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Vida de luxo nas redes e rastro de calotes: as dívidas na Justiça da empresária Roberta Luchsinger

Os processos de Roberta Luchsinger por dívidas sem pagamento

G1 — Brasil · 2026-08-31T01:30:11.000Z

Os processos de Roberta Luchsinger por dívidas sem pagamento

Nas redes sociais, ela se apresenta como uma empresária de sucesso, compartilhando viagens internacionais, jantares em restaurantes caros e rotina de alto padrão. Nas páginas da Justiça, no entanto, a realidade é oposta: Roberta Luchsinger acumula derrotas em processos de dívidas não pagas que atingem diferentes perfis de credores em São Paulo e Minas Gerais.

A apuração sobre os processos revela um padrão nas ações judiciais. Em diversas ocasiões, oficiais de justiça não conseguiram localizar a empresária nos endereços informados para intimá-la. Também não foram encontrados bens ou valores em contas bancárias para penhora.

Em duas ações, Roberta alegou que não tem capacidade financeira para arcar com os custos do processo.

A empresária figura em investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência em Brasília.

O inquérito apura ligações de Roberta com Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência; Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e o lobista Antônio Carlos Antunes, conhecido como "Careca do INSS", apontado como operador de fraudes em benefícios previdenciários e preso preventivamente.

"Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia 'linkar' uma coisa na outra", afirmou na ocasião.

Roberta Luchsinger é investigada pela PF

Sobre a relação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Roberta disse: "Eu e Fábio somos amigos. Já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista."

O trânsito no meio político teve início a partir de 2011, época de seu casamento com o ex-deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB), de quem se separou em 2014.

Em 2017, a empresária passou a se apresentar publicamente como herdeira de um fundador do banco suíço Credit Suisse. Registros civis, porém, apontam que seu avô, Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger, nasceu no Rio de Janeiro em 1927 e era proprietário de uma lavanderia. Questionada, informou não possuir documentos que comprovem a origem suíça do familiar.

Perda de propriedade e projeto de filme

Em 2016, a empresária e uma sócia de uma produtora apresentaram ao investidor Lauro um projeto de documentário sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani.

A orçamentação previra gastos de 4 milhões de dólares, valor que seria coberto por um fundo de investimento do Bahrein.

Para iniciar as gravações antes da liberação do montante internacional, foi necessário um empréstimo ponte de 300 mil dólares (cerca de R$ 1,5 milhão na cotação da época).

Roberta convenceu Lauro a figurar como avalista da operação, oferecendo como garantia uma fazenda de sua propriedade em Minas Gerais em troca de participação na bilheteria e comissão de R$ 40 mil.

O aporte estrangeiro não se concretizou, as parcelas do empréstimo não foram quitadas e o credor obteve na Justiça a posse da fazenda do avalista, avaliada em R$ 8 milhões.

"O projeto do filme era bonito, uma história que valia a pena vender para investidores. Acabei aceitando a proposta. Tudo o que eu tinha estava lá. Não é a questão da propriedade em si, é o sonho", desabafou Lauro.

Réplicas de arte e serviços não pagos

Processo envolvendo Roberta Luchsinger

A lista de credores inclui profissionais autônomos e estabelecimentos de serviços. Em 2011, a empresária contratou os serviços do tapeceiro Nilton Cezar para reformar estofados, camas e revestimentos de sua residência pelo valor de R$ 61 mil.

Após o pagamento inicial de R$ 25 mil, o saldo restante não foi quitado. O profissional acionou o Judiciário e obteve ganho de causa em todas as instâncias, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Acordos celebrados ao longo da execução judicial foram descumpridos.

"A gente tem um baque porque precisa pagar funcionário e aluguel do ponto. Chegamos a vender um carro por causa disso", relatou o tapeceiro.

Para estancar o processo, a empresária ofereceu à Justiça uma coleção de 14 gravuras avaliadas por ela em R$ 70 mil, apresentadas como obras originais de Cândido Portinari. Diante da entrega, o processo foi suspenso.

No entanto, o Projeto Portinari, entidade responsável pela autenticação do acervo do artista, confirmou que as peças eram reproduções impressas sem valor de originalidade.

Outras ações judiciais somam débitos com:

Instituição de ensino: Dívida de R$ 91 mil referente a mensalidades escolares não pagas da filha ao longo de 2017.

Comércio de vestuário: Compra de R$ 6.124 realizada em 2017 em loja de roupas, cujo valor atualizado pela Justiça ultrapassa R$ 21 mil. Um quadro oferecido pela ré como garantia de R$ 100 mil desapareceu antes do leilão judicial.

Marketing político: Contratação de agência de publicidade em 2022 por R$ 42 mil para pré-campanha eleitoral, com quitação de apenas R$ 4.200.

Direitos trabalhistas: Processos movidos por uma babá e uma empregada doméstica demitidas sem verbas rescisórias, que somavam R$ 50 mil e prescreveram sem que os valores fossem recebidos.

Ação de despejo em apartamento de luxo

Em 2019, a empresária passou a residir em um apartamento de alto padrão em São Paulo.

Proprietários do imóvel, um casal de idosos que dependia do aluguel para complementar a renda, moveram ação de despejo em 2020 por inadimplência contínua de aluguel, condomínio e IPTU.

A desocupação do imóvel ocorreu apenas em 2023. O proprietário morreu no decorrer da tramitação judicial sem receber os valores. A dívida acumulada, que chegou a R$ 500 mil, só foi quitada em maio de 2024.

Procurada para se manifestar sobre os processos citados, Roberta Luchsinger optou por não gravar entrevista. Ela enviou uma relação de números de processos informando quais ações já foram arquivadas pelo Judiciário.

A respeito do caso envolvendo a fazenda em Minas Gerais, alegou ter sido igualmente enganada pelo investidor do projeto e sustentou que o proprietário do imóvel tinha ciência dos riscos da operação financeira.

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