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'Planos de ficar rico.com': inquérito revela grupo de WhatsApp criado para planejar roubo de R$ 800 mil e ouro em Roraima

Esposa de policial criou grupo 'Planos de ficar rico.com’ dois dias antes de roubo de ouro em RR.

G1 — Brasil · 2026-08-28T09:00:39.000Z

Esposa de policial criou grupo 'Planos de ficar rico.com’ dois dias antes de roubo de ouro em RR.

Dois dias antes do roubo de 30 kg de ouro e R$ 800 mil em Boa Vista, a esposa do investigador Marcelo Henrique Sobral, da Polícia Civil de Roraima, criou um grupo de WhatsApp chamado "Planos de ficar rico.com" para o planejamento do crime e comunicação entre os suspeitos.

A descoberta faz parte do inquérito da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Corregedoria-Geral da corporação, ao qual o g1 teve acesso. A farsa passou a ser investigada depois que um comprador de ouro registrou o assalto na polícia.

Faziam parte do grupo a criadora, Ariane Cabral Paes, o marido dela e policial civil de Roraima, Marcelo Henrique de Araújo Sobral, a irmã dela, Rayana Cabral Paes, e o namorado de Rayana, Guilherme Santana da Silva. Todos são investigados no caso e chegaram a ser presos.

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Segundo o inquérito, o grupo serviu para combinar os preparativos, a execução e o acompanhamento da falsa operação policial na casa em que o influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães morava, no bairro Caçari. O crime ocorreu no dia 29 de março de 2026.

Para tentar apagar os rastros do crime, a maior parte das mídias era enviada com visualização única, o que dificultou a recuperação das mensagens.

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Em nota, a defesa do delegado John Castilho diz que foi surpreendida pela prisão preventiva dele, decretada no dia 25 de agosto, nega qualquer participação do cliente no crime e destaca que ele é concursado e sem antecedentes criminais.

Já a defesa de Ivan Luiz Bastos Guimarães afirmou que não há, até o momento, provas de que ele tenha planejado ou participado do roubo. Segundo os advogados, a acusação ainda não foi julgada e Ivan deve ser tratado como inocente até o fim do processo. Também afirmou que pretende demonstrar que ele foi vítima do crime.

O g1 tenta contato com a defesa de todos os citados.

Máscara ninja e escolha da viatura

Na tarde de 27 de março, Rayana enviou no grupo uma foto do namorado Guilherme dentro de um carro. Na imagem, ele vestia uma blusa preta e uma touca ninja que cobria todo o rosto. Em seguida, o policial Marcelo Sobral confirmou a prontidão e escreveu: "Pronto para a operação".

Guilherme Santana da Silva, investigado por roubo de dinheiro e ouro, aparece com roupa tática em grupo com outros investigados.

No sábado (28), véspera do crime, o delegado John Castilho e o investigador Diego Araújo dirigiram de Manaus a Boa Vista em uma picape alugada. Os agentes avisaram Marcelo Sobral que se atrasaram na viagem e perguntaram se a viatura já estava "em condições para amanhã". As mensagens deles foram encaminhadas ao grupo.

O atraso, no entanto, gerou nervosismo e desconfiança entre os membros nos bastidores. Em conversa privada, Ariane avisou à irmã que o marido, Marcelo Sobral estava "apreensivo". Com medo, Rayana chegou a questionar se os policiais do Amazonas não estariam armando uma uma armadilha contra o cunhado.

A suspeita só passou após o grupo decidir mudar o veículo do crime. Para não levantar suspeitas, decidiram realizar o roubo usando uma caminhonete Ford Ranger branca, viatura oficial descaracterizada da corporação em Roraima.

O dia do crime e "Bingo"

Horas antes do assalto, no dia 29 de março, o investigador Marcelo ordenou que Guilherme usasse roupas escuras e lisas, com a mensagem "sem nomes". Após mandar uma foto também uniformizado, às 17h26, ele deu a ordem de partida no grupo com a mensagem "Bora".

Investigador Marcelo Sobral, da PC de Roraima, orienta sobre roupas e envia foto antes de roubo.

O grupo usou a caminhonete oficial para cercar a casa alvo às 19h15. Exatamente às 19h59, logo após os executores saírem do local com o ouro e o dinheiro, Guilherme enviou a palavra "Bingo" no chat para sinalizar o sucesso do roubo. Ariane, que aguardava em casa, comemorou na mesma hora.

À noite, as irmãs voltaram a trocar mensagens para dividir o dinheiro vivo levado das vítimas e da "falsa vítima" (Ivan Luiz). Ariane informou que o marido daria R$ 20 mil para Rayana. Rayana respondeu que o namorado, Guilherme Santana, pagaria outros R$ 5,4 mil, quantia referente a um carro.

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O clima de comemoração durou pouco. O grupo entrou em desespero ao descobrir que o roubo havia sido denunciado pelo comprador de ouro e que a Corregedoria investigava o uso da viatura oficial em sigilo.

O avanço das apurações abalou o investigador Marcelo Sobral. Em mensagens enviadas à esposa no dia 12 de junho, obtidas pela perícia, ele demonstrou instabilidade psicológica com o rumo das investigações.

Na conversa privada, o policial desabafou: "Só não dou um fim nisso pq vcs vão passar dificuldades". Na sequência, Sobral declarou que sentia "vontade de ir lá e matar um por um", segundo ele, "cada um que me prejudicou". dos envolvidos. Ariane pediu ao marido que não fizesse nada: "Não faz isso".

Conversa entre Marcelo Sobral e esposa Ariane mostra abalo do policial após início de investigações de roubo.

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