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Cantor sertanejo é condenado a 28 anos por feminicídio; laudo apontou 114 lesões pelo corpo

Cantor sertanejo é condenado por feminicídio; laudo apontou 114 lesões

G1 — Brasil · 2026-08-29T17:47:28.000Z

Cantor sertanejo é condenado por feminicídio; laudo apontou 114 lesões

O músico Clodoaldo Queiroz de Oliveira, conhecido como Gustavo, da dupla sertaneja Tony e Gustavo, foi condenado a 28 anos de prisão pelo feminicídio de Karen Mancini, de 39 anos. Segundo o laudo de necropsia, a vítima apresentava 114 lesões pelo corpo. O crime aconteceu em abril de 2024, na casa onde o casal morava, em Lumiar, distrito de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio.

A condenação foi definida neste sábado (29) pelo Tribunal do Júri de Niterói. O julgamento foi transferido de Nova Friburgo para o município fluminense após um pedido da defesa, que alegou preocupação com a imparcialidade dos jurados.

Os jurados reconheceram a autoria e a materialidade do crime e condenaram Clodoaldo por homicídio triplamente qualificado. O Conselho de Sentença acolheu as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e feminicídio. A pena foi fixada em 28 anos de prisão em regime inicialmente fechado. A Justiça também determinou que o condenado continue preso.

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Laudo apontou 114 lesões no corpo da vítima

De acordo com o laudo de necropsia citado na sentença, Karen apresentava 114 lesões distribuídas por diversas partes do corpo, incluindo rosto, pescoço, braços, tórax, abdômen e pernas.

O documento também apontou lesões internas no crânio e hemorragias.

Na decisão, a juíza destacou a quantidade e a distribuição dos ferimentos para reconhecer a qualificadora de meio cruel. Segundo a sentença, o perito responsável pelo exame concluiu que as lesões provocaram sofrimento desnecessário à vítima.

Ao definir a pena, a magistrada também levou em conta registros existentes na ficha de antecedentes do réu. A sentença menciona seis anotações, embora ressalte que Clodoaldo era tecnicamente primário.

Entre os registros citados estão investigações por embriaguez ao volante e desacato, lesão corporal culposa na direção de veículo e ocorrência por lesão corporal no contexto de violência doméstica. Parte dos procedimentos foi arquivada.

A decisão também menciona um processo por lesão corporal e ameaça, uma condenação por furto mediante fraude eletrônica que ainda aguardava análise de recurso, além de uma anotação por difamação arquivada por decadência.

Segundo a sentença, os registros foram considerados na avaliação das circunstâncias judiciais. A magistrada destacou ainda o comportamento agressivo atribuído ao réu durante o relacionamento.

Karen Mancini, de 39 anos, foi morta em abril de 2024, em Nova Friburgo

Família comemora condenação

Após a divulgação da sentença, Caroline Mancini, irmã de Karen, se manifestou.

"Durante esses dois anos, vivi a angústia da espera pela Justiça e a saudade dela. Nada vai trazer a Karen de volta, mas tenho a sensação de que o que aconteceu foi reconhecido e não caiu no esquecimento. Saber que o responsável foi condenado também é uma forma de honrar a memória dela. Agora, eu só quero que ela possa descansar em paz", disse.

Defesa do réu negou o crime

Durante o processo, a defesa de Clodoaldo negou que ele tenha cometido o crime e contestou pontos da investigação, incluindo a coleta de provas.

Após a condenação, o g1 tentou contato com os advogados para saber se haverá recurso e obter um posicionamento sobre a sentença, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

Embora a decisão possa ser contestada em instâncias superiores, a Justiça determinou que o réu permaneça preso.

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