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Quatro são denunciados por morte de menino afogado em parque de Olinda
G1 — Brasil · 2026-08-27T23:39:50.000Z
Quatro são denunciados por morte de menino afogado em parque de Olinda
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciou quatro pessoas pela morte de Bryan Henrique de Souza Barros, de 7 anos, que se afogou em uma piscina do parque aquático Olinda Via Park, em Olinda, no dia 25 de julho. Entre os acusados está a mãe da criança, que foi denunciada por abandono de incapaz qualificado pelo resultado morte.
A denúncia foi apresentada à Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Olinda e aponta responsabilidades diferentes para o proprietário do estabelecimento, duas guarda-vidas e a mãe da criança.
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Os denunciados foram os seguintes:
Tony Hsu Chuncki: proprietário e administrador do parque denunciado por homicídio qualificado pela asfixia, na modalidade de dolo eventual;
Chaiane Kelli Gomes da Silva e Clarice Daniely Alves da Silva: guarda-vidas denunciadas por homicídio culposo por omissão imprópria, com inobservância de regra técnica de profissão;
Emylly Vitória de Souza Pereira: mãe de Bryan, denunciada por abandono de incapaz qualificado pelo resultado morte.
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Bryan Henrique estava no parque aquático com a mãe e havia outras crianças na piscina. Conforme a denúncia, a mãe de Bryan, Emylly Vitória de Souza Pereira, teria permitido que o menino entrasse na piscina infantil sem equipamento de flutuação, mesmo sabendo que ele não sabia nadar e tinha medo de ambientes aquáticos.
Ainda conforme o documento, ela estava acompanhada de amigos, tinha bebido e deixou Bryan sozinho na água por volta das 15h30, enquanto ia ao banheiro na parte superior do estabelecimento. Ela permaneceu fora do local por volta de seis minutos e, conforme o MPPE, não tinha pedido a outra pessoa para acompanhá-lo, nem pedido que o menino deixasse a piscina.
Para a 10ª Promotoria de Justiça Criminal de Olinda, essa conduta configurou abandono de incapaz com resultado morte.
A Polícia Civil informou que concluiu o inquérito sobre o caso e encaminhou o procedimento ao MPPE com o indiciamento das quatro pessoas. A corporação afirma que as responsabilidades foram individualizadas.
A denúncia do MPPE é uma acusação formal e, se for aceita pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), os denunciados ainda terão direito à defesa. O g1 tentou, mas não conseguiu contato com os acusados.
Dinâmica dos fatos
De acordo com a denúncia, Bryan entrou na piscina por volta das 15h30. Imagens de videomonitoramento analisadas pela investigação mostram que a criança caminhou da parte rasa para a área funda às 15h30min47s e começou a se afogar três segundos depois.
Ainda segundo o documento, as duas guarda-vidas estavam sentadas em um banco na borda da piscina, a 11,3 metros do ponto onde o menino começou a se afogar.
O MPPE afirma que elas tinham campo de visão desobstruído para o local, mas não perceberam a situação.
A denúncia afirma ainda que, às 15h30min57s, uma das guarda-vidas, Chaiane, se aproximou da borda para retirar outra criança da água. Ela estava a poucos metros de Bryan, que já estava se afogando, mas deixou o local sem prestar socorro.
O menino teria submergido completamente às 15h32min10s. Conforme o MPPE, ele permaneceu desacordado no fundo da piscina por mais de cinco minutos e só foi encontrado às 15h36min05s, quando outras crianças e banhistas o retiraram da água.
As guarda-vidas, segundo a denúncia, só começaram as manobras de reanimação depois que Bryan foi colocado na borda da piscina. Ele foi levado em um veículo particular para a UPA da Tabajara, em Olinda, onde a morte foi constatada.
Proprietário assumiu risco de morte
O MPPE acusa Tony Hsu Chuncki de ter mantido o parque em funcionamento sem autorização dos órgãos públicos, segundo a denúncia.
O documento afirma que o estabelecimento não tinha alvará de funcionamento municipal, licença do Corpo de Bombeiros, nem projeto aprovado de segurança contra incêndio e pânico.
Ainda de acordo com a acusação, a piscina infantil/recreativa era diretamente ligada à área de desembarque de um toboágua de grande porte. Não havia, segundo o MPPE, separação física entre as áreas.
A denúncia aponta que a parte rasa da piscina tinha entre 0,55 metro e 0,75 metro, enquanto a parte funda variava de 1,45 metro a 1,54 metro. Entre elas havia, conforme o documento, uma "mudança abrupta" de aproximadamente 90 centímetros.
O Ministério Público afirma também que não havia sinalização ou marcação de profundidade nas bordas ou no piso de acesso.
A denúncia cita ainda que o proprietário teria conhecimento de outros incidentes na mesma piscina, incluindo um quase afogamento ocorrido às 9h55 do mesmo dia em que Bryan morreu.
Mesmo assim, segundo o MPPE, o parque continuou aberto e lotado, sem equipe médica, ambulatório ou equipamentos considerados essenciais para suporte à vida.
Por esses motivos, o Ministério Público sustenta que Tony assumiu o risco de provocar a morte de frequentadores e o acusa de homicídio qualificado por asfixia, com dolo eventual.
Já com relação às guarda-vidas, segundo o MPPE, as duas tinham o dever de evitar situações de risco dentro da piscina. A acusação afirma que elas deixaram de cumprir regras técnicas básicas da atividade e não mantiveram vigilância contínua sobre o local.
A denúncia afirma que a investigação reuniu imagens de videomonitoramento, depoimentos de testemunhas, laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto de Medicina Legal, além de relatório de vistoria do Corpo de Bombeiros.
O Olinda Via Park fechou temporariamente após a morte de Bryan. Na época, a administração afirmou que prestou os primeiros socorros no local, manifestou solidariedade à família e disse que estava colaborando com as autoridades para esclarecer o caso.
Agora, com a conclusão do inquérito e a denúncia do MPPE, o Ministério Público pediu à Justiça que os quatro denunciados respondam ao processo e, ao final, sejam pronunciados para julgamento pelo Tribunal do Júri.
A Promotoria também pediu a interdição do Olinda Via Park até que o estabelecimento seja regularizado perante a Prefeitura e o Corpo de Bombeiros.
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