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Antes de estreia como treinador na 4ª divisão do Carioca, Souza, ex-Vasco, levou elenco para conhecer Coutinho

Ex-Vasco, Souza vai estrear como treinador na Quarta Divisão do Rio

ge — Futebol · 2026-08-31T13:00:21.000Z

Ex-Vasco, Souza vai estrear como treinador na Quarta Divisão do Rio

Um ano e três meses depois da última experiência como jogador, Souza vai estrear em outra função no futebol nesta segunda-feira, às 14h45. O ex-volante do Vasco é treinador do FC Rio de Janeiro/Arouca, time que disputa a Quarta Divisão do Campeonato Carioca. O primeiro adversário é o Búzios, no Estádio Los Larios.

— Nos últimos anos de carreira na Turquia, eu sempre fui um líder. Automaticamente, dentro de campo, já você organizava time, o treinador me chamava para conversar sobre o que eu pensava da formação. Fui me acostumando a gostar disso e eu já praticava, para mim era um processo muito natural. Fiquei um ano aproveitando a família, fiz tudo o que tinha que fazer, mas agora eu já comecei a tirar as licenças da CBF e apareceu essa oportunidade para poder colocar em prática e ver se de fato é isso que eu quero, porque uma coisa é a teoria, outra coisa é você vivenciar. Estou gostando, estou relembrando meu início, todas as dificuldades que eu tive para me tornar um atleta. Para ser treinador estou passando pelo mesmo processo — contou Souza ao ge.

Souza, ex-Vasco, é treinador do FC Rio de Janeiro, da Quarta Divisão do Rio

Churrasco com Coutinho

Revelado pelo Vasco e com passagens por Grêmio, São Paulo e clubes internacionais, Souza encerrou a carreira como atleta de uma maneira que não gostaria. Voltou ao time carioca em 2024, junto com os amigos Philippe Coutinho e Alex Teixeira, e pouco rendeu. Teve o contrato rescindido menos de um ano depois. Agora tenta usar suas conquistas e experiência para inspirar outros jogadores que sonham com a carreira profissional.

— Todo dia eu coloco na cabeça deles: "Vocês vão ser campeões, a gente vai ser campeão, vamos subir, vamos subir sendo campeões". O que eu falo para eles é que só os campeões são lembrados. O resto acaba não sendo tão lembrado no futebol, e eles querem ser lembrados.

— Eles acham que eu sou meio louco, mas eu sou megalomaníaco. Eu acho que na vida a gente precisa ter ambições grandes. Se a gente não chegar nelas, a gente chega próximo delas, e o próximo delas já é maravilhoso. Eu falo para eles: "Eu tenho um sonho de ser campeão da Champions League como treinador". E eu vou trabalhar para isso todos os dias até um dia chegar lá. Caso não chegue, se eu ganhar uma Premier, trabalhar na Europa e ganhar um campeonato bom, ganhar um Campeonato Brasileiro, para mim já está de bom tamanho. Mas eu sempre coloco o sarrafo lá em cima.

Souza comandando treino do FC Rio de Janeiro

Para ajudar a inspirar o elenco do FC Rio de Janeiro antes da estreia no Estadual, Souza contou com a ajuda de um velho amigo. Ele convidou seus comandados para um churrasco em sua casa e levou Coutinho para conhece-los.

— Levei eles para ver meu museu que tem as camisas de jogadores que enfrentei. Messi, Ibrahimovic... Fiz isso para abrir a mente deles, mostrar com quem eles estão trabalhando, valorizar tudo isso. E, no final, o Coutinho apareceu. Chegou lá, abraçou, apertou a mão de todo mundo, brincou com eles e prometeu participar de um treino com a gente. Eu vou cobrar. Isso motiva muito esses meninos.

