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Dipanas Blues: o “Rock in Rio do Blues” que transforma o interior de Minas

Chamar o Dipanas Blues de “Rock in Rio do Blues” pode parecer ousado. Mas basta olhar para o que acontece em Pará de Minas para entender de onde vem a comparação. O Parque de Exposições Francisco Olivé Diniz deixou de ser simplesmente o…

G1 — Brasil · 2026-08-27T20:45:57.000Z

Chamar o Dipanas Blues de “Rock in Rio do Blues” pode parecer ousado. Mas basta olhar para o que acontece em Pará de Minas para entender de onde vem a comparação. O Parque de Exposições Francisco Olivé Diniz deixou de ser simplesmente o lugar onde aconteceria uma sequência de shows e se transforma em uma cidade dentro da cidade. São cinco espaços de apresentações, gastronomia, ruas cenográficas, bares, loja oficial, cerveja própria, áreas de convivência e uma série de experiências acontecendo ao mesmo tempo.

Mas para entender o tamanho dessa transformação é preciso voltar a 2012. O Festival Internacional Dipanas Blues nasceu de uma pequena festa de aniversário do bar Dipanas Bistrô, com cerca de 180 convidados. De lá para cá, cresceu ano após ano e passou a reunir grandes nomes do Blues e do Rock nacional e internacional, ajudando a difundir e democratizar o acesso a um gênero que está na raiz de boa parte da música que ouvimos hoje. O que começou como uma comemoração entre amigos se transformou em um dos principais festivais de Blues do Brasil, reunindo milhares de pessoas e atraindo público de diferentes regiões do país. Nesse caminho, o Dipanas Blues também se tornou um importante motor da economia criativa do Centro-Oeste de Minas Gerais, movimentando hotelaria, gastronomia, turismo, comércio, artistas, produtores, técnicos, fornecedores e uma extensa cadeia ligada à cultura e ao entretenimento. Um festival que nasceu em Pará de Minas, cresceu com a cidade e hoje ajuda a levar o nome do município e de Minas Gerais para o Brasil e para o mundo.

Fachada Dipanas Bistrô (onde tudo começou)

Fachada Dipanas Bistro (onde tudo começou)

Em 2026, na sua 14ª edição, o Dipanas Blues viveu um dos maiores capítulos de sua história. Marcelo Falcão, Toni Garrido, Sandra de Sá e o norte-americano Jimmy Burns estiveram entre as atrações de uma programação que reuniu 15 artistas nacionais, internacionais e regionais, distribuídos em cinco espaços de shows e conectando diferentes vertentes do Blues, Rock e Soul. Mas a grandiosidade da edição foi muito além da música. Gastronomia, entretenimento, ativações de marcas e uma verdadeira vila cenográfica transformaram o Parque de Exposições em um universo de experiências, onde sempre havia algo acontecendo, em diferentes pontos e momentos do festival.Foi nesse cenário que, no entardecer, o público foi surpreendido por um show de acrobacia aérea sobre o Parque de Exposições. Em outro ponto, um balão de balonismo levava as pessoas para o alto, proporcionando uma vista privilegiada do festival e da cidade de Pará de Minas. A experiência, assinada pela LEV Termoplásticos, virou uma das imagens mais marcantes da edição.

Foi nesse cenário que, no entardecer, o público foi surpreendido por um show de acrobacia aérea sobre o Parque de Exposições. Em outro ponto, um balão de balonismo levava as pessoas para o alto, proporcionando uma vista privilegiada do festival e da cidade de Pará de Minas. A experiência, assinada pela LEV Termoplásticos, virou uma das imagens mais marcantes da edição.

A Quatree também marcou presença em diferentes experiências do festival. A marca levou novamente sua tirolesa para dentro do parque, assinou o Espaço Pet e também o Palco Arena do Blues, conectando sua presença à música, ao entretenimento e à convivência com o público em diferentes momentos do evento.

É justamente quando se olha para tudo o que acontece além dos shows que a comparação com o Rock in Rio começa a fazer sentido. Não se trata de comparar tamanho, orçamento ou público com um dos maiores festivais do planeta. A semelhança está no conceito: a ideia de que as pessoas não compram um ingresso apenas para assistir a artistas, mas para entrar em um universo criado para ser vivido durante horas.

E é caminhando pelo festival que esse universo começa a ganhar forma. No coração dessa grande vila cenográfica está a Blues Street, a rua mais famosa do Dipanas Blues. Entre suas casinhas, o público também encontrava apresentações de buskers, artistas de rua que tocavam em contato direto com as pessoas dando ainda mais vida ao espaço. Um dos pontos mais fotografados do evento, a Blues Street se tornou um grande encontro entre música, público, cultura e marcas. Cada casinha é assinada por um patrocinador e ganha identidade, ambientação e história próprias, transformando a presença das marcas em parte do cenário e da experiência do festival. Em 2026, uma delas recebeu a Casa Benjamin, criada para contar a história do primeiro palhaço negro nascido em Pará de Minas, trazendo memória, cultura e representatividade para o coração do evento.

Ainda na Blues Street, um estúdio de podcast assinado pela BR Super levou o festival para além dos portões do parque. Com transmissões ao vivo, entrevistas e bastidores, o espaço conectou o que acontecia dentro do Dipanas Blues ao público nas plataformas digitais. Enquanto milhares de pessoas circulavam e registravam suas próprias experiências na rua, o conteúdo produzido ali ampliava o alcance do festival para quem acompanhava tudo de fora.

