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Vendedora investigada por esquema de desvio de carros que movimentou R$ 50 milhões fica em silêncio e tem prisão mantida em MT

Vitória Sara Bezerra Lupatini se entregou à polícia nesta quinta-feira (27)

G1 — Brasil · 2026-08-28T20:51:56.000Z

Vitória Sara Bezerra Lupatini se entregou à polícia nesta quinta-feira (27)

A Justiça manteve a prisão de Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como "Sarinha da Toyota", após audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (28), em Sorriso, a 420 km de Cuiabá. Segundo o delegado Thiago Meira, responsável pelo caso, ela permaneceu em silêncio durante a audiência.

Vitória Sara se entregou à polícia nessa quinta-feira (27), após ser alvo da Operação Pátio Paralelo, deflagrada na quarta-feira (26). Ela é apontada pela Polícia Civil como "peça central" de um suposto esquema de desvio de veículos que teria movimentado cerca de R$ 50 milhões em um ano.

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Ao g1, a defesa de Vitória, representada pelo advogado Willian Puhl, já havia informado que ela permaneceria em silêncio durante o interrogatório. O advogado afirmou ainda que vai ingressar com um pedido de habeas corpus.

"Vamos entrar com habeas corpus, acompanhar o procedimento, amanhã tem o interrogatório dela, mas como não tivemos acesso a todo o material produzido, nesse momento ela irá permanecer em silêncio e vamos aguardar a decisão da Justiça", declarou.

Agora no g1

Vitória deve responder pelos crimes de furto qualificado e associação criminosa. Segundo a investigação, ela trabalhava como vendedora de uma concessionária e teria movimentado R$ 8 milhões em uma conta bancária pessoal no período de um ano. Ela é apontada como responsável por captar clientes, conduzir negociações, receber veículos, indicar contas para os pagamentos e movimentar os recursos.

Ainda conforme o delegado, celulares apreendidos durante a operação e dados obtidos por meio de quebras de sigilo bancário devem ajudar a aprofundar a investigação. Outros suspeitos já foram interrogados e negaram participação nos crimes.

A polícia também apura a possível participação de outras pessoas no esquema. Vitória ainda é investigada por suspeita de envolvimento em outros possíveis crimes em Sorriso.

Até o momento, o prejuízo às vítimas é estimado em R$ 2 milhões, mas a polícia acredita que o montante pode aumentar conforme novas denúncias forem registradas. Entre 15 e 20 possíveis vítimas já foram identificadas.

Como funcionava o esquema

Segundo a investigação, os suspeitos teriam usado a estrutura e a credibilidade de uma concessionária de Sorriso para atrair clientes durante aproximadamente um ano. A própria empresa é apontada como a principal vítima do esquema.

Os clientes entregavam veículos usados como parte da entrada na compra de carros novos. No entanto, em vez de seguirem o fluxo comercial da concessionária e terem os valores descontados das negociações, esses automóveis teriam sido encaminhados a outras garagens relacionadas aos investigados.

A investigação aponta ainda que valores pagos pelos clientes teriam sido transferidos para contas bancárias de pessoas físicas e de empresas ligadas ao grupo.

A suspeita é de que contas de terceiros e empresas tenham sido usadas para movimentar o dinheiro e dificultar a identificação da origem dos recursos. Algumas dessas empresas também teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade às operações.

Mais de 20 ordens judiciais

Os investigadores suspeitam que contas de terceiros e empresas tenham sido utilizadas para movimentar o dinheiro e dificultar a identificação da origem dos recursos

A Operação Pátio Paralelo cumpre mais de 20 ordens judiciais, entre elas uma prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, nove decisões de acesso a informações bancárias e cinco determinações de bloqueio de ativos financeiros.

Durante as buscas, os policiais procuraram celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, cartões de memória, documentos, contratos, comprovantes de pagamento e outros registros relacionados às negociações investigadas.

A Justiça também autorizou o acesso aos dados bancários, fiscais e telemáticos dos investigados. Com as informações, a polícia pretende reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro, identificar os destinatários dos valores e analisar comunicações e equipamentos que teriam sido usados no suposto esquema. Também foi determinado o bloqueio de valores e o sequestro de bens até o limite de R$ 2 milhões.

A investigação continua para identificar o destino dos veículos e dos valores movimentados, além de apurar se outras pessoas ou empresas participaram do esquema.

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