— Eu fui bem sincero com eles, falei que seria leviano e mentiroso dizer que 30% deles se tornariam um jogador profissional. Então, se 1% se tornar atleta profissional de futebol, já vou agradecer a Deus, porque é muito difícil. Mas eu fui sincero: se pelo menos 50% deles tomarem um rumo legal na vida como ser humano, porque a maioria deles vive em realidade muito difícil, seria uma conquista. O nosso intuito também é humano, é fazê-los refletir sobre a vida e tentar leva-los eles para um caminho diferente. Isso já vai me deixar satisfeito.

Souza promoveu encontro do time do FC RJ com Coutinho

Dificuldades da Quarta Divisão

O ex-Vasco foi anunciado como treinador do FC Rio de Janeiro em julho. Além das partes estratégica e tática, Souza precisa lidar com outras demandas que a Quarta Divisão proporciona. O técnico tem ajudado financeiramente o grupo e usa seu nome para buscar apoio para a equipe.

— Aqui a gente é treinador, psicólogo, tem que buscar patrocínios. Requer muito de mim, porque eu fico quase o dia todo resolvendo essas coisas de arrumar recurso. No início agora, ajudei com dinheiro de passagem para os meninos, lanche, resolvendo questão de bola, de colete, enfim, é muita coisa. Mas é muito bom poder aprender com tudo isso. São muitas situações que a gente tem que agir como um psicólogo, alguém que ajuda eles a esquecer um pouco o problema de casa e focar aqui. Eu aceitei esse desafio já sabendo disso, eu tenho o costume de liderar pessoas, então estou só estendendo para o campo e tentando ajudar os meninos de todas as formas que eu puder.

Souza é treinador do FC Rio de Janeiro

— Eu trabalhei com muitos treinadores, mas tem um treinador específico que eu não trabalhei tanto, mas eu o observei muito, que é o Diniz. Tive oportunidade de trabalhar com ele um mês só no Vasco e comprovei tudo aquilo que eu já via de longe, um excelente ser humano e treinador. E o Luxemburgo, eu trabalhei dois anos com ele no Grêmio e me ensinou muito. Se eu conseguir pegar um pouco do Luxemburgo, que é a questão de campo, sabe muito bem arrancar o melhor do jogador, é um cara que no vestiário consegue motivar de uma forma sobrenatural. Já viramos muito jogo depois do intervalo, com ele chacoalhando a gente no vestiário. E aí pegar a parte tática do Diniz, que eu gosto muito, acho que assim eu estaria bem cercado.

Souza trabalhou com Luxemburgo no Grêmio

Injustiça no Vasco?

Além de Souza, Alex Teixeira e Coutinho também rescindiram seus contratos com o Vasco. Coutinho alegou esgotamento psicológico e afirmou que a decisão de encerrar o ciclo foi tomada no intervalo de um jogo contra o Volta Redonda, após sofrer fortes cobranças e vaias da torcida.

— Não houve injustiça. Eu acho que existiu uma cobrança em cima daquilo que você pode oferecer. A torcida do Vasco cobrou muito de mim e dele porque sabia que a gente poderia dar mais. No meu caso, porque o Coutinho deu tudo que ele tinha. Eu acho que o contexto não ajudou muito e a torcida vai cobrar porque tem que cobrar. Criou-se uma esperança e as coisas não aconteceram por causa. Ele tentou dar o melhor, não aconteceu do jeito que todos nós pensávamos, mas levamos como aprendizado, e a gente tentou. Tanto dele quanto para mim fica uma gratidão tremenda por tudo que o Vasco fez pela gente. Ele só é o que é hoje por causa do Vasco. Eu só me tornei o que me tornei por causa do Vasco.

Coutinho e Souza no banco do Vasco

Coutinho vai voltar a jogar?

— Ele ainda está mantendo a forma, não decidiu o que vai fazer, até o chamei para vir treinar com a gente para ajuda-lo a manter o ritmo. Somos vizinhos, estamos sempre juntos, é uma amizade que a gente vai levar para a vida. Coutinho é um cara sensacional e que eu espero muito que ele consiga voltar, porque tem muita qualidade, tem muito para dar ao futebol. Como amante do futebol, queria vê-lo jogar mais um pouco, desfrutando da qualidade do futebol que ele tem.

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