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O fungo ‘rejuvenescedor’ produzido em estufas superúmidas que ganha espaço com cultivo sustentável

CASAL DE PRODUTORES APOSTA NO CULTIVO DE COGUMELO EM CAMPO GRANDE

G1 — Brasil · 2026-08-28T08:03:40.000Z

CASAL DE PRODUTORES APOSTA NO CULTIVO DE COGUMELO EM CAMPO GRANDE

Utilizado em receitas e conhecido pelo sabor e pela textura, o shimeji branco exige técnica, ambiente controlado e manejo diário para garantir qualidade e produtividade.

Em Campo Grande, o produtor rural Rodrigo de Figueiredo aposta no cultivo do fungo de forma natural e sem agrotóxicos para ampliar a produção e conquistar espaço no mercado.

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🔎 Cultivado em estufas, o cogumelo é produzido a partir do reaproveitamento de resíduos, em um processo que envolve secagem, moagem, assepsia, pasteurização, inoculação do micélio e controle rigoroso de temperatura e umidade.

Para Rodrigo, o shimeji branco também se destaca por suas características nutricionais, que, inclusive, auxiliam no combate ao envelhecimento precoce.

“O cogumelo é o shimeji branco, ele é um cogumelo de proteína zero gordura, rico em vitamina B6, B12. É rejuvenescedor e antioxidante, ele é rico em todos os aminoácidos essenciais para o nosso corpo funcionar”, afirma.

Shimeji branco é produzido em estufa

Arquivo TV Morena

Produção começou durante a pandemia

A ideia de produzir cogumelos surgiu durante a pandemia de Covid-19. Rodrigo trabalhou por 20 anos como transportador escolar, mas deixou a atividade depois que as restrições impostas durante o período de isolamento interromperam seu trabalho.

“Minha família também trabalhou muito com isso [transporte escolar], mas até então eu era o único remanescente ainda. Só que daí veio a pandemia, me barrou de trabalhar e resolvi mudar de ramo”, conta.

A mudança aconteceu depois que um amigo ensinou Rodrigo a produzir cogumelos. O cultivo é praticamente artesanal e exige uma sequência de etapas e técnicas específicas até que o produto chegue ao consumidor, explica o produtor.

Do capim ao shimeji

Produção de shimeji começa com capim-colinião

O primeiro passo da produção é a coleta do capim-colonião, feita pela equipe no próprio bairro onde os cogumelos são produzidos. O material passa por um período de secagem.

🔎 O capim-colonião é uma gramínea perene originária da África e bastante utilizada na pecuária como forragem para o gado.

Depois de seco, o capim é moído e colocado em caixas-d’água de mil litros com cal.

“O cal faz a primeira assepsia de todo esse capim. A gente deixa emergido aqui por uns 20 a 30 minutos”, explica Rodrigo.

Na sequência, ocorre a pasteurização. O material é colocado em cestos telados e levado para barris de metal.

“A gente emerge ele, completa com um pouquinho de água, e espera o processo de fervura, de pasteurização dele”, afirma.

Depois, quando o material atinge uma temperatura morna, a equipe inicia o processo de ensacamento do insumo misturado ao micélio, a parte vegetativa do fungo formada por uma rede de filamentos chamados hifas.

“Essa parte vai exigir então essa prática que a gente já sabe mais ou menos intercalar, já sabe também a temperatura ideal que o capim tem que estar”, explica a produtora rural Tainá Péclat.

Estufa simula condições ideais

Os últimos passos acontecem dentro de uma estufa, onde temperatura e umidade precisam ser controladas. O ambiente é mantido entre 20°C e 24°C, com umidade do ar acima de 90%.

Depois de ensacados, os insumos ficam por 15 dias em uma área chamada de berçário. O espaço é formado por prateleiras cobertas com lonas para impedir o contato com a luz.

Após esse período, os sacos são levados para prateleiras sem as lonas. Ali, permanecem durante cinco dias, com 12 horas de contato com a luz e 12 horas no escuro.

