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Amazônia Que Eu Quero debate impactos das novas tecnologias na democracia durante painel em Manaus

Amazônia Que Eu Quero debate impactos das novas tecnologias na democracia durante painel em Manaus

G1 — Brasil · 2026-07-23T20:40:06.000Z

Amazônia Que Eu Quero debate impactos das novas tecnologias na democracia durante painel em Manaus

O projeto Amazônia Que Eu Quero promoveu, nesta quinta-feira (23), em Manaus, o último painel presencial da edição 2026. Com o tema "Democracia na era digital: como as novas tecnologias influenciam o seu voto?", o encontro reuniu especialistas para discutir como a inteligência artificial, os algoritmos, as redes sociais e a desinformação impactam o acesso à informação, a formação da opinião pública e o processo democrático.

O debate foi realizado no Centro de Convenções Vasco Vasques, dentro da programação do Digital Summit Experience (DSX) 2026, com transmissão ao vivo pelo g1 Amazonas.

Participaram do painel a juíza auxiliar da Presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e presidente da Comissão de Enfrentamento à Desinformação, Mônica Câmara do Carmo; o diretor da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e especialista em Inteligência Artificial e Cibersegurança, Jucimar Maia da Silva Jr.; e o advogado, professor e presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB Amazonas, Helso do Carmo Ribeiro Filho. A mediação foi da jornalista e coordenadora do Amazônia Que Eu Quero, Ruthiene Bindá.

A diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, destacou que o painel encerra o ciclo de encontros presenciais do projeto abordando um tema cada vez mais presente na vida da população.

"Esse é o último evento presencial do Amazônia Que Eu Quero. Ao longo da edição discutimos temas estruturantes para a nossa região e encerramos falando sobre um assunto que faz parte da realidade de todo mundo: como as novas tecnologias influenciam a democracia e o nosso dia a dia", afirmou.

Amazônia Que Eu Quero: último painel do ano será realizado no Vasco Vasques

Desinformação e responsabilidade do eleitor

Durante o debate, a juíza Mônica Câmara do Carmo ressaltou que a disseminação de informações falsas não é um fenômeno novo, mas ganhou velocidade com o avanço das tecnologias e das redes sociais.

"Fake news, desde que o mundo é mundo, sempre existiu. Uma mentira contada muitas vezes torna-se verdade. Hoje, para qualquer lugar que se vá, tem um celular, e por ele chegam notícias que podem ser verdadeiras ou não."

A magistrada reforçou que o eleitor tem papel fundamental no combate à desinformação e deve verificar a procedência das informações antes de compartilhá-las.

"O eleitor precisa ir atrás, checar e verificar se é verdade ou não. Na dúvida, eu não repasso a informação."

Ela também lembrou que a Justiça Eleitoral disponibiliza ferramentas para combater conteúdos falsos.

"Nós dispomos de algumas ferramentas, como o Pardal e o Serviço de Alerta de Desinformação. Basta acessar o site do TRE para utilizar esses canais."

Mônica destacou ainda a importância da presença das instituições públicas, especialmente durante o período eleitoral.

"A presença do Ministério Público e do juiz é muito importante. Se a população não confiar nas instituições, o processo democrático perde força."

Ao abordar a participação popular, a magistrada incentivou os eleitores a exercerem o direito ao voto de forma consciente.

"A questão do voto em branco... não seja omisso. Se não der certo, não vote novamente no mesmo candidato."

Algoritmos e inteligência artificial

O especialista em Inteligência Artificial e Cibersegurança Jucimar Maia da Silva Jr. explicou que as redes sociais utilizam algoritmos para direcionar conteúdos conforme o comportamento dos usuários.

"As redes sociais são máquinas de vender produtos. Quando se lança uma fake news para atingir determinado candidato, existe toda uma estratégia para convencer o eleitor a acreditar nisso."

Segundo ele, os algoritmos são programados para gerar engajamento.

"O objetivo do algoritmo é provocar engajamento. Quando você curte um vídeo, essa informação é interpretada pela plataforma, que passa a entregar conteúdos semelhantes. O processo começa amplo e vai se fechando, mostrando praticamente apenas aquilo de que você gosta."

O pesquisador também alertou para o efeito psicológico provocado pelas plataformas digitais.

"Esse tipo de engajamento psicológico acaba colocando o usuário dentro de um grupo."

Ao falar sobre o futuro da tecnologia nas eleições, Jucimar avaliou que a tendência é de ampliação dos serviços digitais.

"Daqui a dez anos, acredito que será possível votar até pela internet. O que não podemos é retroceder em todo o processo de transformação tecnológica."

Para o especialista, um dos principais desafios da Amazônia continua sendo a inclusão digital.

"Precisamos disponibilizar uma internet mais poderosa. O interior do Amazonas enfrenta muitas dificuldades. O grande desafio é levar conectividade e capacitar os nossos jovens para que possam votar de forma ainda mais consciente no futuro."

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Bolhas digitais e pensamento crítico

O advogado e professor Helso do Carmo Ribeiro Filho destacou que os algoritmos também contribuem para a formação das chamadas bolhas digitais, que podem limitar o acesso a diferentes pontos de vista.

"Muitas vezes, as bolhas são caminhos para a desinformação."

Segundo ele, é necessário utilizar a tecnologia para ampliar o acesso a informações confiáveis.

"Já observamos ferramentas digitais que podem ser utilizadas para buscar mais transparência. Cabe a todos nós furarmos as bolhas em que estamos inseridos e utilizarmos essas ferramentas para conhecer diferentes perspectivas, e não apenas um lado."

Para ele, os desafios da transformação digital também passam pelas desigualdades sociais.

"Precisamos lembrar que a realidade brasileira ainda é muito difícil. Muitas pessoas sequer têm tempo para acompanhar todas essas transformações."

A programação do Amazônia Que Eu Quero continua nesta sexta-feira (24) com a realização do Canvas de Políticas Públicas, no estande da Rede Amazônica, no Centro de Convenções Vasco Vasques. A atividade reunirá estudantes da Faculdade La Salle para desenvolver propostas relacionadas ao tema da democracia na era digital, que irão compor o Caderno de Soluções do Amazônia Que Eu Quero.

Criado em 2019, o Amazônia Que Eu Quero é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica e do Grupo Rede Amazônica que promove educação política, incentiva o diálogo entre diferentes setores da sociedade e estimula a construção de soluções para os desafios da região amazônica. Na edição de 2026, o projeto tem como tema "Democracia na era digital: o uso das novas tecnologias no processo eleitoral".

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