ITATIBA1

SP tem mais de 4 mil crianças e adolescentes em situação de rua

SP tem mais de 4 mil crianças e adolescentes em situação de rua

G1 — Brasil · 2026-07-23T19:28:42.000Z

SP tem mais de 4 mil crianças e adolescentes em situação de rua

O estado de São Paulo tem 4.096 crianças e adolescentes vivendo nas ruas segundo levantamento feito pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (ObPopRua). O número representa 41% do total de crianças em situação de rua do país.

No total, o Brasil contabiliza 9.976 menores nessa situação de vulnerabilidade. O dado é de julho deste ano.

São Paulo desponta no levantamento devido à alta concentração demográfica, em especial na capital paulista e em municípios da região metropolitana. A cidade de São Paulo responde por 95% do total de crianças nessa situação em todo o estado — são 3.890.

O movimento de migração de cidades do interior de São Paulo e outros estados do país para grandes centros urbanos, como para os municípios da Grande São Paulo, também contribui para estes números.

Morador em situação de rua em Ribeirão Preto, SP

O fenômeno da população em situação de rua é caracterizado por ser urbano e está associado às desigualdades produzidas pelas grandes metrópoles.

A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS) afirmou por meio de nota que a proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade é prioridade do governo do estado. Segundo a pasta, desde o início da gestão, em 2023, a pasta repassou mais de R$ 1 bilhão às prefeituras para a assistência social, sendo R$ 219,1 milhões destinados às ações voltadas à população em situação de rua.

Apesar de alto, o número de crianças em situação de rua é subnotificado, de acordo com o coordenador da rede "Criança Não é de Rua", Manoel Torquato. “Esses números apenas identificam a quantidade de pessoas que foram alcançadas pela política de assistência social”, afirma.

A falta de um censo sobre a população em situação de rua dificulta a implementação de políticas públicas, segundo Torquato. “Essas pessoas precisam ser primeiramente reconhecidas nos dados oficiais para poderem existirem para as políticas públicas. Um primeiro bloco de atenção deveria ser de o Brasil ser capaz de visualizar a totalidade das pessoas em situação de rua, e não só aquelas que chegam ao sistema único de assistência social.”

Brasil tem quase 10 mil crianças e adolescentes em situação de rua

O estado de Roraima também registra um elevado número de crianças em situação de rua: são 3.357. A migração é o principal fator que leva o estado da região Norte a concentrar um em cada três menores que vivem nessa condição no país.

"São, na verdade, migrantes venezuelanos e haitianos, que começaram essa migração há mais ou menos 10 anos e ainda continuam neste fluxo, pela circunstância política e econômica do país [Venezuela], que se agravou", explica o coordenador da rede Criança Não é de Rua. "São várias as situações que levaram os venezuelanos a ultrapassar a nossa fronteira e aí fazem fazem essa passagem pelo estado de Roraima".

Na sequência, vem o estado da Bahia, com 6% do total de crianças em situação de rua no Brasil.

Três estados concentram 80% das crianças e adolescentes em situação de rua do país

Primeira infância na rua

O levantamento feito pelo ObPopRua também aponta que 44% das crianças em situação de rua hoje no país estão na primeira infância — fase que compreende dos 0 aos 6 anos de idade.

A primeira infância é a fase mais importante para o desenvolvimento cognitivo e físico dos indivíduos. A exposição recorrente à violência e às inseguranças trazidas pela vida na rua, desde a física e mental até a insegurança alimentar, compromete esse desenvolvimento.

Experiências vividas nos primeiros anos de vida possuem efeitos duradouros sobre a saúde, a aprendizagem e a sociabilidade dos indivíduos, podendo levar a consequências que perduram ao longo de toda a vida.

Leia no Itatiba1 →