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Contas públicas têm superávit em julho; dívida sobe para 82,5% do PIB, maior nível em mais de cinco anos

As contas do setor público consolidado apresentaram um superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (31).

G1 — Política · 2026-08-31T11:47:54.000Z

As contas do setor público consolidado apresentaram um superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (31).

🔎 O superávit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam acima das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de déficit primário.

🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.

Na comparação com julho do ano passado, houve melhora, uma vez que foi registrado um saldo negativo de R$ 66,6 bilhões naquele mês (devido ao pagamento de precatórios).

Veja abaixo o desempenho das contas em julho deste ano:

governo federal registrou saldo positivo de R$ 11 bilhões;

estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 8,5 bilhões;

empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,1 bilhão.

Parcial do ano

No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 78,8 bilhões — o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 44,5 bilhões (0,61% do PIB).

No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 82,4 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$ 66,7 bilhões nos sete primeiros meses de 2025.

Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo negativo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.

De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.

Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões

O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).

Após despesas com juros

Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 97,6 bilhões nas contas do setor público em julho.

🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.

O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 14% ao ano, patamar elevado.

Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,15 trilhão (8,67% do PIB) em doze meses até julho deste ano.

Em julho, segundo números do Banco Central, a dívida do setor público consolidado subiu 0,6 ponto percentual, para 82,5% do PIB — o equivalente a R$ 10,95 trilhões.

A proporção com o PIB é considerada por especialistas como o conceito mais apropriado para medir e comparar a dívida das nações. E o formato de cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é adotado internacionalmente.

Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado "arcabouço fiscal", ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos.

A norma prevê crescimento das despesas abaixo das receitas, e um limite para gastos. Entretanto, despesas excluídas desse limite continuam pressionando para cima o endividamento. Analistas pedem um corte maior de gastos para conter a dívida e proporcionar queda do juro básico.

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