Seguindo por essa grande vila de experiências, a Arena Gastronômica se tornou outro ponto de encontro do festival. Assinada pela Granja Brasília, através da Real Alimentos, a arena reuniu 16 dos restaurantes mais renomados da região de Pará de Minas, transformando a gastronomia em uma atração à parte. O espaço contou ainda com o Palco Granja Brasília, que recebeu música do início ao fim do festival, criando um ambiente onde gastronomia, encontros e shows aconteciam juntos e faziam daquela arena um dos espaços mais vivos do Dipanas Blues.

Essa construção também transformou o próprio Dipanas Blues em produto. O festival conta com uma loja oficial de camisetas, bonés e souvenirs, além da Dipanas Blues Beer, cerveja oficial assinada pela Krug Bier. Mais do que produtos, são símbolos que levam a identidade do festival para além dos portões e reforçam um dos ativos mais importantes de uma grande marca de entretenimento: o pertencimento. Quem veste uma camiseta, leva um boné ou escolhe a cerveja oficial também leva consigo um pouco da experiência e mostra que faz parte daquele universo.

Essa identidade se espalhou por outros espaços do festival. O público encontrou uma adega de vinhos assinada pelo Supermercado Panelão, um bar conceito da Krug Bier e o Lounge Safol, que oferecia uma vista privilegiada para o palco e ganhou uma imponente guitarra cenográfica de mais de três metros de altura e transformou a presença da marca em um elemento visual integrado à cenografia do festival. O evento contou ainda com uma réplica do Dipanas Bistrô, o pub onde toda essa história começou trazendo para dentro do festival um pedaço de suas próprias raízes.

E a experiência estava também nos detalhes. Bags, tirantes, chaveiros, abridores e outros brindes circularam pelo parque e continuaram levando as marcas para além do evento. O Espaço Kids gratuito, assinado pelo Colégio Sagrado Coração de Maria, ofereceu às famílias mais conforto e tranquilidade para aproveitar o festival. Até os banheiros fugiram do óbvio: assinados pela Conservel, ganharam ambientação, cuidado e espaços pensados para fotos, transformando uma estrutura essencial em mais um ponto de experiência e relacionamento com o público.

Publico se diverte na tirolesa Quatree no Dipanas

Essa talvez seja uma das grandes apostas do Dipanas Blues: fazer com que patrocinadores não sejam apenas vistos, mas vividos. Em vez de limitar a presença das empresas a logotipos, placas e painéis, o festival cria possibilidades para que elas proporcionem algo ao público. Pode ser enxergar a cidade do alto de um balão, atravessar o festival em uma tirolesa, encontrar um espaço gratuito para os filhos ou criar um lugar que ninguém imaginaria fotografar.

E quando uma experiência funciona, acontece algo ainda mais valioso para as marcas: o público vira mídia. Fotos, vídeos e stories das ativações, dos shows e dos cenários continuam circulando muito depois do evento. O que acontece fisicamente em Pará de Minas ganha uma segunda plateia nas redes sociais.

Os números ajudam a dimensionar esse movimento. Em 2026, o Dipanas Blues recebeu visitantes de mais de 90 cidades e nove estados brasileiros e, segundo estimativa da organização, movimentou aproximadamente R$ 5 milhões na economia de Pará de Minas, impactando hotéis, restaurantes, bares, transporte, comércio e serviços. Quando milhares de pessoas começam a pegar a estrada para participar de um festival, ele deixa de ser apenas um evento da cidade e começa a se transformar em destino.

É aí que a expressão “Rock in Rio do Blues” ganha força. O Rock in Rio mostrou ao mercado brasileiro que um festival pode construir um universo próprio, onde música, gastronomia, produtos, experiências, entretenimento e grandes marcas convivem dentro de uma mesma história. Guardadas todas as proporções, é essa fronteira que o Dipanas Blues começa a atravessar no interior de Minas Gerais.

Para uma empresa, isso muda o significado de patrocinar o evento. A marca pode aparecer em uma placa, mas pode também colocar alguém no alto de um balão, proporcionar uma aventura, cuidar de uma família, criar um espaço que todo mundo queira fotografar, lançar um produto ou inventar uma experiência que ninguém esperava encontrar em um festival de blues.

Em 2027, essa história ganha um ingrediente especial. O Dipanas Blues chega aos 15 anos preparando uma edição comemorativa e com o desafio de ampliar ainda mais esse universo. A discussão já não passa apenas por quem estará no palco, mas pelo que o público ainda poderá viver ao redor dele e quais marcas estarão dispostas a construir essas experiências junto com o festival.

Ainda seria exagero comparar Pará de Minas à Cidade do Rock em tamanho. Mas talvez já não seja exagero comparar o conceito e a ambição.

Durante o mês de agosto, uma cidade do interior de Minas recebe gente de mais de 90 municípios, reúne grandes nomes da música, coloca pessoas para ver o festival do alto de um balão, promove acrobacias no céu, reúne 16 grandes restaurantes, cria sua própria cerveja, vende sua própria moda, transforma patrocinadores em experiências e movimenta milhões de reais.

Se o Rock in Rio mostrou ao Brasil que um festival pode se transformar em uma marca, o Dipanas Blues começa a mostrar que essa história também pode nascer no interior. E, às vésperas de completar 15 anos, o “Rock in Rio do Blues” quer voar ainda mais alto.

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