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Passarela desaba após ser atingida por caminhão e deixa dois mortos na rodovia Fernão Dias
G1 — Brasil · 2026-08-27T20:38:47.000Z
Passarela desaba após ser atingida por caminhão e deixa dois mortos na rodovia Fernão Dias
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu que o motorista investigado por provocar a queda de uma passarela na Rodovia Fernão Dias, em Vargem (SP), passe a responder por homicídio doloso, quando, segundo a acusação, se assume o risco de matar. O acidente matou mãe e filho no dia 18 de agosto.
Inicialmente, Deyvidson Temudo de Oliveira, de 42 anos, foi indiciado por homicídio culposo na direção de veículo automotor, quando não há intenção de matar, e por lesão corporal culposa, crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Além da mudança na classificação do crime, o MP pediu que Deyvidson permaneça preso e que o caso seja encaminhado ao Tribunal do Júri.
A manifestação do MP foi apresentada após a Polícia Civil concluir o inquérito nesta quinta-feira (27). No relatório final, o delegado Hermes Jun Nakashima afirma que há indícios robustos de que o caminhoneiro foi responsável pelo acidente.
A defesa de Deyvidson Temudo de Oliveira afirmou, em nota, que o motorista não teve intenção de provocar as mortes e que o caso deve ser tratado como homicídio culposo, e não doloso - leia mais abaixo.
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VÍDEO mostra momento em que passarela desaba e deixa dois mortos na Fernão Dias
Combinação de fatores
Segundo a investigação, entre os fatores que contribuíram para o acidente estão o excesso nas dimensões da carga, uma ultrapassagem próxima à passarela e a possível velocidade acima de 100 km/h.
Para o Ministério Público, a combinação desses fatores, considerando a experiência do motorista e o conhecimento que ele tinha sobre o transporte de cargas especiais, indica que Deyvidson teria assumido o risco de provocar as mortes.
Deyvidson foi preso após o acidente por homicídio culposo e lesão corporal culposa. A prisão foi convertida em preventiva após audiência de custódia. A defesa do caminhoneiro foi procurada pelo g1 e não havia se manifestado até a última atualização desta matéria.
Delegado Hermes Jum Nakashima falou sobre a prisão do motorista da carreta envolvida no acidente.
O que diz o MP?
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) defende que o caminhoneiro Deyvidson Temudo de Oliveira, de 42 anos, responda por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual.
O acidente aconteceu em 18 de agosto, no km 5 da Fernão Dias. A carreta conduzida por Deyvidson transportava um caminhão de grande porte quando a carga atingiu a estrutura da passarela, que desabou sobre a rodovia.
A queda matou Rosângela Soares Chaves, de 63 anos, e o filho dela, Douglas Soares Quaresma, de 40 anos, que estavam em um carro atingido pelos blocos de concreto. Um caminhoneiro que seguia atrás também ficou ferido.
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Rosangela Carlos Soares Chaves e Douglas Soares Quaresma morreram em queda de passarela.
Arquivo pessoal/cedida família/Odair Quinzani
MP aponta que motorista assumiu risco
Na manifestação enviada à Justiça, o promotor Cristiano Pereira Moraes Garcia afirma que a conduta do motorista foi além de uma simples imprudência.
Segundo o MP, Deyvidson é motorista profissional há cerca de 30 anos e conhecia a Rodovia Fernão Dias. A acusação considera que ele sabia das dimensões da carga e, mesmo assim, fez uma ultrapassagem sob a passarela, sem a escolta obrigatória para aquele tipo de transporte.
Para o promotor, esse conjunto de circunstâncias indica que o motorista assumiu o risco de provocar um acidente com mortes.
Velocidade também é investigada
Deyvidson afirmou que trafegava a aproximadamente 85 km/h. Uma análise preliminar do tacógrafo, porém, apontou registros que podem indicar velocidade próxima ou superior a 100 km/h.
O laudo oficial do equipamento ainda será anexado ao processo. O motorista fez teste do bafômetro após o acidente, com resultado 0,00 mg/L.
Carga tinha dimensões acima das autorizadas
O caminhão transportado pela carreta tinha aproximadamente 5,45 metros de altura e 3,75 metros de largura. A primeira autorização apresentada aos policiais permitia uma carga de até 4,40 metros de altura e 3,30 metros de largura.
Depois, a empresa apresentou uma Autorização Especial de Trânsito (AET), emitida pelo DNIT, que permitia 5,40 metros de altura e 3,72 metros de largura. A diferença entre as medidas ainda é analisada pela investigação.
Motorista continua preso
Deyvidson está preso preventivamente. A defesa pediu a liberdade provisória, mas o Ministério Público se manifestou contra a soltura. Ainda não havia decisão da Justiça sobre o pedido.
O MP também pediu que o processo seja encaminhado para a Vara do Júri de Bragança Paulista, por considerar que o caso envolve crime doloso contra a vida.
A definição sobre a classificação do crime ainda cabe à Justiça. O processo também aguarda a juntada de laudos da Polícia Científica, do tacógrafo e da Polícia Rodoviária Federal.
O que diz a defesa?
A defesa de Deyvidson Temudo de Oliveira, motorista profissional envolvido no acidente ocorrido em 18 de agosto, na Rodovia Fernão Dias (BR-381), em Vargem (SP), manifestou condolências às famílias de Douglas Soares Quaresma e Rosangela Carlos Soares Chaves e desejou recuperação a Fabiano de Andrade Silva, terceiro envolvido no acidente.
Segundo os advogados, Deyvidson é motorista profissional há cerca de 20 anos, não tem antecedentes criminais e não teve a intenção de provocar as mortes.
A defesa afirma ainda que o motorista colaborou com as investigações desde o início e se submeteu voluntariamente ao teste do bafômetro, que teve resultado negativo.
Os advogados também dizem que, até o momento, não foi constatada irregularidade na atividade profissional de Deyvidson ou nas cargas transportadas. Segundo a defesa, os veículos e as cargas estavam autorizados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Para a defesa, o caso deve ser tratado como um acidente de trânsito e a conduta atribuída ao motorista se enquadraria em homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e não em crime doloso.
Os advogados também questionam a conclusão da investigação. Segundo eles, embora o relatório final tenha sido apresentado nesta quinta-feira (27), ainda estão em elaboração laudos considerados essenciais para esclarecer a dinâmica do acidente, incluindo perícias, análise do tacógrafo e relatório da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A defesa afirma, por fim, que a manutenção da prisão preventiva representaria uma antecipação de pena e pede que a Justiça determine a soltura de Deyvidson para que ele acompanhe o processo em liberdade.
Empresa do caminhão investigada
A empresa responsável pela carreta que transportava o caminhão também é investigada. Ela foi identificada como DM Logística, Comércio e Terraplenagem Ltda. O g1 procura a defesa da empresa.
De acordo com o processo, os representantes foram intimados a prestar esclarecimentos e apresentar documentos sobre a contratação do frete e as condições do transporte. A polícia também apura quem era responsável pelas dimensões da carga e pelo cumprimento das exigências para o transporte.
Em manifestação no processo, a empresa afirmou que vai colaborar com a investigação e lamentou o acidente. Segundo a DM Logística, o motorista era habilitado para o transporte, tinha experiência com cargas especiais e estava sóbrio. A empresa também afirmou que o frete tinha autorização do DNIT para as dimensões da carga.
Infográfico: Passarela desaba e deixa dois mortos na Fernão Dias, em SP
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