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Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Augusto Cury estreiam propaganda eleitoral no rádio e na TV; veja estratégias

Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado terão tempo em rádio e TV

G1 — Brasil · 2026-08-29T19:19:52.000Z

Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado terão tempo em rádio e TV

Neste sábado (29), as campanhas dos candidatos à Presidência exibiram os primeiros programas da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV.

Apenas quatro candidatos têm direito a tempo, conforme a lei eleitoral:

Lula (PT): 5 minutos e 31 segundos.

Flávio Bolsonaro (PL): 4 minutos e 20 segundos.

Ronaldo Caiado (PSD): 2 minutos e 2 segundos.

Augusto Cury (Avante): 35 segundos.

Campanhas apostam em estratégias diferentes

De início, a campanha de Lula destacou a trajetória política e seus mandatos anteriores. Também teve como foco as propostas que são bandeiras do governo, como o fim da escala 6x1, a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e a defesa da soberania.

O programa eleitoral de Lula também ataca Flávio Bolsonaro, seu principal adversário. A propaganda apresenta um "currículo" com críticas ao adversário, com fatos como sua relação com o miliciano Adriano da Nóbrega e o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro investigado por fraudes bilionárias no Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse".

Flávio optou por uma abordagem focada na economia e na segurança pública. O candidato do PL se apresenta como "advogado e empresário, casado com a Fernanda, pai da Luísa e da Carol" e faz uma apresentação de seu currículo.

O restante do tempo de seu programa eleitoral é voltado a apresentar sua família, com especial atenção para as mulheres. Flávio tem como um dos objetivos da campanha atrair o voto feminino. Sua mulher, Fernanda, chega a dizer que reeducou e que ele é o "mais moderado dos Bolsonaros".

Caiado, ex-governador de Goiás, também se apresentou ao eleitor no primeiro programa eleitor, mas sem deixar de criticar os governos do PT. O candidato do PSD destacou seus "quarenta anos de vida pública" e a gestão como governador de Goiás.

Augusto Cury se apresentou como um "agente da despolarização" da política. Na peça publicitária, o candidato faz um trocadilho com seu nome e a palavra cura, e diz: "Cury este país".

Propaganda eleitoral no rádio e na TV começa nesta sexta-feira (28)

A propaganda eleitoral gratuita conta com dois blocos de 12 minutos e 30 segundos.

Rádio: às 7h e às 12h.

TV aberta: às 13h e às 20h30.

Neste sábado, primeiro dia, os programas são veiculados na seguinte ordem, definida por sorteio pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Avante, PSD, PL e Coligação Brasil Pronto pra Mais (PT).

A partir do segundo dia, o sistema será de rodízio: o partido ou coligação que veicular seu programa por último será o primeiro no dia seguinte.

Há revezamento com a propaganda de candidatos a governador, em dias alternados. Parte do tempo é reservada a candidatos a cargos do Legislativo (deputado e senador).

Como funciona a distribuição de propaganda?

Há regras para a distribuição do tempo de propaganda eleitoral gratuita.

10% do tempo é distribuído igualmente entre as siglas que cumprem a cláusula de desempenho (meta de votos que partidos devem atingir para ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda — clique para saber mais).

Os outros 90% são distribuídos proporcionalmente à representação de cada partido na Câmara dos Deputados.

Lula tem o maior tempo porque o PT é uma das maiores bancadas na Câmara e se aliou a PSB, PDT e à federação PSOL/Rede nestas eleições.

Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e os demais candidatos à Presidência não vão aparecer na propaganda porque seus partidos não cumpriram os critérios da clásula de desempenho, mas podem fazer campanha nas redes sociais e nas ruas, o que está liberado desde o dia 16 de agosto.

Veja, a seguir, mais detalhes das primeiras propagandas:

Os materiais de propaganda petista apresentam duas estratégias diferentes da campanha de Lula: reforçar pautas do governo, como o fim da escala 6 x 1, e atacar Flávio Bolsonaro. Em um dos vídeos, o presidente se dirige ao telespectador e diz: "juntos, nós reconstruímos o Brasil. Agora, queremos dar um salto de qualidade, porque o Brasil está pronto para mais".

O início do programa foca em críticas contra Flávio Bolsonaro, citando investigações como o caso das rachadinhas, em que ele foi denunciado em 2020 pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por organização criminosa e lavagem de dinheiro. As provas da investigação foram anuladas porque tribunais decidiram que Flávio tinha direito a foro privilegiado, por ser parlamentar. Também há menções ao pedido de dinheiro ao banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. O caso está sob investigação.

Em post nas redes sociais, o Secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, disse que o início do programa na TV é o momento em que a sociedade começa a prestar atenção nas eleições. "Neste sentido, avaliamos ser importante mostrar quem é Flávio, qual é sua história e apresentar seu currículo", escreveu.

A campanha de Flávio Bolsonaro preparou para a estreia uma propaganda voltada à apresentação do senador. Segundo integrantes da campanha ouvidos pelo g1, a primeira peça busca retratar o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro como um "homem de família".

A estratégia foi começar com uma abordagem mais leve e deixar para os programas seguintes ataques mais diretos a Lula, com citações ao caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seu filho mais velho, investigado sob a suspeita de tráfico de influência. A equipe ainda discute em qual momento o assunto será levado ao horário eleitoral.

Nas próximas peças, o senador também deve abordar temas como segurança pública e custo de vida, com foco na perda do poder de compra dos brasileiros. Nas palavras de um interlocutor do candidato: "apresentar o problema e, depois, a solução".

Em dois minutos e dois segundos, o ex-governador escolheu falar de sua trajetória política e de segurança pública.

A campanha associa "coragem" à atuação de Caiado como médico e também no enfrentamento ao PT. A peça faz menção a grupos que invadem terras "de quem plantava". O candidato iniciou sua trajetória política como uma liderança ruralista, ligada ao agronegócio. Foi candidato à Presidência em 1989, e depois deputado, senador e governador.

No decorrer da peça, a campanha cita o casamento de 35 anos com Gracinha Caiado e credita ao candidato o enfrentamento de facções criminosas em Goiás, além de avanços em hospitais, escolas, transporte e inteligência artificial no estado. Na segunda metade, o tom muda com ataques ao PT. A peça diz que há uma crise de segurança no país e atribui a situação a "20 anos" de gestões petistas.

Nos 35 segundos, Cury se coloca como uma opção contra a polarização. O candidato do Avante utiliza clipes de reportagens sobre o escândalo de corrupção conhecido como mensalão e do ataque do 8 de janeiro.

Sem TV, candidatos apostam nas redes sociais

Ao g1, a coordenadora da campanha de Renan Santos, vereadora Amanda Vettorazzo (União-SP), afirmou que a estratégia é produzir conteúdo para as redes de forma constante e aproveitar a rotina do candidato para fazer as gravações. Segundo ela, Renan grava vídeos durante viagens, eventos e até dentro do carro. "Como a gente não tem tempo de TV, não gravou em estúdio", afirma.

Zema disse na sexta-feira (28) a jornalistas que também aposta na relevância das redes. Segundo ele, a presença nos meios de comunicação tradicionais não é 100% determinante para uma campanha ser bem-sucedida. Em grupos de WhatsApp, membros do partido Novo tentam mobilizar a militância para aumentar a exposição do candidato em vídeos, buscando viralização.

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