que, passados oito meses de negociações, a prefeitura ainda não cumpriu integralmente a medida.

O impasse se intensificou após o envio de três projetos de lei à Câmara Municipal. Para o sindicato, os textos não atendem às reivindicações das profissionais das creches porque não promovem a equiparação salarial, deixam dúvidas sobre a progressão na carreira, excluem professoras afastadas por problemas de saúde e preveem uma jornada que, segundo a entidade, não atende às necessidades das crianças.

Em comunicado divulgado à população, o sindicato pediu a retirada dos projetos e afirmou que as educadoras nunca deixaram de exercer suas funções com dedicação. "Não são professoras pela metade. São professoras por inteiro", diz um trecho da manifestação.

O que diz a prefeitura?

"A Prefeitura de Paulínia lamenta a paralisação desta quinta-feira, 27, realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores e pelo Movimento Somos Todas Professoras de Paulínia.

A paralisação terá impactos na rotina de centenas de famílias e também às servidoras que aderirem ao movimento, uma vez que a ausência ao trabalho poderá resultar no desconto do dia, conforme a legislação vigente.

A atual situação da carreira das educadoras é resultado de mudanças na legislação e de decisões judiciais.

Em 2025, a Prefeitura precisou cumprir decisão decorrente de uma ADIN relacionada à legislação municipal então vigente. Desde aquele momento, a Administração Municipal buscou alternativas para reduzir os impactos financeiros às profissionais.

Posteriormente, entrou em vigor legislação federal que reconheceu as profissionais como professoras e estabeleceu um piso salarial nacional de R$ 5.130.

Em Paulínia, entretanto, a remuneração média das profissionais atualmente é de aproximadamente R$ 8.500, sem considerar os benefícios. Portanto, a remuneração praticada no município permanece acima do piso nacional estabelecido pela legislação federal.

A partir da nova legislação, a Prefeitura iniciou uma mesa de negociação com representantes do Sindicato e do Movimento Somos Todas Professoras de Paulínia.

Ao longo das tratativas, a Administração atendeu às reivindicações que estavam dentro de sua competência e viabilidade administrativa, incluindo importantes avanços na estrutura da carreira.

Entre as medidas encaminhadas estão:

regulamentação de 1/3 da jornada destinado às atividades pedagógicas sem a presença dos alunos;

alteração da nomenclatura do cargo para Professoras de Educação Infantil;

inclusão das educadoras na mesma estrutura de carreira e tabela do magistério dos professores PEB;

garantia dos direitos previstos na carreira do Magistério, incluindo remoção e recesso escolar.

A principal divergência permanece relacionada à questão salarial. As representantes reivindicam a retomada da remuneração praticada antes das mudanças decorrentes da ADIN de 2025, quando a média salarial era de aproximadamente R$ 10.500.

A Prefeitura reconhece a importância da valorização dos profissionais da Educação, mas também precisa observar a responsabilidade fiscal e os limites orçamentários do município. Por esse motivo, as discussões sobre a questão financeira foram temporariamente suspensas, sem que o tema tenha sido encerrado.

Os três projetos de lei encaminhados à Câmara Municipal são fundamentais para que a Secretaria Municipal de Educação possa organizar adequadamente a estrutura da rede para o ano letivo de 2027, garantindo segurança jurídica e administrativa para profissionais, escolas e famílias.

A Prefeitura reforça que o diálogo com o Sindicato e com o Movimento será retomado para a continuidade das discussões sobre a questão financeira, dentro das possibilidades orçamentárias e legais do município, em momento oportuno.

A Administração Municipal lamenta os impactos provocados pela paralisação aos alunos e às famílias e reafirma seu compromisso com a valorização dos profissionais da Educação e com a oferta de uma educação pública de qualidade, acessível e responsável para todos os paulinenses."

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