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Corinthians já gastou R$ 1 bilhão com a dívida da Arena? Entenda pagamentos à Caixa

Voz do setorista: Yuri Alberto deve ser desfalque do Corinthians no clássico

ge — Futebol · 2026-08-29T11:00:15.000Z

Voz do setorista: Yuri Alberto deve ser desfalque do Corinthians no clássico

A discussão sobre quanto o Corinthians já pagou pela construção da Neo Química Arena voltou à tona com a crescente preocupação com a dívida do clube.

A diretoria tem um levantamento que aponta que, com correção monetária, o valor chega a R$ 1,246 bilhão. Entretanto, o que o Corinthians efetivamente pagou está perto de R$ 600 milhões.

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Os R$ 1,246 bilhão do levantamento da direção consideram uma correção pela taxa CDI (Certificado de Depósito Interbancário) + 2%, o mesmo índice utilizado pela Caixa Econômica Federal para atualizar a dívida corintiana pelo financiamento para construção do estádio, inaugurado em 2014.

Normalmente, as correções são realizadas com índices de inflação, como Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Porém, a diretoria usa a taxa CDI + 2, adotada com o novo contrato assinado com a Caixa, em 2022. Para comparação, o IPCA ficou em 4,26% e o CDI em 14,3% no ano passado.

Sem a correção, a diretoria estima que o Corinthians efetivamente desembolsou perto de R$ 600 milhões ao longo dos anos. Esse número não está registrado em nenhum documento oficial público.

Neo Química Arena, estádio do Corinthians

O saldo devedor estava em R$ 642 milhões em 31 de dezembro de 2025, segundo o balanço financeiro do ano passado.

Pagamentos ano a ano

Os valores efetivamente pagos pelo Corinthians à Caixa pela Arena foram sempre um mistério devido à falta de dados públicos sobre o assunto.

O último balanço das contas do Corinthians trouxe a informação de que o clube pagou R$ 224,426 milhões em 2025 e 2024 e cerca de R$ 85 milhões em 2023.

Com as doações de R$ 40,9 milhões da vaquinha capitaneada pela torcida organizada Gaviões da Fiel, seriam R$ 350,3 milhões pagos nos últimos três anos.

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Em 2022, o ex-diretor financeiro Wesley Melo disse que o Corinthians havia pagado R$ 165 milhões até 2017.

Em 2026, o Corinthians pagou as duas primeiras parcelas trimestrais, totalizando R$ 56 milhões, conforme apurado pelo ge. Faltam ainda R$ 56 milhões para serem pagos nas duas próximas prestações deste ano. Foram depositados ainda R$ 27 milhões na conta de reserva.

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O Corinthians deixou de pagar o débito por anos até assinar o contrato que renegociou o saldo devedor, em outubro de 2022.

Esse novo contrato estipula dezembro de 2041 como prazo de pagamento da dívida, com amortizações crescentes a partir de 2025 e juros pagos desde 2023, à taxa de 2% ao ano acrescida da variação do CDI.

Na prática, o Corinthians só pagou juros em 2023 e 2024 e começou a diminuir o saldo da dívida a partir de 2025.

Arena como catalisadora da crise

Nos bastidores, o presidente Osmar Stabile cita a dívida pela Arena como principal motivador da grave crise financeira do clube, que tem endividamento total de R$ 2,723 bilhões, conforme o balanço do ano passado.

Em depoimento no inquérito do Ministério Público sobre possível intervenção judicial no Corinthians, o presidente colocou a dívida com a Caixa como principal problema a ser solucionado para melhoria das finanças, conforme apurou o ge. Ele, inclusive, mencionou a informação de que o clube pagou mais de R$ 1 bilhão, em valores corrigidos, pela Arena.

No ano passado, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, sugeriu publicamente que o Corinthians deixasse de pagar a dívida com a Caixa para privilegiar outras pendências. A declaração fez o banco estatal admitir uma renegociação, que não teve qualquer desfecho até hoje.

Naquela época, a diretoria corintiana descartou dar calote na Caixa, mesmo com a grave crise financeira do clube.

Custo do estádio

A Odebrecht, responsável pela construção do estádio, cobrou R$ 985 milhões pela obra. O Corinthians pagou uma parte desse montante com o financiamento de R$ 400 milhões (que cresceu ao longo dos anos devido à inadimplência do clube e aos juros) e outra parte com CIDs.

São Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento, incentivos fiscais concedidos pela Prefeitura de São Paulo para empresas que investissem na Zona Leste, em obras de infraestrutura. No caso do Corinthians, uma contrapartida aos benefícios trazidos à economia da região pelo estádio e pela abertura da Copa do Mundo em 2014.

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