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Áudios revelam negociação de vagas por R$ 15 mil em concurso de Câmara Municipal em MG
G1 — Brasil · 2026-07-23T19:33:41.000Z
Áudios revelam negociação de vagas por R$ 15 mil em concurso de Câmara Municipal em MG
A Promotoria de Justiça de Cruzília (MG) divulgou nesta quinta-feira (23) áudios obtidos durante a investigação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sobre um suposto esquema de fraude no concurso público da Câmara Municipal de Minduri, no Sul de Minas. Nas gravações, uma colaboradora do MP conversa com investigados que detalham a suposta venda de aprovações mediante pagamento de R$ 15 mil.
Os áudios foram gravados com autorização da Justiça e captados em ambientes externos. Segundo o MP, a colaboradora concordou em registrar as conversas para auxiliar na produção de provas.
A divulgação do material ocorre dois dias após a deflagração da operação "A Porta é Larga". Com apoio da Polícia Militar de Minas Gerais, o Ministério Público cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em Minduri e Andrelândia.
Áudios revelam negociação de vagas por R$ 15 mil em concurso de Câmara Municipal em MG, diz MP
Ministério Público de Minas Gerais
Investigado fala sobre pagamento de R$ 15 mil
Em uma das gravações, um dos investigados afirma que a candidata deveria realizar a prova normalmente e orienta que ela não comentasse sobre o suposto esquema.
"Você vai fazer a prova normal, tudo normal. (...) É só na hora mesmo que você não dá bandeira de nada, não fala nada", disse.
Na sequência, ele menciona os valores que seriam cobrados.
"Ele falou assim, 15 mil. Pode dividir em três, dá uma entrada de 5 mil e depois divide mais duas vezes 5 mil (...) ou 13 mil à vista."
Ao ouvir as explicações, a colaboradora responde:
"Ah, entendi. Então eu posso fazer tranquilo."
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Áudio cita suposta fraude anterior
Em outra conversa divulgada pelo Ministério Público, um dos envolvidos afirma que já teria ocorrido fraude em outro concurso.
"Aí quer dizer, ele se encontrou com a pessoa, deu a metade, depois deu outra metade."
Segundo o MP, o trecho reforça a suspeita de que o esquema não teria se limitado ao concurso investigado.
Suspeito dá garantias sobre aprovação
Em um terceiro áudio, outro investigado tenta tranquilizar a colaboradora em relação à eficácia do esquema.
"Pode ficar tranquila, eu já te dei a palavra. Qualquer situação que eventualmente ocorra, na pior das hipóteses, esse concurso vai ser suspenso."
Ele também afirma que, caso houvesse algum problema, uma nova negociação poderia ser realizada futuramente.
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Conversa menciona possível associação criminosa
Outra gravação revela uma conversa entre um investigado, que se apresenta como pregoeiro da Prefeitura de Minduri, e uma segunda pessoa.
"Vamos montar uma associação criminosa lá", diz o interlocutor.
O investigado responde: "Deus é mais!"
Investigação aponta recrutamento de novos candidatos
No quinto áudio divulgado, um dos suspeitos pergunta à testemunha se ela conhecia outras pessoas interessadas em participar do suposto esquema.
"Você pensa que tem alguém próximo, que esteja fora da Câmara, que esteja trabalhando lá?"
A conversa também aborda o número de vagas disponíveis no concurso.
Como a investigação começou
Segundo o MPMG, a investigação teve início após a presidente da Câmara Municipal de Minduri comunicar suspeitas de irregularidades no concurso destinado ao preenchimento de cargos da Casa Legislativa.
De acordo com as apurações, uma servidora comissionada relatou ter sido procurada por um servidor da Prefeitura de Minduri, que teria oferecido uma vaga no concurso em troca de R$ 15 mil.
Em entrevista à EPTV, o promotor de Justiça Leandro Pannain Rezende afirmou que, após a denúncia, a Justiça autorizou a gravação das conversas entre a servidora e os investigados.
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A mulher não aceitou a proposta nem realizou pagamentos. Ainda assim, prestou o concurso e foi aprovada dentro do número de vagas.
"Ela fez a prova, ela marcou, segundo ela mesma, todas as letras A no gabarito de resposta, mas foi aprovada em segundo lugar, que são duas vagas", afirmou o promotor.
Como funcionaria o esquema
Segundo o Ministério Público, o grupo investigado atuaria na venda de aprovações em concursos públicos por meio da manipulação dos resultados após a aplicação das provas.
A investigação apura crimes como falsidade ideológica, supressão de documento público, fraude em certame público, corrupção passiva, frustração do caráter competitivo de licitação e possível associação criminosa.
Conforme o MP, o esquema seria liderado por um advogado ligado à empresa responsável pela organização do concurso. A suspeita é de que candidatos fossem procurados e recebessem ofertas de aprovação em troca de dinheiro.
As apurações apontam ainda que, após a realização das provas, integrantes da banca examinadora avaliariam o desempenho dos demais candidatos para alterar as notas daqueles que aderiram ao esquema, garantindo a aprovação dentro do número de vagas.
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Empresa é investigada em outros concursos
O Ministério Público também apura indícios de que a empresa CAP Concursos Públicos possa ter utilizado método semelhante em outros certames realizados em Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo.
A Câmara Municipal de Minduri informou que comunicou imediatamente as suspeitas ao Ministério Público e afirmou que todas as etapas do concurso foram mantidas em alinhamento com a estratégia investigativa. O Legislativo também anunciou que pretende anular o concurso e devolver integralmente os valores pagos pelos candidatos.
Já prefeituras e câmaras citadas na investigação afirmaram ter recebido a notícia com surpresa, destacaram que as contratações da empresa ocorreram por meio de processos licitatórios regulares e declararam estar à disposição para colaborar com as investigações.
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