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Policial civil preso por suspeita de cobrar propina para liberar cargas ilegais ocupou cargo na Prefeitura de São Sebastião

Corregedoria e MP fazem operação contra policiais civis de SP

G1 — Brasil · 2026-08-28T20:58:52.000Z

Corregedoria e MP fazem operação contra policiais civis de SP

Um dos policiais civis presos nesta sexta-feira (28) na Operação Merx ocupou o cargo de secretário adjunto de Segurança Urbana de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo.

A operação investiga um grupo suspeito de cobrar propina para liberar cargas ilegais de celulares e outros eletrônicos interceptadas por policiais civis.

Segundo a Prefeitura de São Sebastião, Marcos Vinícius de Souza Melo ficou menos de dois meses na função. Ele pediu para deixar o cargo na terça-feira (25), três dias antes da operação, informou a Administração.

A exoneração foi publicada nesta sexta-feira (28), com data retroativa ao dia 25.

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Em julho, cerca de um mês após se afastar da Polícia Civil, Marcos Vinícius assumiu um cargo na Prefeitura de São Sebastião. Segundo o Portal da Transparência de São Sebastião, ele tinha salário-base de R$ 16,1 mil no cargo. Em julho, recebeu R$ 18,3 mil em proventos, com salário líquido de quase R$ 14 mil.

Ele morava em uma casa de luxo em Maresias, na Costa Sul da cidade (veja foto abaixo). O g1 tenta localizar a defesa de Marcos Vinícius de Souza Melo. O espaço segue aberto para manifestação.

Casa onde morava Marcos Vinicius em São Sebastião.

Segundo as investigações, quando os policiais identificavam cargas contrabandeadas de eletrônicos, em vez de apreender toda a mercadoria, exigiam dinheiro para liberar os produtos.

Os quatro episódios identificados pelo Ministério Público aconteceram em 2024, quando Marcos Vinícius era investigador da Polícia Civil em Cotia e Barueri.

Segundo as investigações do Ministério Público, o esquema movimentou R$ 2,35 milhões em propina.

Foram presos três policiais civis — José Adriano Nishi, Bruno dos Santos e Marcos Vinicius —, o advogado Sidiclei Almeida e o empresário do Paraná Jonathan Vieira. Além de Marcos Vinícius, foram presos os policiais civis José Adriano Pereira da Silva Nishi e Bruno Moreno dos Santos. Também foram presos o advogado Sidiclei Almeida e o empresário Jonathan Vieira.

O g1 tenta localizar as defesas dos investigados. O espaço segue aberto para manifestação.

Prefeitura de São Sebastião.

Bruna Capasciutti/Rede Vanguarda

Saída da Prefeitura

A Prefeitura de São Sebastião informou que Marcos Vinícius não integra mais a administração municipal desde terça-feira (25).

Segundo a administração, a saída foi solicitada pelo próprio ex-servidor, por motivos particulares, e ocorreu antes da deflagração da Operação Merx.

A Prefeitura afirmou que não é parte da investigação e que prestará todos os esclarecimentos que eventualmente forem solicitados formalmente pelas autoridades.

Operação contra policiais que cobravam propina de contrabandistas.

A operação investiga suspeitas de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo as investigações, os agentes interceptavam cargas de eletrônicos provenientes de descaminho e, em vez de apreender toda a mercadoria, exigiam dinheiro para liberar os produtos. As cobranças chegavam a cerca de 70% do valor das cargas.

Além das prisões, a Justiça autorizou 18 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo, Paraná e Goiás, incluindo São Sebastião. Também determinou o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens dos investigados.

Após o cumprimento dos mandados, a Corregedoria da Polícia Civil realizou correições extraordinárias nas unidades policiais alvo da operação.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que o Estado vai afastar e punir policiais envolvidos em desvios. “Não vamos tolerar desvios”, afirmou.

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