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'Pensa que não queima, mas queima': vereador de SP ataca colega e OAB repudia fala homofóbica em SP; VÍDEO

Vereador faz referências à orientação sexual de colega durante sessão em Registro

G1 — Brasil · 2026-08-28T08:29:27.000Z

Vereador faz referências à orientação sexual de colega durante sessão em Registro

O vereador Amarildo Carlos Simoni Lopes (PSD) fez referências à orientação sexual do colega Jefferson Pécori (PT) durante uma sessão ordinária na Câmara de Registro, no interior de São Paulo. A fala do parlamentar viralizou nas redes sociais e gerou repercussão na cidade (assista acima).

A situação aconteceu durante uma discussão sobre uma obra pública em um trecho da rodovia SP-139. Na ocasião, Pécori afirmou que o projeto prevê a destruição de parte da Praça do Cecap, que foi revitalizada recentemente após um investimento de aproximadamente R$ 500 mil.

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Amarildo, que atua como líder do governo do prefeito Samuel Moreira (PSD), rebateu os argumentos de Pécori e destacou que o impacto na praça será mínimo. Em seguida, passou a fazer referências à orientação sexual do parlamentar.

"Esse vereador tem um problema sério. Ele tem uma fixação pelo prefeito Samuel, ele saiu daqui falando do prefeito Samuel. Samuel é hétero, rapaz, para com isso. Samuel é hétero, entendeu?", disse o parlamentar, que continuou:

"Não é gente aí, que parece o sol do meio-dia. Pensa que não queima, mas queima. Então, vamos parar com essa fixação. Samuel é hétero, é casado, tem dois filhos. Ele não finge que é. Então, para com essa fixação, que é uma coisa até vergonhosa", afirmou.

Vereador Amarildo Carlos Simoni Lopes (à esq.) fez referências à orientação sexual do colega Jefferson Pécori (à dir.) durante uma sessão na Câmara de Registro (SP)

Nota de repúdio

A fala motivou uma nota de repúdio da Comissão da Diversidade Sexual, de Gênero e Raça da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Iguape (SP). A instituição classificou as declarações como homofóbicas.

A presidente da comissão, Dina Alves, afirmou que a manifestação extrapolou os limites do debate político ao usar a orientação sexual como instrumento de ataque e desqualificação. Ela ressaltou que a vida afetivo-sexual de qualquer pessoa não tem relação com a legitimidade de críticas ou com a fiscalização de obras públicas.

"A Comissão considera grave e incompatível com o debate democrático a utilização da orientação sexual, real ou presumida, como instrumento de ataque ou desqualificação política", acrescentou ela.

Amarildo Carlos Simoni Lopes (PSD)

Por meio de nota, Amarildo afirmou que a fala foi motivada pela fixação "anormal e doentia" que o vereador mantém em relação ao prefeito, independentemente do tema em pauta. Ele acrescentou que Pécori entendeu a declaração, mas preferiu se colocar como vítima.

"Não sou homofóbico. Nunca tive qualquer tipo de preconceito relacionado à orientação sexual, gênero ou raça, e minha trajetória pública e pessoal em Registro é prova disso. Convivo e respeito todas as pessoas, e minha fala naquela sessão não teve, em nenhum momento, essa intenção", disse Amarildo.

Sobre o repúdio da Comissão, ele afirmou que levará o caso ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB de São Paulo, pois acredita que o autor da nota tinha a obrigação de ouvi-lo antes de se manifestar publicamente.

"Lamento que um profissional medíocre tenha optado por se promover às custas de uma fala retirada de seu contexto, em vez de tratar o assunto com a seriedade que o debate público exige [...] Não vou aceitar que uma divergência política seja utilizada para construir uma acusação", finalizou.

Jefferson Pécori (PT)

Também por meio de nota, Pécori afirmou que estava exercendo o direito do mandato, fiscalizando uma obra pública e cobrando explicações sobre a utilização dos recursos. Ele destacou que Amarildo poderia ter respondido com dados, argumentos e documentos.

"Não importa qual seja a minha orientação sexual. O que importa é que utilizar esse expediente para tentar humilhar uma pessoa significa recorrer a um preconceito que historicamente humilha, silencia e violenta milhões de seres humanos", ressaltou o vereador.

Pécori disse que existe uma responsabilidade política, pois Amarildo fez essas declarações no exercício da liderança do governo, utilizando o espaço que lhe foi dado pelo prefeito para representá-lo na Câmara. Por isso, ele acredita que Samuel deve se manifestar sobre o ocorrido.

"Não se trata apenas de uma agressão pessoal: quando um agente público utiliza esse tipo de discurso, ele atinge direitos coletivos da população LGBTQIAPN+, justamente um dia depois do Festival da Diversidade, que promoveu respeito, inclusão e cidadania", relatou Pécori.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de Registro afirmou que o exercício do mandato parlamentar é marcado pela independência e pela liberdade de atuação do vereador.

Segundo a administração da cidade, o exercício de líder do governo está relacionado à articulação dos projetos e das pautas do Executivo junto ao Legislativo e não significa que todas as manifestações ou posicionamentos do vereador representem a posição do prefeito, ou da Prefeitura de Registro.

"A administração municipal reafirma o compromisso com o diálogo e com uma atuação pautada pelo respeito às pessoas, à diversidade e aos princípios democráticos", finalizou.

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