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Ônibus da Transwolff
G1 — Brasil · 2026-08-28T21:02:20.000Z
Ônibus da Transwolff
Policiais militares deixaram a Rota, a tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, para trabalhar na segurança de empresários ligados à Transwolff, empresa de ônibus investigada por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Além da proteção aos dirigentes e da vigilância das garagens, os policiais chegaram a exercer funções pessoais para os empresários, como buscar a babá do filho de um deles e transportar duas crianças da escola.
Segundo a denúncia, o então integrante da Rota Alexandre Aleixo Romano Cezário fez consultas no Muralha Paulista sobre Robson e Gilberto Flares Lopes Pontes, sócios da Transwolff, e descobriu que um deles havia sido preso anteriormente por tráfico pela própria Rota.
A ligação da Transwolff com o crime organizado provocou repercussão e levou o comando do batalhão a determinar que os policiais se afastassem da atividade particular.
Mesmo assim, Romano enviou uma mensagem afirmando que havia decidido permanecer no trabalho de segurança. “Depois de 27 anos dedicados eu não serviria mais para estar naquela unidade [Rota] [...] mas eu já estou decidido a ficar com vocês”, escreveu, segundo o MP.
A denúncia afirma que Romano efetivamente pediu transferência. Mais adiante, registra que, em interrogatório, ele confirmou que seus comandantes o fizeram escolher entre permanecer na Rota e continuar na atividade particular. Segundo o documento, ele escolheu deixar a unidade.
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Segurança de empresários e familiares
De acordo com o MP, os policiais faziam a proteção dos dirigentes e familiares da Transwolff, a vigilância das garagens e o recrutamento de outros policiais para o serviço.
O sargento da reserva Nereu Aparecido Alves também transportava dinheiro da empresa entre as garagens e a região da Avenida Engenheiro Luis Carlos Berrini, onde os valores seriam entregues a um carro-forte, segundo a denúncia.
As atividades dos policiais, de acordo com o documento, chegavam à rotina familiar dos empresários. Nereu buscava a babá do filho de Cícero de Oliveira, conhecido como “Té”, diretor da Transwolff, e transportava duas crianças da escola.
O MP sustenta que a contratação dos policiais tinha como objetivo também conferir uma aparência de proteção institucional aos executivos. Uma fala de Cícero registrada nos autos afirma, em resumo, que um bandido não contrataria a Rota para protegê-lo.
Para o Ministério Público, “a blindagem reputacional era, ela própria, o produto contratado”.
R$ 1,18 milhão em dinheiro
Na casa de Nereu Aparecido Alves, a Corregedoria encontrou, em fevereiro deste ano, uma mala com R$ 1,18 milhão em espécie, segundo a denúncia.
Eram 35 maços com cem notas de R$ 200, totalizando R$ 700 mil, e 48 maços com cem notas de R$ 100, no valor de R$ 480 mil. O dinheiro está depositado judicialmente.
Segundo o MP, não foi encontrado lastro bancário, fiscal ou contábil que justificasse a origem do valor. Nereu foi denunciado por lavagem de dinheiro.
Ainda de acordo com a denúncia, ele admitiu que transportava dinheiro da Transwolff entre as garagens e a região da Berrini. Em mensagens, cobrava que Cícero separasse o “dinheiro dos meninos”, distribuía pagamentos aos policiais e chegou a receber uma ordem para fazer um depósito de R$ 29 mil.