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Rondônia tem 2ª maior taxa de hepatite B do Brasil e Porto Velho lidera entre capitais

Rondônia tem a segunda maior taxa de detecção de hepatites B do país

G1 — Brasil · 2026-08-30T15:54:32.000Z

Rondônia tem a segunda maior taxa de detecção de hepatites B do país

O Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026, divulgado pelo Ministério da Saúde, aponta que Rondônia tem a segunda maior taxa de detecção de hepatite B do Brasil, e Porto Velho lidera entre as capitais com a maiore taxas da doença. Em contrapartida, o estado está entre os que registram os menores índices de hepatite A no país.

O levantamento reúne dados registrados entre 2000 e 2025. Nesse período, Rondônia contabilizou 16.086 casos de hepatites virais, considerando os cinco tipos da doença monitorados pelo boletim.

Hepatite A: com 1.830;

Hepatite B, com 11.367;

Hepatites C: com 2.515;

Hepatite D: com 341;

Hepatite E, com 33 casos.

Os dados apontam um cenário positivo para Rondônia em relação à hepatite A. O estado está entre as unidades da federação com as menores taxas da doença e apresenta uma tendência de queda no número de ocorrências.

Em 2014, Rondônia contabilizou 124 casos. Em 2025, esse total caiu para apenas nove notificações, uma redução de 92% em 11 anos.

Em Porto Velho, a diminuição foi ainda mais expressiva. A capital passou de 111 ocorrências em 2014 para apenas uma em 2025, recuo de 99%.

Segundo a pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Rondônia, Deusilene Vieira, o resultado pode estar associado aos efeitos acumulados das estratégias de imunização e prevenção adotadas ao longo da última década.

A hepatite B concentra os indicadores mais altos do levantamento. No último ano analisado, Rondônia somou 406 notificações da doença. O índice alcançou 23,2 casos por 100 mil habitantes, mais de quatro vezes acima da média nacional, que ficou em 5,2 por 100 mil habitantes.

Com esse resultado, o estado aparece na segunda posição entre as maiores taxas de detecção do país.

A situação é ainda mais expressiva na capital. Com 199 casos contabilizados em 2025, Porto Velho alcançou taxa de 38,4 ocorrências por 100 mil habitantes, a mais alta entre todas as capitais brasileiras. Desde o início da série histórica analisada pelo boletim, a cidade acumula 3.253 registros da doença.

Apesar dos índices elevados, Deusilene Vieira afirma que os números não indicam necessariamente um aumento proporcional de novas infecções.

"Esses indicadores também refletem a capacidade da rede de saúde de testar, diagnosticar e notificar pessoas que já vivem com essas infecções, muitas vezes de forma assintomática durante anos", destaca.

Hepatite B em gestantes

Com 16 notificações em 2025, Rondônia registrou taxa de 0,7 caso por mil nascidos vivos. O indicador coloca o estado empatado com Mato Grosso na segunda maior taxa de detecção de hepatite B em gestantes do país, atrás apenas do Acre, que registrou 0,8 caso por mil nascidos vivos.

Ao longo do período analisado, Rondônia acumulou 1.470 notificações da doença entre gestantes.

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Em 2025, o estado contabilizou 201 casos de hepatite C, alcançando taxa de 11,5 ocorrências por 100 mil habitantes. O resultado também supera a média nacional, de 8 casos por 100 mil habitantes.

Em Porto Velho, foram confirmados 123 casos em 2025 e a taxa chegou a 23,8 ocorrências por 100 mil habitantes, uma das mais altas entre as capitais brasileiras.

Rondônia também figura entre os estados com maior número de registros de hepatite D, conhecida como Delta, infecção associada ao vírus da hepatite B.

Entre 2000 e 2025, foram contabilizados 341 casos da doença. O número coloca o estado na terceira posição nacional, atrás apenas do Amazonas, com 1.883 registros, e do Acre, com 1.062.

Embora o histórico seja expressivo, os dados mais recentes apontam forte redução na circulação do vírus. O total de notificações caiu de 56 em 2024 para apenas uma em 2025, redução de 98%.

Na avaliação da pesquisadora Deusilene Vieira, a redução dos casos de hepatite Delta pode ser compreendida dentro do conjunto de ações de prevenção, vigilância e ampliação do diagnóstico. Como o vírus da hepatite D (HDV) depende do vírus da hepatite B (HBV), a vacinação contra a hepatite B também previne a hepatite Delta.

Outro avanço é a oferta, pelo SUS, do teste molecular para detectar a carga viral da hepatite D, desenvolvido pelo laboratório da Fiocruz Rondônia. O exame permite confirmar a infecção ativa e auxilia no acompanhamento dos pacientes.

Entre todas as variantes analisadas, a hepatite E apresenta o menor número de ocorrências em Rondônia. Foram 33 registros entre 2000 e 2025. Segundo o Boletim Epidemiológico, trata-se da hepatite menos frequente na rotina de vigilância.

Testes para hepatites B e C são simples, rápidos e disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde do SUS.

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