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Tarifaço: governo vai usar Lei da Reciprocidade como pressão e vai insistir em negociações

Logo após o anúncio pelos Estados Unidos do novo tarifaço, o governo Lula decidiu anunciar o uso da Lei da Reciprocidade como forma de pressão, mas não vai deixar a mesa de negociações.

G1 — Brasil · 2026-07-23T22:21:50.000Z

Logo após o anúncio pelos Estados Unidos do novo tarifaço, o governo Lula decidiu anunciar o uso da Lei da Reciprocidade como forma de pressão, mas não vai deixar a mesa de negociações.

Segundo fontes da equipe presidencial, a Lei da Reciprocidade será usada para discutir medidas que possam ser adotadas contra o tarifaço dos Estados Unidos, mas isso será usado em propostas de negociações com o governo Donald Trump.

"Não queremos sair da mesa de negociações, vamos insistir, mas diante do novo anúncio de tarifas, elevando a tarifa para 37,5% para vários produtos, precisávamos mandar um recado para o governo Trump. Agora, vamos começar a analisar o que pode ser feito com a Lei da Reciprocidade e propor negociações com os Estados Unidos", relatou ao blog um assessor presidencial.

O empresariado tem pedido ao governo para não usar a Lei da Reciprocidade e insistir nas negociações. A princípio, o presidente Lula estava seguindo o pedido dos empresários. Agora, porém, avalia que precisa reagir como forma de pressão.

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já esperavam, desde os últimos dias, o anúncio do novo tarifaço, confirmado nesta quinta-feira (23) pelo governo do presidente Donald Trump.

Nesse novo tarifaço, de 12,5%, o entendimento dos EUA é o de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao coibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas sob trabalho forçado. O governo Lula não concorda com esses argumentos e diz que eles são falsos.

Em relação às negociações para evitar esse tarifaço de 12,5%, o Itamaraty entende que as conversas serviram somente para “cumprir tabela”, ou seja, somente para deixar o registro de que aconteceram.

Isso porque a percepção é que não houve uma intenção real por parte dos americanos de entender o que o Brasil faz para fiscalizar o trabalho forçado, uma vez que o país é referência na OIT nesse tema.

Nesse contexto, a Secom disse ser um “absurdo” os EUA relacionarem a competitividade da economia brasileira à importação de mercadorias produzidas com base no trabalho forçado.

O Ministério do Trabalho diz que, embora tenha se colocado publicamente à disposição para prestar esclarecimentos, não foi procurado por autoridades americanas, somente pelo próprio Itamaraty durante as negociações.

No entendimento de integrantes do Itamaraty, esta tarifa de 12,5% foi o “plano B” ao tarifaço original, barrado pela Justiça americana.

E diplomatas entendem que há uma diferença deste tarifaço para o de 25%. Isso porque, embora a motivação do anterior fosse sabida - entendimento explicitado num pronunciamento do ministro Mauro Vieira -, neste caso não é somente para o Brasil, o que mostra a estratégia americana de usar as tarifas como instrumento político.

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