Depois vem a frutificação, etapa em que os shimejis brancos começam a surgir para fora dos sacos. A partir daí, os cogumelos podem ser colhidos, conta Rodrigo.

“A gente traz pra dentro da estufa, porque a gente consegue replicar um bioma perfeito para que ele prolifere e consiga frutificar. A gente consegue controlar a temperatura e a umidade porque é um mix dessas duas variáveis que faz o clima propenso para que eles se propaguem”, explica Rodrigo.

Para manter a umidade necessária, a estufa é equipada com um aparelho chamado Fogger, que transforma a água em vapor.

“O cogumelo não pode ter contato direto com a gotícula da água, mas o vapor da água ele pode ter esse contato. Então o Fogger transforma a água líquida em vapor, transformando em umidade controlada dentro da estufa”, detalha.

Vender foi um dos principais desafios

Depois de dominar as técnicas de produção, Rodrigo encontrou outro obstáculo: vender os cogumelos.

“A gente já teve um êxito logo de começo em como produzir os cogumelos, mas ao mesmo tempo que sabia produzir, eu não sabia o lado de vendas”, relata.

Sem conseguir comercializar toda a produção, a equipe teve perdas significativas. Segundo Rodrigo, a situação começou a mudar com a chegada de Tainá, que passou a ajudar na área de vendas.

“Ele já estava iniciando e quando eu cheguei ele falou, ‘ah vou te levar lá pra conhecer ele e tudo mais’. E aí foi quando eu falei, ‘não, vamos junto, vamos caminhar e vamos seguir esse novo, essa nova possibilidade’”, conta Tainá.

Atualmente, o casal trabalha com o shimeji branco há cinco anos. Segundo eles, nesse período passaram a dominar melhor as técnicas de produção e comercialização, mas ainda pretendem ampliar o negócio.

“A gente tem vendido mais ou menos uma média de 100 a 150 quilos dele fresco in natura e caponata a gente vende bastante, mais de 10 caixas por mês”, afirma Rodrigo.

Shimeji também virou caponata

Empresa investe em shimeji in natura e caponata

Além da venda do cogumelo fresco, o casal encontrou uma alternativa para ampliar os produtos comercializados: a caponata de shimeji branco.

Segundo Rodrigo, a receita surgiu a partir de uma preparação feita pela família de Tainá. A ideia foi substituir a berinjela pelo cogumelo.

“A caponata é uma receita incrível que veio já da família da Tainá e quando ela me conheceu a mãe dela fez para eu experimentar e daí eu dei a ideia de fazer a substituição da berinjela pelo shimeji branco e deu essa receita incrível que já era e permaneceu com outros valores, outros sabores”, conta.

A receita leva azeite, tomate seco, castanha-do-Pará ou de baru, azeitona, cebola e alho, além de outros ingredientes e dos “segredinhos de família”, como define Rodrigo.

Segundo ele, a caponata passou a ter uma demanda significativa e hoje é um dos principais produtos comercializados pelo casal.

“A nossa expectativa sobre a caponata foi assertiva, a gente anda tendo uma demanda muito boa, a gente anda indo para as feiras hoje, mas focado em vendas de caponata. Nossa in natura também pelo nosso canal de vendas, a gente também faz os nossos atendimentos aos nossos clientes”, explica.

Produção cresce junto com a família

Para o casal, o objetivo é continuar aumentando a produção aos poucos, sem deixar de lado a rotina familiar.

“O nosso futuro é continuar crescendo devagarinho do jeito que a gente está fazendo, sem pressa”, afirma Rodrigo.

Tainá destaca que a possibilidade de realizar parte das vendas pela internet permite conciliar o trabalho com a convivência familiar.

“A gente tem essa possibilidade de fazer vendas online, então a gente está em casa, a gente pode estar perto da família, perto dos filhos”, afirma.

Rodrigo também vê na filha um incentivo para continuar o projeto.

“Todo o processo vai crescendo, mas a partir dessa energia que ela vai proporcionar e já proporciona, esse gás a mais que ela nos veio para nos dar. E aí eu, lógico, não vejo a hora de ter ela já andando do meu lado, participando”, diz.

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