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As contas do setor público consolidado apresentaram um superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (31).
G1 — Brasil · 2026-08-31T11:47:54.000Z
As contas do setor público consolidado apresentaram um superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (31).
🔎 O superávit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam acima das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de déficit primário.
🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.
Na comparação com julho do ano passado, houve melhora, uma vez que foi registrado um saldo negativo de R$ 66,6 bilhões naquele mês (devido ao pagamento de precatórios).
Veja abaixo o desempenho das contas em julho deste ano:
governo federal registrou saldo positivo de R$ 11 bilhões;
estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 8,5 bilhões;
empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,1 bilhão.
Parcial do ano
No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 78,8 bilhões — o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 44,5 bilhões (0,61% do PIB).
No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 82,4 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$ 66,7 bilhões nos sete primeiros meses de 2025.
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo negativo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).
Após despesas com juros
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 97,6 bilhões nas contas do setor público em julho.
🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.
O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 14% ao ano, patamar elevado.
Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,15 trilhão (8,67% do PIB) em doze meses até julho deste ano.
Em julho, segundo números do Banco Central, a dívida do setor público consolidado subiu 0,6 ponto percentual, para 82,5% do PIB — o equivalente a R$ 10,95 trilhões.
A proporção com o PIB é considerada por especialistas como o conceito mais apropriado para medir e comparar a dívida das nações. E o formato de cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é adotado internacionalmente.
Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado "arcabouço fiscal", ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos.
A norma prevê crescimento das despesas abaixo das receitas, e um limite para gastos. Entretanto, despesas excluídas desse limite continuam pressionando para cima o endividamento. Analistas pedem um corte maior de gastos para conter a dívida e proporcionar queda do juro básico.
Rombo nas estatais federais
Segundo o Banco Central, as empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 476 milhões em julho. Na parcial deste ano, o rombo já soma R$ 8,3 bilhões.
🔎O termo "déficit" significa que o gasto somado dessas estatais foi maior que a receita que elas conseguiram gerar no ano.
A série do Banco Central não considera a Petrobras, a Eletrobras e nem as empresas do setor financeiro (bancos públicos).
O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras foram excluídos do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante.
Entram nesse cálculo empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea.
O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por "acima da linha" (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida).