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Artista maranhense Marlene Barros apresenta exposição inédita no CCBB São Paulo

Artista maranhense Marlene Barros apresenta exposição inédita no CCBB São Paulo

G1 — Brasil · 2026-08-31T14:37:15.000Z

Artista maranhense Marlene Barros apresenta exposição inédita no CCBB São Paulo

A artista visual maranhense Marlene Barros está com a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino” aberta ao público no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Primeira mostra individual da artista na instituição, a exposição reúne 15 obras produzidas em diferentes momentos de sua trajetória, entre esculturas, bordados, crochês, instalações e objetos.

Com curadoria de Betânia Pinheiro, a mostra apresenta um percurso pela produção de uma das artistas maranhenses que têm o universo feminino como principal eixo de investigação. As obras revelam como materiais e técnicas historicamente associados ao ambiente doméstico podem ser ressignificados como instrumentos de criação estética, crítica e política.

Com mais de quatro décadas de atuação, Marlene Barros construiu uma pesquisa artística marcada pela relação entre corpo, memória e os saberes compartilhados entre mulheres. Em sua produção, linha, tecido, bordado e crochê deixam de ocupar apenas o lugar do fazer utilitário para se afirmarem como elementos de construção de narrativas, preservação de histórias e reflexão sobre questões sociais.

Inspirada em uma pesquisa iniciada durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, em Portugal, a artista parte da ideia da costura como um gesto de reparação simbólica. O projeto teve origem a partir da proposta de intervir em uma casa em ruínas localizada no campus da universidade, experiência que levou Marlene a aproximar conceitos como arquitetura, memória e corpo.

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Na exposição, costurar aparece como uma ação de reconstrução. O entrelaçamento das linhas estabelece relações com vínculos familiares, afetos, heranças culturais e marcas deixadas pelo tempo. Ao mesmo tempo, a mostra evidencia como práticas tradicionalmente realizadas por mulheres foram, ao longo da história, desvalorizadas e afastadas do reconhecimento institucional no campo das artes.

"Essa exposição nasceu de uma pesquisa muito íntima sobre a condição da mulher, os saberes transmitidos entre gerações, o trabalho invisibilizado, os afetos, as cicatrizes e as resistências que atravessam nossas vidas. Ver esse trabalho ganhar novos sentidos a partir do olhar de cada visitante foi um dos maiores presentes que eu poderia receber. Esse é, para mim, o verdadeiro sentido da arte." comenta Marlene Barros.

Artista maranhense Marlene Barros apresenta exposição inédita no CCBB São Paulo

Reunindo trabalhos de diferentes períodos da carreira da artista, “Marlene Barros: Tecitura do Feminino” apresenta uma abordagem não cronológica, criando aproximações entre obras por meio das materialidades e dos temas que atravessam a produção da artista, como maternidade, identidade, sexualidade, violência, pertencimento e memória.

Entre os destaques está “Eu tenho a tua cara”, instalação composta por 49 rostos femininos que tensiona as relações entre identidade, alteridade e construção social do indivíduo. Em “Caixa Preta”, fotografias, colagens, intervenções têxteis e escritos formam um autorretrato expandido, atravessado por memórias pessoais e afetivas.

A obra “Coso porque está roto” utiliza um casaco bordado para estabelecer relações entre corpo, cura e reparação simbólica. Já “Entre nós” propõe uma imersão em peças confeccionadas em crochê que revisitam práticas tradicionalmente atribuídas às mulheres. Em “Quem pariu, que embale”, Marlene Barros questiona a naturalização do cuidado como uma responsabilidade exclusivamente feminina.

Para a curadora Betânia Pinheiro, a exposição amplia o debate sobre o feminino e os caminhos construídos pelas mulheres ao longo da história.

"Iniciamos essa conversa em São Luís, ampliamos esse percurso em Belo Horizonte e agora esperamos que o público de São Paulo entre nessa ciranda para dar continuidade a esse diálogo. É uma conversa que não se encerra nas obras, mas se amplia nas experiências compartilhadas entre muitas pessoas. Espero que sigamos refletindo sobre o feminino como uma construção histórica, social e cultural, honrando as ancestrais que abriram os caminhos para que hoje possamos compartilhar experiências, memórias e narrativas de mulheres." comenta a curadora Betânia Pinheiro.

Para Gabriela Azevedo, gerente geral do CCBB São Paulo, a realização da mostra reforça o compromisso da instituição com a diversidade da produção artística brasileira.

“Receber esta exposição, que transforma práticas têxteis em expressões poéticas e políticas, é reafirmar a diversidade das expressões femininas na arte brasileira. São esculturas, instalações, objetos que representam práticas e memórias historicamente marginalizadas e realizá-la no CCBB é fortalecer o compromisso com a escuta, a reflexão e ampliação de perspectivas sobre o feminino na contemporaneidade”.

Sobre a artista

Natural de Bacurituba (MA), Marlene Barros é artista visual, pesquisadora e produtora cultural. Com mais de quarenta anos de trajetória, desenvolve trabalhos em escultura, crochê, pintura, performance, instalação e intervenção artística, tendo o universo feminino como principal eixo de investigação.

É coordenadora do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM, espaços dedicados à formação artística e ao fortalecimento da produção cultural maranhense. É bacharel em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), especialista em Artes Visuais: Cultura e Criação pelo Senac e mestre em Arte Contemporânea pela Universidade de Aveiro, em Portugal.

Para a exposição “Tecitura do Feminino”, o programa CCBB Educativo – Arte e Cultura preparou uma série de atividades gratuitas para toda a família. O público poderá participar do Sensorial Estúdio “Tornar-se Pele”, criado como um símbolo de uma travessia por todas as peles que nos vestiram.

A programação também reúne duas ações cênico-musicais. Em Som em Cena: “Tear-te”, o trabalho manual se transforma em ritmo, entendendo o gesto repetitivo como composição. Já no InsPIRAção: “COMfiar”, a equipe educativa relaciona os significados das obras com os visitantes por meio de fios, nós e tramas.

Aos sábados e domingos, o projeto Tardes Brincantes oferece atividades livres e com hora marcada para que visitantes de diferentes idades possam experimentar processos de criação inspirados na exposição.

Entre as ações estão a oficina Primeiro Brincar: “trAvessos”, que convida crianças a descobrir o avesso do corpo; a Oficininha: “Eu tenho sua máscara”, em que os participantes criam uma nova face para Cazumbá, personagem do Bumba Meu Boi da Baixada Maranhense; e a FaBrincando: “Tramas em Retalhos”, que apresenta o bordado em diferentes suportes, como papel, pedra e madeira.

Para quem gosta de histórias e leituras, a contação Conto um Conto “De Ponto em Ponto” reúne narrativas da tradição oral. O projeto “Que Livro é Esse?” apresenta títulos como Meninas podem ser tudo, Meninos podem ser tudo, O quintal das irmãs, A menina que bordava bilhetes, A tecelã dos sonhos e Este não é um livro de princesas.

Durante o período da exposição, também será realizada a Oficina Integrada: Linha Em fusão, com senhas distribuídas 15 minutos antes de cada sessão. A atividade apresenta aos participantes o processo de fiar a partir da matéria-prima presente na obra de Marlene Barros.

A programação inclui ainda visitas mediadas com a curadora Betânia Pinheiro, workshop sobre curadoria, mediação e acessibilidade, a oficina “Arpilleras de si”, conduzida pela artista, além de performances e práticas de ateliê abertas ao público.

Exposição: Marlene Barros - Tecitura do Feminino

Período: 26 de agosto de 2026 a 25 de janeiro de 2027

Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – São Paulo (SP)

Funcionamento: aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras.

Visita mediada da exposição

29 de agosto (sábado), às 10h

Com Betânia Pinheiro, curadora

Workshop “Tecendo Experiências: Curadoria, Mediação e Acessibilidade”

24 de outubro (sábado), das 15h às 17h30

Com Betânia Pinheiro, curadora

Oficina “Arpilleras de si”

12 a 15 de novembro

Quinta e sexta, das 15h às 18h; sábado e domingo, das 10h às 13h, com Marlene Barros

Prática de ateliê

A partir de 04 de setembro

Sextas, sábados e domingos

Das 12h30 às 14h e das 18h30 às 20h

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