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Corregedoria e MP fazem operação contra policiais civis de SP
G1 — Brasil · 2026-08-28T09:11:14.000Z
Corregedoria e MP fazem operação contra policiais civis de SP
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Corregedoria da Polícia Civil deflagraram, na manhã desta sexta-feira (28), uma operação contra um grupo suspeito de cobrar propina para liberar cargas ilegais de celulares e outros eletrônicos interceptadas por policiais civis.
Ao todo, a Justiça decretou sete prisões preventivas, sendo quatro contra policiais civis de São Paulo. Também são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão.
Os quatro policiais civis que tiveram a prisão preventiva decretada são Jonathan Vieira, Bruno Moreno, José Nishi e Sidiclei Almeida.
O g1 tenta localizar as defesas dos investigados. O espaço segue aberto para manifestação.
Dos sete alvos de mandados de prisão preventiva, quatro haviam sido presos até a última atualização desta reportagem. Segundo os investigadores, um dos procurados está no Paraguai e outros dois ainda não haviam sido localizados.
Segundo a investigação, os policiais interceptavam cargas de eletrônicos de origem irregular e, em vez de apreender integralmente as mercadorias, exigiam dos responsáveis pagamentos equivalentes a cerca de 70% do valor da carga para liberá-la total ou parcialmente.
Em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024, o esquema teria cobrado cerca de R$ 2,35 milhões em propina, de acordo com a investigação.
Entre os sete alvos de prisão estão quatro policiais civis, um advogado apontado como intermediário do esquema e dois suspeitos de comandar o contrabando das mercadorias.
A Justiça ainda determinou o afastamento de um outro policial civil de 1ª classe da função pública, o recolhimento de suas credenciais de acesso aos sistemas policiais e a proibição de manter contato com investigados e testemunhas.
Batizada de Operação Merx, a ação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e do Departamento de Operações Estratégicas da Polícia Civil (Dope).
Os investigadores apuram os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
"Caixinha da alegria"
Segundo a investigação, o advogado alvo da operação atuava como intermediário entre os policiais e os empresários envolvidos no esquema. Ele negociava com os agentes, indicava contas para os pagamentos, orientava quais valores deveriam ser informados às autoridades e participava da operação para devolver as mercadorias.
Em mensagens analisadas pelos investigadores, o advogado teria se referido ao dinheiro em espécie usado no esquema como "caixinha da alegria".
A investigação também aponta a suspeita de que a própria estrutura da Polícia Civil tenha sido utilizada para monitorar cargas e obter vantagens ilícitas.
Buscas em delegacias
Entre os 18 endereços alvos de busca e apreensão estão três unidades da própria Polícia Civil na Grande São Paulo:
Delegacia de Santana de Parnaíba;
Delegacia de Embu das Artes;
2º Distrito Policial de Cotia.
Segundo o Ministério Público, integrantes do grupo utilizavam dependências policiais para armazenar as mercadorias e simular apreensões parciais das cargas, dando aparência de legalidade à atuação.
Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou a quebra de sigilos dos investigados e determinou o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens dos alvos.
Os mandados são cumpridos em cidades de três estados. Em São Paulo, a operação ocorre em Barueri, Taboão da Serra, Diadema, Cotia, Santana de Parnaíba, Embu das Artes, São Sebastião e na capital paulista. Há ainda diligências em Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná, e São Luís de Montes Belos, em Goiás.
Operação contra policiais que cobravam propina de contrabandistas.