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Tem Solução: Do lixo ao solo, resíduos viram adubo poderoso e até carvão feito do bagaço da cana no interior de SP

Quadro 'Tem Solução' mostra projetos sustentáveis que transformam o interior paulista

G1 — Brasil · 2026-08-29T21:05:46.000Z

Quadro 'Tem Solução' mostra projetos sustentáveis que transformam o interior paulista

O que antes era considerado lixo está ganhando novas funções em projetos desenvolvidos no interior de São Paulo. As iniciativas apostam no reaproveitamento de resíduos e mostram que materiais descartados no dia a dia podem ganhar valor e ainda ajudar na redução dos impactos ambientais.

Em Penápolis, o Departamento Autônomo de Água e Esgoto (DAEP) mantém há seis anos um projeto que ensina a população a fazer compostagem, processo que transforma resíduos orgânicos- como restos de verduras, frutas e cascas de alimentos - em adubo.

Depois da parte teórica em sala de aula, os participantes vão para a prática e aprendem um passo a passo como montar e cuidar de uma composteira.

“A ideia é transformar esse material orgânico em um adubo super nutritivo”, explica a coordenadora pedagógica Fernanda Marin Ribeiro.

Na composteira, são colocados materiais como pó de serra, folhas e resíduos orgânicos produzidos em casa. Cascas de frutas, talos de verduras e até filtros de papel com borra de café podem ser reaproveitados no processo.

Projeto transforma lixo em adubo em Penápolis

TV TEM/ Reprodução

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Ao longo dos seis anos do projeto, mais de 1,5 mil pessoas já participaram de graça das capacitações. A iniciativa também é levada para escolas e para as casas dos moradores. Quem participa das aulas, ainda recebe uma caixa composteira para continuar o processo em casa.

“Os aterros estão ficando cada vez mais lotados pelo lixo que a gente descarta de maneira incorreta, sendo que a gente pode aproveitar, reciclar e transformar em adubo”, ressalta Cássio Cruz, um dos participantes do projeto.

Durante o processo de decomposição, a composteira produz o chorume, um líquido escuro rico em nutrientes. Há três meses, o policial civil Joaquim Soares participou da capacitação e desde então, passou a fazer a compostagem dos resíduos orgânicos.

“ Eu coleto o material, diluo em água e utilizo para regar as plantas. Desde quando comecei a compostagem, eu reduzi bastante a quantidade de lixo em casa. Cerca de 60% vai para a compostagem”, conta.

Além de diminuir a quantidade de resíduos enviados aos aterros, a prática transforma o material orgânico em um produto que pode ser utilizado no cultivo de plantas.

Policial civil participou do projeto em Penápolis e produz compostagens

TV TEM/ Reprodução

Bagaço da cana vira carvão sustentável em pesquisa da Unesp

No Laboratório de Estudos em Ciências Ambientais da Unesp de São José do Rio Preto , pesquisadores estudam uma forma de transformar o bagaço da cana-de-açúcar e a vinhaça em um tipo de carvão que pode ser utilizado no solo.

A proposta é reaproveitar esses resíduos e transformar a biomassa em um material com valor agregado, capaz de ajudar na fertilidade do solo e fornecer nutrientes de maneira gradual.

“ Trabalhamos em aplicar ele ao solo e tentar produzir um material que tenha uma liberação lenta de nutrientes e matéria orgânica. A gente já identificou no laboratório que é possível produzir o carvão com diferentes nutrientes e utilizá-lo em diferentes culturas", explica a professora doutora da Unesp Marcia Cristina Bisinoti.

Os pesquisadores também avaliaram a aplicação do material no solo em experimentos envolvendo a germinação de sementes e o crescimento de plantas, com resultados promissores.

Outra pesquisa, realizada pela Unesp em Jaboticabal (SP), identificou a eficiência do produto como um condicionador do solo. Os testes indicaram benefícios para o desenvolvimento de culturas como milho e tomate. O material também apresentou potencial para aumentar a resistência das plantas a pragas comuns nesses cultivos.

Apesar dos resultados, a pesquisa ainda está na fase de laboratório. A expectativa é que, com o avanço dos estudos, o processo possa ser ampliado e futuramente aplicado em larga escala.

Além do potencial para a agricultura, o carvão produzido a partir do bagaço da cana pode contribuir para a redução dos impactos ambientais.

“Nós conseguimos identificar que ele conseguiu fazer o que se chama de sequestro de CO₂ da atmosfera e também, no processo de carbonização, é possível gerar energia”, afirma Marcia.

Pesquisas usam bagaço de cana como matéria-prima para outros produtos

TV TEM/ Reprodução

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